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Roda de Samba

Ouvi uma batucada e resolvi sair, fui descendo pela rua do bar do Sapo e me deparei com uma meia dúzias de malucos. Cada um portando um instrumento diferente na mão, Bimbo com o tam-tam, Bolacha rodando no dedo o pandeiro, Fabinho cacarejando o reco-reco, Negão no cavaco, Nego Dam marcando no surdão e Caçula repicando o tamborim. O buteco estava fechado nem por isso eles sairiam dali, parei na frente e dei uma golada no Nó de Cachorro que o Fabinho bebia, me rasgou a garganta e desceu queimando no peito.
Cumprimentei todo mundo da roda em sinal de respeito ao samba que estava sendo tocado, apertei a mão de todos ali presentes e comecei a bater palmas e a puxar um samba de Cartola.   Ensaboa mulata ensaboa ecoou como um chamado, vi saindo da porta dos seus respectivos barracos Sr. Clovis e o Nana acompanhados das suas esposas e uma penca de moleques. Chegaram fazendo festa e acompanhando o coro de ensaboa, já eram oito da noite daquele calorento sábado, víamos no brilho da pele do Nego Dam o quanto o dia fervia e aumentava ainda mais com a cachaça que comia solta.
Emenda este samba aqui do mestre Flor de Jasmim, pode deixar esse é pra mim. Com um sorriso estampado na cara interferi, gritando alto Flor de Jasmim, os parceiros de roda começaram a aplaudir no ritmo do samba que estava por vir. O embalo das palmas ecoava na rua e atraia toda a vizinhaça, a roda de samba se tornara uma grande celebração, improviso no mesmo ritmo acompanhando as batidas do coração.
Por falar em batida logo após a aglomeração chegou o camburão, com cassetetes na mão e muita má intenção, dispersaram a multidão na base do soco chute e pescoção, da forma que pobre ta acostumado a ser tratado e a tv distorce no domingo do Faustão. Um pandeiro abriu um talho na cabeça de um dos Pm’s que fez o maior escândalo do mundo, parecia uma criança grande disse que ia matar e acontecer. Neste momento a baqueta do surdão arrebentou o vidro da viatura que bateu em retirada com o rabo entre as pernas, o Negão olhou para todos orgulhoso e gritou me desculpe doutor no morro quem manda é o samba.

Marco Cardoso
Enviado por Marco Cardoso em 10/11/2005
Código do texto: T69736
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Sobre o autor
Marco Cardoso
Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Brasil
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