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Falsas esperanças.

Outubro, outubro na verdade é o mês mais cruel, porque gera falsas esperanças de eternidade, gera lilases na terra morta, mistura memórias e desejos, tira-nos do abrigo que nos protegia no inverno, assim como os domingos escondem a verdade dos dias de trabalho.Estou desorientado, fora dos meus limites, neste terraço perdido entre o sul e o mar, entre o norte e a terra, labirintos de ferro e concreto, terças feiras que são feriados.Cemitérios de chão duro como a água, como macio é o sal, se por acaso remadores de pedra de uma ilha imaginada em Saramago, exaustos me estendessem sulcos que não devo seguir, os seguiria para lá da eternidade da imaginação do artista.Quero uma morte que deixe viver, um terraço perdido, entre o sul e o mar, entre o norte e a terra, labirintos de ferro e concreto, terças-feiras que são feriados.Destruídas até as ruínas as nossas ruínas, e então pediremos que construam cidades falsificadas onde apalpar “entardecedores” seios que hão de esperar minhas mãos, onde as garotas queiram brincar de pegar crepúsculos nos telhados,  fazer sexo nas vielas, construir amor nos casarões, trespassadas pelo colecionador das cidades mortas, dos quintais da infância, dos galos ensandecidos que cantam ao meio do dia, passadas pelo colecionador de cidades mortas da memória ou da pedra...a pedra fálica e implacável do homem acostumado a não falar, nem mesmo a dizer bom dia na porta dos elevadores que nunca levam a andares que não existem...A essa cidade, eu voltaria como um emigrante que enriqueceu na América, junto com você, a moça mais dourada da minha cidade , náufrago rico no mar da Tranqüilidade, voltaria como um pássaro furtivo a bicar os escombros de nossa cidade imaginária...era tão linda...era tão linda...era tão linda...contam os cronistas, que foi destruída para não ficar pedra sobre pedra, quando os bárbaros resolveram construir paisagens artificiais, esculturas seriadas, prédios uniformizados desta cultura pobre, podre, pasteurizada,  amarga e universal.Protegida para sempre da emboscada da... subversão dos homens, robôs deste sistema falido.Que meu abraço encontre o seu sorriso.
Carlos Said
Divagações Cotidianas
Recanto das letras.
 Escritartes
Luso-poemas

Carlos Said
Enviado por Carlos Said em 18/10/2007
Reeditado em 11/02/2015
Código do texto: T698929
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Carlos Said
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Carlos Said