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Tenho Amigos... (Parte Um - A Chegada)

                                       Tenho Amigos...
                                  Parte Um – A chegada


- Mãe! – gritou Marcos, ponto as últimas roupas dentro de sua mala.
- Se acalme, meu filho, ainda faltam cerca de 3 horas para ela chegar.
- Três horas, três horas! Ora, preciso me apressar. E esse Pedro que não chega...
A praia era um atrativo muito visto na época das férias de verão. Turistas aproveitavam para visitar parentes e amigos em regiões de belas paisagens, como no nordeste. Um tempo de curtir as velhas (ou novas) amizades.
Marcos, um estudante de direito da Universidade de Fortaleza, havia convidado alguns de seus melhores amigos para compartilharem com ele a oportunidade de aproveitar as férias em uma bela casa à beira mar. Recentemente, foi anunciada a chegada de uma garota, que a muito tempo não via, do estado do Rio Grande do Sul. Ambos construíram uma bela amizade de muitos anos, até o destino manda-la para o outro lado do país (devido ao novo cargo do pai na empresa). Seu contato era perdido, complicado. Mas algo mais do que um sentimento de amizade fez-lo aguardar ansiosamente sua chegada.
A campainha toca. Com a escova de dentes na mão e deixando escorrer uma espuma branca pelo canto da boca, Marcos corre para atender a porta. Logo após pára, vendo que sua mãe já chegava ao local.
- Pedro, finalmente!
- Não, meu filho, é o cara do gás – disse dona Zilda sorridente.
- O que? Não! É brincadeira?
- É. – finalizou ela dando uma gargalhada.
- Em tempo, Pedro! – exclamou Marcos esquivando-se da mãe para enxergar seu amigo – entre, já estou quase pronto.
- Certo, certo. Agora me responda uma coisa. Por que vamos para o aeroporto às duas e vinte quando o vôo dela só chega só chega às cinco e dez?
- Mas... – respondeu ele pensando no que falar – o avião pode chegar mais cedo.
- Há! – riu Pedro – que irônico, quais as chances disto acontecer?
- Pedro, é ela! A Sophia está vindo. Faz quatro anos, não? Você não está ansioso?
- Sim, estou. Mas não estou pirando.
O amigo ajudou Marcos na simples tarefa de fechar a última bagagem, ele mesmo teria feito se suas mãos não tremessem tanto. “Eu dirijo”, disse Pedro temendo que a loucura do outro os levasse a um desastre. O trânsito estava apertado em uma das avenidas principais de Fortaleza. Isso deixava Marcos com os nervos completamente alterados.
- Vamos seus tapados! Por que dirigem se não sabem? Esse país que dá carteira de motorista a qualquer um.
Pedro guiou pacientemente todo o caminho. Não emitiu nem uma palavra, pois isso poderia piorar a situação. Chegando ao Pinto Martins, aeroporto internacional da cidade, os amigos encontraram, logo na entrada, Mayra, outra das pessoas que foram esperar a chegada de Sophia.
- Marcos, posso saber porque marcou a esta hora para...
- Não esquenta, Mayra, eu já falei com ele. E se quer um conselho, não o repreenda agora.
- Mas por quê?
- O trânsito, ele está com raiva do trânsito.
- O que tem?
- Ele está como sempre, é isso. Ele falou mal até do sol por está muito quente.
- Marquinho – falou Mayra contendo o riso – vamos esperar mais de uma hora, você sabe.
- Sei! – limitou ele correndo em direção àqueles painéis com a lista de chegadas e partidas dos vôos.
Marcos estava distraído, vendo horários na tela de tevê. Os outros dois o esqueceram por um tempo, pois sabiam que não adiantaria pedir para que ele se acalmasse. A cada minuto que passava era sua ansiedade que aumentava.
- Quer tomar algo? – perguntou Pedro.
- Ótima idéia querido!
Subiram até o terceiro piso, onde era localizada a área de lanches. Deixaram o amigo completamente sozinho com sua paranóia. Pegam um sorvete, não se importando em pedir um terceiro. Conversavam sobre suas semanas corridas na faculdade e os novos colegas que iam encontrando. Estavam aliviados por poderem entrar de férias e um pouco elétricos em virtude da viajem.
Não demorou até Marcos vir correndo em sua direção, abanando os braços e chamando o nome dos dois.
- Hei, pessoal, eu tive uma idéia.
- O quê – disseram os dois juntos em um tom esnobe.
- Acabei de comprar rosas. – continuou ele revelando o que trazia nas mãos até então escondidas nas costas – nós podemos fazer um teatrinho.
- Marcos, sério, você está me assustando.
- Escuta Mayra, pensei em vir recebê-la. Sem nada em minhas mãos. Rapidamente, você a distrai enquanto o Pedro corre e me entrega as rosas, para eu esconder-las atrás de mim. Quando a atenção da Sophia voltar para mim, eu revelo o presente. O que vocês acham?
- Que espetáculo, querido Marquinho. É extraordinário. – começou Mayra.
- Também achei.
- É extraordinário como você pensa besteira.
- Ah! Vocês que não são criativos e se invejam da minha idéia.
- Marcos, sente-se aqui. Vamos apenas esperá-la e quando for chegada a hora, você entrega o buquê. Sem surpresas.
- Está bem. Não posso mais fazer nada.
Quase uma hora se passou depois disto. Tinham ido às livrarias, lojas de jogos e de som e em um restaurante japonês. Perto da hora marcada, até mesmo os outros dois jovens apresentavam sinais de nervosismo.
- Informamos que o vôo Gol 3457, vindo de Porto Alegre (Salgado Filho) com escala em São Paulo (Guarulhos) já está em solo, pedimos aos clientes... – anunciou o som.
Todos pegaram suas coisas e correram para baixo, nas saídas nacionais dos passageiros. Cada rosto que passava era um choque para eles. Uma garota loira era procurada no meio de tantas outras. As pessoas passam. O fluxo delas vai diminuindo. Nem um rosto familiar aparecia. O medo começa a atuar sobre os três companheiros. Assim, como uma modelo que desfila em uma passarela, sendo vista e esperada por uma multidão, chega Sophia. Bela moça de pele branca como a neve e cabelos brilhantes como o sol. Seus olhos verdes atraíam qualquer um que olhasse.
Foi recebida por muitos abraços apertados de saudade. Precisaram desgrudar Marcos do corpo da garota.
- Que bom revê-los! Senti muitas saudades. Onde está o Jorge?
- Ainda está Mossoró. Vem amanhã, pois tinha que ficar e apresentar um trabalho. Alguma coisa sobre plantas.
- Haha! – riu a turista – o homem das plantas.
- Conte-nos tudo – insistiu Marcos – tudo mesmo!
- Contarei sim, no caminho. Estou cansada da viajem.
Roberto Morel
Enviado por Roberto Morel em 11/09/2007
Reeditado em 11/09/2007
Código do texto: T647872

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Sobre o autor
Roberto Morel
Fortaleza - Ceará - Brasil, 31 anos
38 textos (8792 leituras)
4 áudios (1859 audições)
1 e-livros (87 leituras)
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Roberto Morel