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O REI DO BACALHAU


                                O REI DO BACALHAU



Era bonita a mulher do rei do bacalhau, apesar de já contar 55 anos ou mais… O nome condizia com a sua personalidade altiva que se burilou à medida que fazia fortuna o marido no negócio da pesca do bacalhau, nos mares da Gronelândia e posterior comercialização.
Augusto era um homem demasiado ocupado e inteiramente devotado à actividade que abraçaria e que tinha dos seus antepassados profundas raízes, particularmente pai e tios, que fizeram da pesca longínqua o seu modo de vida. Ele começou a estar ligado à pesca através da que se fazia na proximidade da costa, particularmente na captura da sardinha e chicharro. Com o tempo e consolidação do seu espírito empresarial, galvanizou-se e adquiriu um barco bacalhoeiro que já tinha por destino a sucata e que ele comprou a um empresário que já velho, havia deixado de operar, depois de ter indemnizado os pescadores, que ao longo de mais de 25 anos foram os construtores do seu império pesqueiro e que o Onassis Português, como era conhecido e que por não ter descendência directa e ainda o peso dos anos, haveria de diluir.
O jovem Augusto, homem afortunado e perspicaz, com o dinheiro ganho na lotaria (1º prémio) num dia em que se achava deprimido, pôde deste modo materializar um sonho que de olhos abertos e com estes lançados no horizonte Atlântico, recriava fantasticamente. Tinha aproximadamente 30 anos, quando este acontecimento ocorreu e que definitivamente o haveria de marcar para todo o sempre, tanto para o bem como para o mal. Foi também nesta altura que conheceu a Vitória, aquela que haveria de um ano mais tarde, ser a sua mulher. Vitória também tinha ligações à pesca, pois seu pai possuía uma pequena embarcação do tipo traineira, que operava junto à costa e que era o sustento da sua família, composta de quatro filhos, sendo que Vitória era a única rapariga e a menina dos olhos do pai, que a fazia garbo da presença dela nos lugares públicos, pela sua beleza inquestionável.
Na verdade, o Zé da Tita, era assim que se chamava o pai, tinha pela filha um especial apreço, porque, e muito especialmente por isso, dizia que a filha se parecia com a avó paterna, a Tita, que viuvou aos 45 anos em consequência de um naufrágio em que o marido, o Ezequiel Canário, juntamente com mais três pescadores se haviam afogado numa madrugada fatídica e nada aconselhável para a faina pesqueira e que os surpreendeu, tendo-se a embarcação virado e eles terem ficado presos nas redes… redes que outrora foram o sustento e agora o tormento.
Vitória era uma mulher que especialmente enchia o olho, não pela estatura, que esta era pequena, mas essencialmente porque ela era bem o padrão da mulher portuguesa do norte, padrão que é a conjugação de uma mistura que enraíza nas diversas ocupações da Península Ibérica pelos povos do norte de África com os autóctones. Nela todos os aspectos físicos eram relevantes e a natureza foi-lhe pródiga em reunir numa só pessoa tanta beleza. Os olhos eram de um preto rutilante, pele morena clara, sobrancelhas e cabelos pretos, nariz empinadinho, boca sensual e dentes perfeitos, sabendo cada um ocupar distintamente o seu lugar. Os seios eram um pouco grandes para a estatura, as pernas eram perfeitas, a cintura fina. Tudo numa só mulher era demais, aos olhos dos homens do seu tempo e que na pequena vila piscatória da Apúlia se deliciavam a fazer conjecturas daquilo que fariam ou seriam capazes de fazer com essa mulher. Ela entrava frequentemente nos cenários amorosos dos pescadores, que mais “bebidos” contavam as suas fantasias conjugais entre si. A Vitória era presença assídua e ainda mais nos períodos em que ela estava sem marido, por ausência deste em períodos que não raro iam além de três meses. Esta situação potenciava-lhes elaboradas fantasias e ela mesma sentia isso nos olhares pouco discretos que recebia. Vitória tinha todas as características de mulher que dava apreço à sexualidade, contudo, ninguém alguma vez ousou apontar-lhe qualquer suspeição de infidelidade nas várias ausências do marido nas terras geladas da Gronelândia. Ela realizava-se com a fortuna que crescia a cada dia, com as fantasias extremadas de mulheres que vieram do nada e que de repente se acham podres de ricas. A maior parte do dinheiro que gastava era com roupas de marca, que adquiria nas melhores boutiques de Braga, Porto ou mesmo em Lisboa. Os perfumes também lhe levavam muito dinheiro, o cabeleireiro diário, 2 vezes na semana ginásio e 2 vezes natação, faziam-na feliz, mas a sexualidade dela estava descompensada…A sua casa era uma habitação enorme, com grandes espaços verdes e jardins de canteiros deliciosamente bem decorados pelo jardineiro da casa, homem de trinta e tal anos, de nome Francisco, mas conhecido entre todos pelo Tulipa ou Francisco Tulipa. Nestes espaços se criou a única filha, a Titinha, que recebeu o nome em homenagem à avó Tita e que actualmente e depois de concluídos os estudos rumou para a Escócia há dois anos, só tendo vindo cá no Natal, altura em que a família se reuniu toda.
 Francisco Tulipa é um homem solteiro, contudo já havia tido uma experiência de facto, que durou cerca de cinco anos com uma moça chamada Ana, também conhecida por Ana Flecha, por na sua juventude ter praticado atletismo na equipa da sua terra e ganhar todas as provas, normalmente com grande avanço. Desta ligação não houve filhos e Ana por razões que se desconhecem deixou-o ficar e foi para Lisboa, talvez na tentativa de entrar num mundo mais à medida da sua ambição. De Francisco, sabemos que algo parece estar a mudar na vida dele e isso é público. Apresenta-se esmeradamente bem vestido e calçado e até mudou recentemente de carro. Estes pequenos sinais fazem estar o “povo” alerta, que melhor que ninguém com a sua sabedoria e sensibilidade sabem separar o trigo do joio. Não raro é questionado pelos amigos se lhe saiu o euromilhões, para a vida dele aparentemente ter dado uma volta tão significativa e que supostamente o seu salário de jardineiro não o permitiria. Francisco, apenas se ria e deixava que as conjecturas rolassem por conta de cada um.
Outra pessoa que não passava despercebida era o ginecologista, o Dr. Milheiro, o Boi como dizia o “povo”, que na sua ignorância, achava que as mulheres que o procuravam era com a finalidade de serem “tocadas”. Vitória a cada seis meses tinha consulta na especialidade, ora para fazer o teste papa Nicolau, ora para rastreio aos seios. Numa dessas vezes, Vitória achou que o Dr. Milheiro terá levado longe demais a consulta e que em vez de consulta, ele lhe acariciava os seios, ou mesmo a penetrava com os dedos profundamente em movimentos circulatórios, mais parecendo que a estava a masturbar que a consultar, além de que lhe fazia perguntas que lhe pareciam indiscretas. Tais como: a frequência de actos sexualmente explícitos, se fazia orgasmos frequentemente, se tinha corrimentos…A ética profissional do Dr. Milheiro chegava a estalar o verniz e no diz-se diz-se assentava o alcunha de Boi, feito através de relatos que muitas vezes confidenciais, acabavam por romper a cadeia do segredo.
Voltando ao Francisco Tulipa, percebeu-se que Vitória o olhava com redobrada atenção e carinho e lhe exaltava frequentemente a sua capacidade profissional. Francisco ficava embevecido e cada vez se esmerava mais na arte da jardinagem e os canteiros ganhavam uma alegria nunca antes tida. Para compensar e premiar o labor, Vitória dava-lhe dinheiro extra e vincava-lhe que o deveria aplicar em roupa para melhorar o seu aspecto exterior. Afinal, dizia ela: tu és o jardineiro da casa mais rica cá da terra e como tal deves fazer reflectir isso. No subconsciente de Vitória, havia em laboração algo muito mais que Francisco exibir “status” de acordo com a casa. Ela olhava-o e fantasiava-se. A sua abstinência carnal e a massa muscular de Francisco Tulipa tiravam-lhe o sono. O jardineiro não era um homem bonito, porém um indivíduo fisicamente de aspecto geral possante e era nesta particularidade que a patroa assentava os desejos, antes apenas sonhos e que o jardineiro intuía, sendo que ele mesmo também uma ou outra vez tivesse sentido um desejo louco pela patroa. As clivagens patroa/empregado/patroa quer no aspecto social quer noutras, faziam desencadear inércias e dificuldades que dada a natureza dos fins, deixava Vitória encabulada. Contudo, e aconselhando-se com o travesseiro numa noite de insónias, em que só na cama e na casa, haveria de engendrar maneira de solicitar os serviços extra jardinagem de Francisco, para o acompanhar numa viagem de automóvel a Lisboa. Perante a solicitação, Francisco não se fez rogado e aceitou o convite. Dela recebeu a recomendação para ir apresentável.
Num sábado de manhã seguiram viajem e as pessoas que os viram sair não viram nada, no facto de Francisco acompanhar a patroa. Afinal, Vitória está só e Francisco uma boa companhia, quanto mais não seja para a auxiliar nas compras. Augusto, o marido de Vitória, se lhe chegar aos ouvidos que o jardineiro faz companhia à mulher até “agradece”. Francisco tem toda a confiança do patrão e nada há que o não deva merecer. Se lhe disserem que o jardineiro anda bem vestido, Augusto aprovará a ideia da mulher o trazer assim.
Na viagem que fizeram, pararam para almoçar na zona da Bairrada, entraram no Restaurante Pedro dos Leitões e aguardaram 20 a 25 minutos até que houvesse mesa vaga para se sentarem. Logo que uma se disponibilizou, ouviu-se na amplificação sonora o empregado chamar por D. Vitória Fonseca, mesa 27. Encaminharam-se para a mesa, já posta com diversas entradas da região, o cardápio aberto para seleccionar o prato e o vinho espumoso tão típico daquela zona. Raras vezes se almoça ou janta neste restaurante, fora de leitão. Com eles aconteceu isso mesmo. Mandaram vir 0,75 kg de leitão assado e uma salada mista, beberam o vinho espumoso e comeram de sobremesa natas do céu.
Este restaurante tem inusitado movimento, onde não raro se espera até uma hora para almoçar e neste entretanto entra para almoçar o Hilário dos Perfumes, assim chamado por ser viajante de artigos de drogaria. Hilário entrou, olhou as diferentes salas de jantar em curiosidade natural e viu na mesa 27 a Vitória com o jardineiro. Até aqui nada de especial. A postura deles não indiciava qualquer coisa de relevante, contudo registou o encontro. Hilário na sua actividade profissional fazia larga cobertura territorial na divulgação e venda de produtos de drogaria e perfumaria e um dia teve a tentação de abordar Vitória para lhe vender perfumes, pois sabia que ela era perdida por isso. Nesta conformidade, um dia apareceu-lhe a casa e ofereceu-lhe diversas amostras, que ele referia não terem qualquer compromisso de compra, mas antes um objectivo de divulgação. Vitória aceitou as amostras e Hilário ficou de passar uns dias depois para recolher encomenda, caso ela mostrasse interesse.
Hilário é conhecido de há muitos anos por serem da mesma terra e ainda porque muitas vezes na juventude ter sido companheiro de Augusto, em farras que faziam pela noite dentro, até às tantas da madrugada, e de que Vitória nem sempre guarda boa memória. Entre eles não havia empatia, apenas só conhecimento, sem amizade. Uma cena menos edificante de Hilário numa festa da juventude, haveria de o “marcar” definitivamente, e ele sabia e sentia que Vitória não lhe dava a atenção que ele gostaria de ver deferida.
Vitória era uma mulher que sabia dar atenção e carinho a quem ela se dedicasse e abominava os demais, que aqui ou ali não mostrassem conduta adequada. Hilário caiu no rol dos “bons” inimigos.
A visualização de Vitória e Francisco Tulipa no restaurante irá levá-lo a trazê-los debaixo de olho e irá fazer por sua conta espionagem a favor de Augusto, sem que este lhe tivesse encomendado qualquer serviço.
Doravante, Vitória estará sem que o saiba, a ser espiada por culpa de um ciúme e de reminiscências mal resolvidas e alguma antipatia mútua.
A relação de Vitória com Francisco era tratada com especial cuidado por ela e nunca o jardineiro alguma vez entrou em casa, na ausência do marido, para que não se viesse a especular sobre o que estaria lá a fazer. Ela, apesar de ser uma mulher carente de afectos pela ausência de Augusto, só o era nestas condições, porque sempre que o marido estava, este não regateava carinhos e até parecia-se exceder, se é que há excessos entre marido e mulher.
Nas entrelinhas, Francisco deixou perceber que a patroa não o queria só para companhia de viagens e um dia lançou-lhe um olhar “guloso”, que Vitória recebeu com agrado. Estava lançado o primeiro e consolidado passo para outras “viagens”.
Vitória do Bacalhau, como era conhecida depreciativamente pelos que lhe tinham inveja da sua ascensão patrimonial, calendarizou algumas saídas com o jardineiro por companhia, só que cada vez mais ousadas. Nunca o fazia por perto, porque o seu bom-nome deveria ser preservado e muito dificilmente ela longe poderia ser “apanhada” nas malhas da infidelidade. Só que nem sempre as coisas acontecem como se programam e havia um Hilário espião no caminho desta mulher bonita e ainda atraente, rica de dinheiro e pobre de prazeres carnais.
Numa dessas passeatas por uma pequena cidade do interior, Vitória e o jardineiro foram vistos de mão-dada pelo espião, que acidentalmente estava dentro de uma farmácia a comprar preservativos para encontros “extras” que os viajantes tantas vezes têm espalhados pelos diversos cantos do país e que lhes preenchem as suas necessidades sexuais, marcadas por ausências de duas e mais semanas, de casa. Hilário, neste contexto fazia como os demais e resolvia-se com mulheres que ia conhecendo e que outros colegas mais velhos lhe indicavam.
Em nenhuma das vezes que Vitória e Francisco foram vistos, acidentalmente ou não, por Hilário, eles tiveram a noção de que estavam a ser espiados e como tal davam largas às suas fantasias e paixão carnal nascente, cada vez mais empolgante e que de mão-dada já se havia passado aos beijos, dados à mesa de restaurantes, lojas, rua ou nos por jardins públicos, e que Francisco aproveitava ainda para tirar algumas ideias ou mesmo Vitória lhe pedia para fazer igual nos jardins lá da casa. Aliás, num desses passeios por um jardim, eles beijaram-se tanto tanto que Vitória lhe pediu para reproduzir nos jardins da casa, um canteiro igual, para perpetuar e homenagear o dia escaldante que a noite que se aproxima iria fazer explodir.
Por azar, neste mesmo jardim lá estaria o Hilário a descansar e a ler o jornal que quando ser apercebeu da presença deles ali, se serviu do jornal para fazer espionagem e registar mais um encontro a dois, que acontecem com mais frequência.
Hilário, de tudo o que viu no passado e irá ver no futuro, dizia a si mesmo guardar e jamais o dizer a alguém.
Como tivesse passado algum tempo desde o dia em que deixou as amostras de perfumes, Hilário resolveu passar por casa de Vitória para recolher qualquer pedido. Vitória não mostrou interesse na compra e nem mesmo a insistência dele a demoveu, querendo ela demover as amostras (cerca de dez diferentes), não tendo Hilário aceite, tendo-lhe dito que as marcas já o fazem para dar e não para recolher.
Não se sabe bem porquê, Vitória pensou deitá-las fora, uma vez que ela não gostava dos odores, ainda assim não os destruiu, apreciando-os pela beleza dos frascos, tendo-os guardado.
A relação Hilário/Vitória, foi desde sempre fria e agora mais Hilário ficou bravo por nem uma encomenda lhe ter sido feita.
As viagens da patroa e do jardineiro embora longe de casa, acontecem com alguma regularidade e tudo o que foi espiado por Hilário, já lhe dá garantias de que entre eles há intimidade pura e dura.
Vitória recebeu do marido um telefonema, a antecipar o regresso da Gronelândia e vai temporariamente interromper os encontros com o jardineiro, não se sabe por quanto tempo.
Quando Augusto, chegou as manifestações de saudade e de carinho tomaram proporções de quem ama de verdade. Augusto já há muito não sabe o que é mulher. Passou quase todo o tempo no alto mar e as suas “necessidades” estão potenciadas, sendo que Vitória não está muito melhor, embora as saídas fortuitas com o jardineiro tivessem amenizado os desejos de carne.
Alguns dias após o regresso, Hilário encontrou acidentalmente Augusto a tomar café na Pastelaria Natas de Belém e como já se não viam há largo tempo, Augusto rejubilou pelo encontro. Conversaram demoradamente, não menos de uma hora, até que Hilário o convidou para um jantar para a semana seguinte, o qual foi aceite por Augusto, na condição das mulheres de ambos não estarem presentes, com o argumento de ser um jantar para pôr a conversa em dia de velhos amigos, onde se iriam recordar tempos idos há mais de trinta e cinco anos. Augusto ficou extasiado com a ideia e prometeu fazer um apelo à memória para o ajudar a alimentar a conversa que está agendada.
Na cabeça de Hilário, rodam outras conversas para desenvolver e a Vitória do Bacalhau, no dizer dele, vai pagar caro a antipatia que lhe tinha e ainda mais pelo ciúme, por ela se entregar ao jardineiro, pessoa que ele reputava de baixa condição.
Desse jantar, que supostamente seria de total satisfação, haveria de ter sabor amargo para Augusto, que teve no “amigo” Hilário, vigilante da sua bela e apaixonada mulher. O regresso de Augusto a casa fez-se mergulhado na maior tristeza, mas ainda assim iria procurar disfarçar o incómodo da notícia. Não lhe foi fácil ouvir, com garantias de verdade, a notícia de que a mulher lhe era infiel com o jardineiro.
Nessa noite, Augusto fez amor com a mulher, mas a cabeça fervia-lhe e ainda mais lhe fervilhava quando ela no calor do acto lhe dizia que o amava loucamente. Augusto controlou-se e não lhe falou no que havia ouvido, contudo ela achou-o diferente no desempenho, mais apagado que o habitual. Augusto impôs a si mesmo que não deveria falar com a cabeça quente e o dia seguinte serviria para amadurecer as ideias e o modo como deveria abordar a questão.
Nova noite e a sedutora Vitória, achou que a noite anterior não esteve ao nível do que é habitual e gosta e buscou da imaginação tudo o que poderia potenciar uma noite louca de amor. Vestiu lingerie nova, com cuequinha reduzida e transparente que deixava ver o objecto do prazer, soutien à mesma cor e especialmente decotado. Antes de entrarem na cama beijou intensamente o marido e exibiu passes de strip, tirando lentamente e em movimentos harmoniosos a lingerie até à nudez completa. Augusto embriagou-se com a postura da mulher e no seu intimo perguntava: será que ela aprendeu tudo isto com o jardineiro? E completava: vou confrontá-la e ver o que me vai dizer. No calor do acto amoroso, Augusto falou-lhe do jardineiro e do que lhe disseram a respeito dos dois. Vitória tinha intuído que se alguma vez, por um qualquer acaso o marido viesse a saber, deveria manter a calma e revelar à vontade para o negar. Vitória sabia como dar a volta e na maior intimidade Augusto deixou cair o nome Hilário. Foi o que ela quis ouvir. A contra argumentação estava nos pequenos frascos de perfume, que ela usou como defesa.
Disse peremptoriamente ser tudo uma mentira e mais: Pensei guardar para sempre o que se passou na verdade, por saber da tua amizade com Hilário, mas uma vez que queres saber, vou-te dizer toda a verdade. Esse tal “amigo” Hilário que tu tanto estimas, foi o homem que tentou seduzir-me, só que em vão. Jamais te seria infiel e para que não tenhas dúvidas vem comigo ali, que tenho lá as provas de que ele veio aqui a casa e me fez o convite para irmos para a cama: São aqueles frascos de perfume, que falam por si.



Moral da história:

Cada um tire conclusões dos diversos procedimentos e encontrem um saber estar na vida sem interferir na vida de terceiros. Este Hilário acabou por perder o amigo. Não teria sido melhor ter calado o que viu e guardado com ele para sempre? Eu teria feito assim.

Abraços.
Povo Lusitano
Enviado por Povo Lusitano em 12/10/2007
Código do texto: T691965

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Povo Lusitano
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