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Um erro, um morto e a divida

   A noite era de céu limpo, sem muitas nuvens a encobrir a lua, eu andava com a cabeça a mil , precisava de algo pra me tranqüilizar. Passei na casa do Carcaça, um amigo meu de longa data, o apelido “Carcaça” se deve pelo fato de ele ser muito magro, mas enfim,
o que me interessava mesmo era ver se ele tinha um “do bom” na casa dele, só aquilo mesmo pra me relaxar e esquecer os problemas, mas ida a casa dele foi em vão, toquei a campainha e logo saiu a mãe dele :
- O Sandro não está- Sandro era o nome verdadeiro do Carcaça – E vê se não procura mais meu filho, você não é um bom amigo pra ele.
   Passei a mão na cabeça , já tremia muito devido a minha abstinência em relação a meu vício, então decidi fazer o que jamais havia feito , como não tinha um centavo no bolso, fui pedir fiado ao traficante. Ao chegar na boca de tráfico , minhas mão tremiam muito , já não sabia mais se era por causa da vontade de fumar ou medo daqueles caras. Procurei não demorar muito ali , não sabia lidar com aquela situação pois sempre o Carcaça que buscava pra nós . Mas no final correu tudo bem , depois ainda voltei algumas vezes , o negocio se tornou tão comum que não tinha mais medo, fui me endividando demais .
   Devia mais do que eu poderia pagar e consumir , mas eu precisava mais daquilo , até que um dia cheguei na boca de tráfico e o traficante me disse :
  - É o seguinte playboy : hoje tu não leva nada e tem mais , se até amanha tu não pagar o bagulho o chicote estala pro teu lado . Agora sai andando , e faz seu “corre” pra arrumar minha grana .
  Se antes eu tinha medo , naquela hora o medo era triplicado, não sabia o que fazer . Cheguei em casa e pedi uns trocados pro meu pai , disse que era para a compra de um ingresso pra show, o dinheiro não era suficiente pra quitar toda minha dívida, mas eu imaginava que se desse uma parte o traficante aliviaria minha barra. Mero engano meu.
 - E aí playboy trouxe minha grana ?
 - Então , trouxe uma parte . Dá pra mim pegar um pouco pra mim relaxar hoje .
 
   O traficante começou a rir e perguntou se eu achava que ele tinha cara de otário, nisso comecei a pensar no pior . E pra infelicidade minha o pior aconteceu. Como naqueles filmes de bang-bang , ele sacou o revólver muito rápido e atirou em minha cabeça. Depois disso me vi no alto daquele lugar, todos saindo correndo e eu ali . Cometi um erro, entrar no mundo das drogas.Adquiri uma dívida com minha consciência de ter trazido dor e sofrimento á minha família.E fui morto por mim mesmo ao espancar minha mente e meu corpo ao usar drogas.
Oscar Bottaro
Enviado por Oscar Bottaro em 06/10/2007
Código do texto: T682640

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Sobre o autor
Oscar Bottaro
Santo André - São Paulo - Brasil, 32 anos
216 textos (12496 leituras)
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Oscar Bottaro