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O observador

O cinema mais próximo dali, seria apenas uns vinte minutos á pé. Lugar provável de diversão, ao menos uma ou duas vezes por semana. Numa média mensal de oito sessões por mês. Se isso bastasse, como freqüentador assíduo de algumas locadoras, por ali, onde morava. Uma paixão incontida ao conhecimento diário. Uma sede de saber, fixar alguma forma de cultura. Muitos filmes na estante do quarto, com alguns de locação, era assim aquela rotina. Impossível era dormir sem estar interagido com alguma coisa visual ou dormir ao som de alguma música, era incrível. Já tinha de fato seu mundo particular, com uma tv única e um dvd sempre a sua espera. Era um mundo realmente particular, uma vida agitada de afazeres e muitos compromissos com o próximo. Mesmo quando chegava em casa ,era um tempo reservado, Um prazer em estar só. Eram várias possibilidades de personalidade. Ora pública, ora familiar, são vários sensos de humor contidos em uma só pessoa. Na realidade aos olhos de quem analisasse assim de longe, pode achar estranho, mais é o que acontece em geral com todo ser humano. Nós nunca somos os mesmos em toda situação, assumimos uma só postura diante dos acontecimentos. É involuntário, como trocar de roupa pra isso ou aquilo, com um fato em comum, estarmos vestidos e termos caráter, são fatos semelhantes. Cada qual tem o seu universo particular. Só quem se enxerga é que consegue refletir suas pessoas internas. Se olhar de dentro pra fora e assumi-las pra si próprio, é um ato de coragem, realmente. Então, o mundo do cinema lhe devolvia isso. Sempre com um estilo, lhe chamava atenção, almejava levar os romances, dramas, nacionais, e lá muito longe, algo de aventura e em último caso um suspense, mais era raro. O que mais lhe preenchia, eram os que continham muito conteúdo de enredo da trama mesmo e que de brinde trouxesse uma trilha sonora envolvente, mesmo que instrumental com paisagens muito belas e culturas pelo mundo. Ia absorvendo isso, involuntariamente. Era mágico. Pessoas envolvidas em tramas muito complexas. O mundo do cinema, nos leva onde jamais poderíamos ir. A fazer coisas jamais imagináveis e possíveis. O colocava de frente a situações cotidianas e complexas com finais nem sempre prováveis. Isso ia-lhe trazendo uma vivência, um desempenhar melhor no dia a dia. O convívio ao mundo da fantasia cinematográfico, dava-lhe uma paz interior e uma criatividade crescia na sua mente.. A busca jamais iria terminar nesse ritmo. Tudo que é percebido pelo ser humano, automaticamente, transforma-se em outra criação. E a arte inspira mais e mais arte. Nas lindas estórias de amor, completava-se em autocrítica de relacionamentos, de formas de lidar melhor, de como reagir em conflitos de relacionamento. O cinema explora por si só, as várias possibilidades de se relacionar. Os pós e contras, e tudo dá certo ou muito errado no fim. São acertos e desacertos. Coisas da humanidade. Nos filmes de comédia, as várias falhas humanas, em que situações tornam-se engraçadas. Uma inocência, um ato pode tornar uma relação com o outro ser humano mais leve, mais saudável e o próprio relaxamento durante um cineminha. Os pólos da vida retratados em cameras , luzes e ação! A realidade espelhada na telona. Alfredo era nato apreciador. Um apaixonado pelo cinema. De todas as culturas, de todas as formas sejam elas curtas, longas, premiados, consagrados, tradicionais. Agora já tão escasso na memória que já mudava de prateleiras e opções. Agora via de tudo, infantis saindo completamente do seu ritmo. Só pelo prazer de observação. Científicos, terror séries de tudo um pouco. Seu conhecimento era muito vasto. De todos os assuntos e culturas mundiais. Agora já está tarde, e daqui da janela posso ouvir a trama “in english” em um volume generoso da casa ao lado. Admiro ele por isso. É um cara apaixonado pelo seu próprio ”hobbe”. As vezes fico a imaginar... Se um dia me deparar com ele, e pintar um papo...Um vasto diálogo vai sair muito bem elaborado da boca e mente desse cara...Não vejo ali mais que meia idade...Não o vejo com material de estudo a não ser os livros e filmes. Tão complexa deve ser a aquela mente. Que idéias deve tecer naquele cérebro. Calado e simpático. Muito bonito, culto e com tanta dramaturgia romântica... Chega a ser engraçada a minha observação...Ao invés de apreciar o seu lazer e como ele lida com isso, fico horas a escrever sobre a que ponto chegará. E quando for a hora vai rolar um papo...espero estar no meu melhor dia. Daí minuciosamente vou comparar...
Débora Costa
Enviado por Débora Costa em 24/10/2007
Código do texto: T707542

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Sobre a autora
Débora Costa
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil, 41 anos
24 textos (1252 leituras)
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Débora Costa