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Doença da Vida


            Ela sabe que algo a domina. Existem coisas, mais parecidas com seres vivos, que parecem tomar todo seu organismo aos poucos. Essas coisas estão por toda parte dentro dela. Ela sente-se muito mal. Tem febre e dores horríveis em seus sistemas funcionais. É como um câncer, são unidades de vida que apesar de se reproduzirem lentamente parecem estar aumentando de maneira exponencial e maligna.
Estão por todos lados, absorvendo todos os nutrientes dela. Se sente fraca enquanto os sistemas do seu organismo lutam contra os seres invasores. Enxurradas de fluidos e feridas se abrem para expulsar sua patologia de vez. Ela sabe que precisa erradicar essa doença. Mas enquanto ela pensa em maneiras bruscas e delicadas para sobreviver, esses indivíduos parecem se unir em prol de um só objetivo: destruí-la. Ela é muito rica, seu corpo é o local propício para a proliferação desses minúsculos organismos. E eles são muito unidos no que diz respeito a sugá-la.
Pede ajuda o tempo todo, mas não há quem olhe para ela. É impossível, está sozinha, isolada, longe de qualquer outra coisa. Dá sinais de sua exaustão e ao mesmo tempo envia sinais de sua esperança.
É esperta e seus sistemas funcionam de maneira bastante articulada e minuciosa. Mas estas criaturas pequeninas estão tomando seu corpo de maneira desordenada e perigosa para sua vitalidade.
Ela chora muito. Chora por solidão ou por sua doença. Chora pela vida e sua vida que vai se acabando. Chora porque não sabe quanto tempo mais vai durar e chora na esperança de conseguir reverter essa doença. Ou ao menos compreendê-lá, viver em paz com essas criaturas.
            Mas sua esperança volta quando lembra que quando morrer, não haverá mais patógeno, ou ao menos eles também morrem. Afinal seu corpo é o único local que podem viver bem. E como vivem bem às suas custas, ela sempre pensa.
           Ela continua. Mantem os sistemas que pode funcionando perfeitamente bem e por muitas vezes tenta recuperar inutilmente ou não os que foram tomados pelas criaturas diferentes.
           E que estas criaturas olhem para Gaya.
Malluco Beleza
Enviado por Malluco Beleza em 31/08/2007
Código do texto: T632306

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Sobre o autor
Malluco Beleza
Salvador - Bahia - Brasil, 31 anos
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