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O Amante da Cunhada

E
m qualquer lugar do mundo existe alguém que não se contenta com a felicidade alheia. E onde não existe esse alguém, com certeza algum dia existirá. Até mesmo na própria família. Na casa de Rosana um quê de infelicidade já pairava pelo ar. Seus pais estavam a caminho do divórcio, enquanto ela estava para se casar. À certa hora da noite, Rosana havia acabado de receber a visita do seu noivo que saíra de sua casa prometendo na rua não se demorar. Havia dito que iria beber com os amigos. Casualmente, na rua, Roberto acabou por encontrar a cunhada, Marta, a prosear numa sorveteria do Largo do Machado, no Rio de Janeiro.
 
Após conversarem por determinado tempo, ficaram os dois perambulando pelas calçadas até chegarem ao Palácio do Catete onde, pelos Jardins, continuavam a conversar. À cerca de duas quadras dali moravam a noiva de Roberto e sua cunhada. Depois de um papo direto sobre sua irmã Rosana, onde havia dito ao noivo da mesma absurdos à respeito dela, Marta resolveu fazer um convite inesperado a Roberto:
 
- Vamos?
 
- Pra onde?
 
- Ali, na Glória...
 
- Mas por quê?
 
- Lá a gente fica sozinhos.
 
- Sozinhos?
 
- É, sozinhos... Posso?
 
- O que?
 
- Te dar um beijo?
 
- O que?
 
- Te dar um beijo!    
 
- Mas assim de repente?
 
- É.
 
- Por quê?
 
- Me deu vontade...
 
Roberto ficou um pouco assustado com a postura da menina. Ele não esperava e nem acreditava que isto aconteceria. Achou que ela estaria testando-o, pois ainda que noivo, de santo, Roberto não tinha nada. Já havia tentado, antes da noiva, namorar  Marta, mas arredia que era, não deu em nada. Então ele continuou questionando-a sobre o convite súbito para ver aonde ia dar:
 
- Assim de repente?
 
- É que no momento me deu uma coisa assim... Sei lá...
 
- Mas você sempre fugiu... Nunca quis!
 
- Mas agora eu quero.
 
- Assim... Do nada, você quer...
 
- Mais ou menos... Digamos que eu fiquei com vontade depois que vi você com a Ana.
 
Ana era uma namorada secreta que Roberto mantinha, sem que Rosana soubesse, é claro! Ele sofria do "mal de Ana". Já havia namorado, Fabiana, Mariana, Luana, Joana... Agora era noivo da Rosana, mas “namorava”, às escondidas, Ana. Impressionado com a resposta convicta de sua cunhada, ele, quase que paralisado, questionou:
 
- Me viu com Ana?
 
- Vi sim, você beijou a boca dela, ou não foi?
 
Roberto fingiu-se de santo, pois não sabia como a cunhada descobrira essa história, que era guardada à mais que sete chaves:
 
- Quando isso?
 
- Ah, meu filho... Todo mundo sabe! Ainda esta semana, você beijou a Ana... Na boca... E de língua que eu sei... 

- Como sabe se isso é verdade?

- Ah é sim! Eu vi! Na escola! 
 
- Jura?
 
- Juro. E sua noiva já sabe...
 
- Como sabe?
 
- Bobo... Ela é minha irmã... Me conta tudo!
 
Roberto achara estranha essa afirmativa, pois, à princípio, com a noiva, estava tudo em paz. Mas continuou instigando a cunhada... Para ver até aonde ia dar:
 
- E então?
 
- E então o que?
 
- Não disse nada?
 
- Nada, o amor é cego, meu filho.
 
- Então só enxerga quem não ama?
 
- Às vezes...
 
Roberto desconfiava que ali tinha algo, mas continuava caminhando e querendo ver o que realmente a cunhada queria com aquela espécie de jogo. Ele matutava querendo encontrar uma resposta, mas a cunhada, nova, deixava transparecer uma ingenuidade e ao mesmo tempo uma indecência absurda no seu modo de agir e de falar. Qualquer outra irmã já teria dado um chilique. Mas ela continuava ali... Achando tudo muito normal... E mais... Insinuava-se para ele vestida de colegial! Ele continuou lhe dando corda:
 
- Então você quer ir para a Glória?
 
- Quero.
 
- E o que você quer na Glória?
 
- Te beijar. Na boca e de língua.
 
Pronto! Estava feita a desgraça! A cunhada era uma ninfetinha mal amada e até malcriada! Sabia disso porque já havia cantado sua letra para ela, antes mesmo de cantá-la para a irmã. E o que fazer? E se depois ela quisesse ferrá-lo como gado? E se fizesse chantagem? Mais ainda... E se a irmã desconfiasse? Mas vendo a ninfetinha vestida de colegial não pensou duas vezes... E em pouco mais de três segundos de pausa, mandou-lhe uma:
 
- Não pode ser aqui?
 
- Tem conhecido...
 
- Te levo para ali ó... (Apontou-lhe a cascata) Ninguém vê...
 
Quase não se agüentando de tanto desejo, ele esperou que ela dissesse logo um sim para que então ele matasse sua sede. Mas... Marta parecia duvidosa e, olhando-lhe nos olhos, perguntou quase num tom de pedido:
 
- Não quer ir à Glória?
 
Ele, quase que desistindo de tudo, ao pensar na noiva, disse não. Ainda havia em Roberto uma vaga esperança repentina de que ela desistisse de tudo e jurasse nunca falar sobre o que acontecera ali para ninguém. Mas Marta resolveu aceitar o convite:
 
- Então tá... Pode ser na cascata, mas ninguém pode ver...
 
Ainda não acreditando, Roberto comentou:
 
- Você é mesmo louca.
 
- Por quê?
 
- Querer beijar assim o seu cunhado...
 
- O que tem demais? Você não me desejou um dia?
 
Roberto fez-se de desentendido... De esquecido. Nesse assunto não se comentava. Rosana havia os proibido.
 
- Desejou sim, já vi... Até cantou pra mim a tua letra! Você até já tirou minha roupa com os olhos... Fiquei nua nua diante de você...
 
- E ficaria de verdade?
 
Marta deliciou-se com a pergunta:
 
- De verdade? Sim. Nua, nua... Agorinha mesmo!
 
- Mas assim no Museu da República?
 
- Por que não? Num lugar escondido... Dentro da cascata ninguém vai notar!
 
Eles continuaram caminhando e entraram na cascata. Lá era possível entrar sem se molhar. Existia uma passagem por trás das águas e era ali um lugar perfeito para se namorar. Sem mais delongas, quando entraram lá, Roberto prosseguiu avidamente e com uma vontade inenarrável de ver até onde a cunhada conseguiria chegar. Antes mesmo do beijo, ele começou a apertá-la contra peito e olhando-lhe reciprocamente dentro dos olhos, começou a atiçar:
 
- Então eu posso?
 
- O que?
 
- Tirar sua roupa?
 
- E me deixar nua?
 
- Sim...
 
- Pode, mas primeiro eu quero um beijo. Igual ao que você dá na minha irmã!
 
- De língua...
 
- De língua...
 
Ainda gentilmente e cheio de rodeios, Roberto perguntou quase que beijando a cunhada na boca:
 
- Posso mesmo? Posso?
 
- Não pede, bebê. Me beija...
 
Beijaram-se então e iniciaram os preâmbulos sexuais ali mesmo atrás da cascata. Mas Marta não era tola. Sabia bem o que queria. Tinha encontrado o cunhado de propósito e tudo que tinha feito fôra antes cuidadosamente premeditado. Meio aos fervilhos do ato sexual, que estava quase por acontecer, ela retirou da bolsa uma arma e atirou no cunhado:
 
- Toma, desgraçado, filho da mãe...  
 
Descarregou o revolver até a última bala. E enquanto Roberto agonizava, Marta se divertiu nervosa:

- Está pra nascer um homem que mereça minha irmã!!!
Ulrich Hinteseher
Enviado por Ulrich Hinteseher em 15/10/2007
Reeditado em 24/08/2008
Código do texto: T695888

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Sobre o autor
Ulrich Hinteseher
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 37 anos
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