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Desventuras

Gente, esta passagem é verídica, quando Eu estava a serviço da Vale do Rio Doce, em Belém do Pará no dia 24.08.2004 – Segunda Feira.

Eu estava hospedado no hotel Regente em Belém do Pará, pela primeira vez naquele Estado, e tinha uma reunião em uma das afiliadas da Vale, a Pará-Pigmentos.
Fazendo valer a máxima de que “A necessidade faz o sapo pular”, saltei da cama as 5:00 h e as 5:30 h estava no ponto de ônibus.  Dei sinal e o circular parou somente no farol a uns 50 m. Antes que eu saísse correndo, o motorista deu ré e eu “penetrei” pela porta da frente. Foi quando o “piloto” segurou o meu braço e informou que a entrada era pelos fundos. Resultado: tive que repetir a operação, (a desinformação é uma merda).
Chegamos na feira VER-O-PESO e fui informado de que a barca sairia as 6:30 h e ainda estava escuro. Fiquei perambulando pela feira que estava para começar. Uma verdadeira Balbúrdia: fedia peixe podre, comida azeda e a desorganização era assustadora. Pedi um café puro de Cinqüenta Centavos e me serviram um 4fs (Frio, Fraco e com Formiga no Fundo), Era amanhecido o desgraçado. Comprei um jornal por R$ 1,00 e fui esperar a “decolagem” da barca que ia além de Barcarena.  No embarque, fiquei estrategicamente nos fundos para tirar retratos (mineiro não tira fotos). Afinal estava para estrear minha nova máquina comprada por R$ 100,00, uma vez que tinha perdido a primeira em outra desventura no dia anterior.
Depois de mais de uma hora de viagem, muita água, mato, silvícolas e vários retratos, estava em São Francisco (depois de Barcarena). Durante a viagem comprei uma “pomada milagrosa” de um índio, que jurou e a benedita-cuja curava até unha encravada. Não a experimentei, também por R$ 2,00 acho que não vale a pena. Uma coisa é certa o sujeito ficou com aquela cara de: “consegui enganar mais um”. Tudo bem..
Ao desembarcar pequei uma “lotação lotada” até a Vila de Cabanos e pedi para descer no local mais povoado possível e me “desovaram” em uma praça.
As 8:15 h liguei para o meu anfitrião na Empresa e após varias tentativas consegui sua garantia de que mandaria alguém me resgatar entre 9:30 e 10:00h.
Mais uma vez fiquei vagando por aproximadamente 01 hora na vila Cabanos a procura de uma padaria para tomar outro 4fs.  Passei por várias, porém sem sucesso. (Descobri que lá não tem padaria e sim Panifício). Como não tinha comido nada até o momento, tive que me contentar com um guaraná e uma coxinha (com varizes).
As 9:20 h apareceu um “coroa” (meia-sola) em um automóvel branco e perguntou se Eu era quem disse que era e Eu respondi que sim. E ela falou: “Então entra aí”.
Rodamos por mais de 40 minutos sob um calor insuportável e chegamos na Empresa e fiquei esperando das 10:00 as 10:45 h na decepção, digo, recepção.
Nossa reunião demorou apenas das 10:45 as 12:00 h. Almocei com um representante do RH e as 13:00 h tive que retornar a vila Cabanos, para aproveitar a mesma condução que tinha me levado, caso contrário somente voltaria num ônibus as 17:30 h.
Novamente foi “desovado”, desta vez na rodoviária da tal vila e peguei um micro-ônibus com destino a Belém. O “piloto” deveria ser parente ou fã de corredor de Fórmula 1.
Como a estrada era cheia de buracos (todos com a boca para cima) e a condução era desprovida de feixe de molas. Meus órgãos internos trocaram de lugar várias vezes durante o retorno. Consegui tirar 2 retratos...
“Apeei” na rodoviária mais ou menos as 15:00 h e tomei um ônibus que tinha o mesmo nome da avenida do meu hotel. Tive que descer pela mesma porta, após ser informado pelo cobrador de que teria que pegar um outro que fazia o sentido contrário (eles estavam voltando..). Atravessei a avenida e constatei que estava na altura do número 2980. O hotel Regente ficava no número 475. Comecei uma caminhada em não peguei nenhum ônibus, pois a essa altura não estava mais em condições de cometer erros.
Apesar do sol de “rachar mamonas”, caminhei até o hotel, chegando com apenas algumas gotas da minha reserva de suor, sofrendo mais que sovaco de aleijado.
As meninas da Areia de Praia, tinham acabado de conquistar uma medalha de prata para o Brasil nas olimpíadas. Convenhamos: se elas mereceram a Prata, no mínimo Eu merecia o Bronze.
Para completar, o atendente do hotel me cobrou o famoso AH (Aviso de Hospedagem) depois de quatro dias de estadia. Telefonei para a secretária no Rio de Janeiro logo em seguida.
Subi e tomei um banho que valeu por dois. Escrevi o original desta saga num “copo sujo” próximo do hotel, acompanhado de uma SKOL gelada. Afinal ninguém foi feito para sofrer tanto. (Nem mesmo um Consultor da Vale do Rio Doce).
Resultado: Um dia de desventura por 45 minutos de reunião. No entanto foi um dia inesquecível, vivido com mais intensidade até hoje.
No dia seguinte viajei para Aracajú – Sergipe, onde meu amigo Flávio me esperava para fazermos um nova aventura em uma mina de potássio, a 450 m no fundo da terra.
Bem, essa já é outra história com um pouco mais de emoção...
Paulo Kostella
Enviado por Paulo Kostella em 15/10/2007
Código do texto: T695402

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Sobre o autor
Paulo Kostella
São José dos Campos - São Paulo - Brasil, 58 anos
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Paulo Kostella