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O mar

Na adolescencia, anciosa por descobrir espaços e ampliar horizontes... numa viagem; com minha amiga Ester e seu sobrinho que seu nome nem siquer me lembro mais.
São Paulo; cidade grande para quem vem de um interior pequeno. Paisagens verdes; onde o trem na sua mesmice, demorava doze horas para chegar. Cançados e ávidos por chegar, vamos as malas garregar. O ónibus circular leva-nos ao bairro onde devemos ficar. Frio intenso, mês de julho; férias escolares; lá estão os tres pelas ruas a vagar . Encantados pelo que viamos e desejosos por nos aventurar.
Não conheciamos o mar e dali não era distante para lá chegar. Descidimos os tres que no dia seguinte pela  manhã seria ideal. Tomariamos o trem que iria até Santos; para ver a maravilha de que tantas vezes viamos; nas paginas dos livros, nas fotos, de quem tiverá o prazer de lá estar.
Saimos na manhã seguinte... dia de semana, de trem, fomos como forasteiros, caipiras, conversando admirando; o trem de ferro,  rasgando a selva; preso aos cabos de aço desciam devagar.
De sua janela; um expetáculo imenso, do verde que cobria a Serra, do Mar que se via ao longe. Intocável a natureza, esplendorosa; com as ingremes ladeiras, cobertas de vegetação.  Misto de medo, não via a hora de por os pés no chão.
Achar de novo o terreno plaino; onde não haveria mais o avistar do penhasco, tão alto de um lado e tão rente do outro lado do trem. Maria fumaça; fumegava e ao ar se misturava, entre as folhas despertava os raios de sol.
Enfim avistamos lá do alto a cidade que nos receberia como a tantos outros  que o fez antes de nós.  Com uma unica diferença nada conheciamos daquele lugar...
Descemos na Estação e buscamos tomar um circular e ai veio a pergunta que não queria calar? Para onde vamos?
Os tres olhares se cruzam e os letreiros dos onibus vamos então observar e depois escolheremos  para onde devemos viajar.
Passa um e diz Praia do José Menino, outro Ponta da Praia  e por ai vai.
Eram tantos os nomes e como saber qual o melhor lugar?
Arriscamos então ir para a Ponta da Praia e então já no ónibus começamos a desvendar a rua ou avenida; como falar beirava a praia e em sequencia, cada pedaço recebia um nome sem ter diferença entre uma e outra, todas elas nos levariam ao Mar. Descemos então na Ponta da Praia um belo lugar... onde proximo dela já havia um magestoso prédio de muitos andares; um hotel a beira Mar.
Agora lá estavamos de calças compridas blusas de manga longa e paleto, muito frio fazia em São Paulo e agora o que fazer?
Não haviamos levado roupas leves para trocar.
Tiramos o paleto  e pendurados no braço tiramos o calçado fechado e na areia descalços  começamos a andar. Chegamos até a agua e devagar molhamos os pés com as calças arregaçadas para não molhar. Como bom caipira buscamos não demonstrar mas levamos a mão molhada a boca para de fato conferir era na verdade salgada a agua do mar.
Uma beleza imensa e nossos olhos a divagar.
As ondas enormes batiam nas pedras a quebrar, na praia trazendo conchas e as arrastar espalhadas pela areia algumas a ficar...
Como foi maravilhoso esse espetáculo diante do olhar o tom da água; cheia de espuma, o corre, corre que a onda vai te pegar; de volta a praia mais longe  eu, Ester e o menino a brincar.
Os carros que passavam; olhares curiosos tentavam desvendar; alguns se encorajaram e tentaram me convidar para uma volta de carro dar. Mais que depressa falei so se for para todos nos. Assim desistiu, o atrevido; pensando que inoscentes e pueris não sabiam se resguardar. Tempo bom era aquele não havia a violencia como hoje mas, mesmo assim não davamos chance aos audaciosos.
Chamou-nos a atenção, alguns que ali estavam; de sunga, de maios, biquinis de duas peças. O sobrinho da Ester que nunca havia visto coisa igual; com os olhos de menino que era; impressionado com o que via... sentado na mureta da orla da praia diz:-
Vejam a moça que esta sentada na areia mostrando; parte de suas costas delineada e punha amostra o encontro das nadegas o rasguinho afinal. Chegou a hora do almoço e fomos em busca de um local mais tranquilo com menos gente e encontramos o ideal.
Adentramos e sentamos em uma mesa, o garçon veio e o cardápio nos apresentou e perguntou-nos se queriamos um aperitivo e mais que depressa um de nós respondeu uma caipirinha. Enquanto foi preparar o aperitivo ficamos a decidir o menu do dia e resolvemos então comer arroz, salada e bife à cavalo. Imagine você... estar a beira mar com tantas delicias para desfrutar, escolher um menu mais do que especial ao inves de peixes e frutos do mar.
Ao tomarmos um pouco do aperitivo, logo aquela bebida subiu e então nos pusemos a nos olhar e a rir, como bobos. Risadas gostosas como jamais ri outra vez.
 Almoçamos, pedimos ao garçon se podia guardar nossos casacos e saimos  pela rua  visitando as lojas e vendo as novidades e voltamos a praia para passear. A tarde voltamos de trem  na subida da serra sempre mmaravilhados com a paisagem inospita e verdadeira pura que nos deixou saudades e recordações desse dia em que ví o mar pela primeira vez.
                           cilene
Cilene de Castro Dano
Enviado por Cilene de Castro Dano em 08/09/2007
Código do texto: T643201
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Sobre a autora
Cilene de Castro Dano
Presidente Prudente - São Paulo - Brasil, 75 anos
93 textos (5182 leituras)
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