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NEM VOLTE

É, eu tenho muita coisa para te dizer. Mas quando eu olho nos teus olhos, tudo que eu tinha pensado me escapa, meu coração amolece, minhas pernas ficam bambas e, pior de tudo, eu fico com uma vontade louca de te beijar. Então decidi, antes que a loucura tome conta de mim, te escrever este mail. Sei que você vai achar estranho esta espécie de declaração de amor e ódio que se despeja aqui. Mas é exatamente isto o que você causa em mim. Amor. Ódio. Ultimamente mais ódio que amor.
Sei, você deve estar me achando uma louca. Sou louca sim. Louca por você e por seu corpo. Ao mesmo tempo, louca de raiva e frustração pelos seus desmandos, sua insensibilidade e seu desamor. Quer saber? Estou cansada de somente eu, sempre eu, me dedicar a sua vida, recebendo nada em troca.
Você é um egoísta. Egoísta com “E” maiúsculo. É um homem que só pensa em você mesmo, no seu bem estar e na sua vida. Foi uma pena que não percebi isto antes de cair na asneira de me apaixonar. Por algum tempo, eu imaginei que fosse o centro da sua vida. Quando me dei conta que eu não era sua prioridade, otimista como sou, achei que poderia reverter o quadro. Ledo engano.
Tome este mail como uma declaração do ódio que sinto hoje por você. Por mais que meu coração dispare quando te vejo, lembre-se que entre o ódio e o amor há uma linha tênue e as vezes nem eu sei exatamente onde me situo. E agora, neste momento, eu também não sei onde exatamente você está.
Talvez você nem volte. E te digo mais: Não volte mesmo. Quanto mais longe de mim você estiver, melhor para a minha saúde. Por sua causa, perdi a fome e vários quilos. Tudo isto para quê? Para você nem se importar comigo. Para você nem se importar se o vizinho do 402 me passou uma cantada. Para tanto fazer se eu coloquei uma minissaia e chamei atenção de outros caras. Quer saber? Nem volte.
E agora, depois de tudo isto que estou escrevendo, consigo enxergar o quanto fui burra, idiota e mal amada. Você não vale mesmo a pena. Você não vale o amor que eu sinto por você, se é que isto se chama amor. Já nem sei se é ódio. Ódio é que eu sinto de mim por um dia ter colocado a minha felicidade como responsabilidade sua. Agora deu. Acabou. Não quero mais.
Nem volte.
Patrícia da Fonseca
Enviado por Patrícia da Fonseca em 13/10/2007
Código do texto: T692352
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Sobre a autora
Patrícia da Fonseca
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 47 anos
612 textos (42510 leituras)
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Patrícia da Fonseca