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Convívio familiar

Paz e tranqüilidade, regavam o redor das pessoas da família. Uma mãe carinhosa, um pai presente, irmãos saudáveis e muita visita ao decorrer do dia. Muito barulho de animais silvestres, com pássaros a cantar, borboletas colorindo a atmosfera, repteis pôr entre as matas, muitas araras coloridas pelo vasto terreno do lugar, empoleiradas pôr entre os galhos de árvores . Dias fresquinhos no campo, uma chuvinha fria banhando o telhado, um edredom aquecendo a pele e os pés. Uma colcha macia jogada aos pés da cama e muitos travesseiros... a janela entre aberta fazia a troca de ares do ambiente fechado e meio escurinho, deixando uma fresta de luz iluminando o quarto. Assoalho de madeira, muito brilhante, mesmo com a iluminação natural, móveis rústicos, um guarda roupa de duas portas com um espelho oval rasgado na porta, mais muito bem conservado. Assim nascia mais um dia de fim de semana. A pouco, um pisar cauteloso eu via pôr debaixo da porta e uma claridade maior começou e acabou de repente. Era alguém se dirigindo ao banheiro do corredor. Eu tinha esse hábito, até que não tivesse totalmente acordada iria verificar o que acontecia ao redor. Algumas pessoas já andavam lá fora a procura de contemplar o dia e o que fazer pelas próximas horas. Eu ali ainda deitada...Só observando pelos meus sentidos. Uma algazarra já se fazia a beira da mesa de café, algumas vozes de pessoas da família e uma da mulher da comunhão, que nos visitava todas as manhãs de sábado, trazendo o pão de cristo para dona Amália, que no momento, se encontrava impossibilitada de realizar seus deveres cristãs perante a igreja católica. E assim recebia sua comunhão domiciliar. Minha mãe, também muito religiosa, sempre recebia a simpática senhora nessas manhãs, mais ao contrário, era afim de um papo matinal. Então essas visitas eram costumeiras aos finais de semana. Dona Amália, era uma senhorinha muito simpática, de baixa estatura, cabelos grisalhos e olhar penetrante. Fora casa , durante quarenta e tantos anos e constituiu uma família maravilhosa. Teve dois filhos lindos e muito batalhadores, Bento e José. Se casaram e foram morar fora, ainda muito jovens. Enquanto seu pai ainda era vivo, eles vinham com mais freqüência visitar a mãe. Agora , viuva , a quase dois anos adoeceu. Vivia doentinha, talvez pela idade avançada. Gozava lá seus oitenta e cinco anos. Vivia sozinha numa chácara ao lado, e por isso sendo freqüentadora da mesma paróquia que minha mãe tornaram–se amigas de mesmo grupos religiosos. Todas as manhãs vinha a nossa casa bater um papo, quase nunca ficava em casa, mais na minha que na dela. E todos a amávamos, pois apesar dos pesares, não tínhamos avó viva mais. Mesmo os meus pais, tinham seus pais vivos. Assim, depois de muito enrolar, me levantei. Abri a janela, contemplei o sol,ainda escondido, respirei fundo e fui tomar um banho. Já eram dez e pouco. Dos minutos eu nem quis saber, por que afinal, era fim de semana. Nesses dias em especial, nem queria papo com qualquer marcador de horas. E se de repente soubesse do momento exato do tempo. Ignorava e esquecia em seguida. Sai na varanda e ainda estavam lá as pessoas só de papo... respondi e deu alguns "bom dia" e pus-me a mesa. Ainda sonolenta, comi em silencio e ouvindo a farra dos demais. Era uma manhã muito bonita. "-Maria, dormiu bem? "–perguntava minha mãe, percebendo o meu silencio. "-Muito bem aliás. Esse bolo de fubá está maravilhoso. Passa o café?" Respondendo e pedindo auxilio ao meu irmão mais próximo. Lá longe, meu pai já ia pegar um rastelo pra limpar, tirar algumas folhas secas de cima da grama que ladeava a casa. Olhando assim de longe, a nossa casa era muito bonita. Um teto de caída constante, janelas grandes banhadas de verniz castanho, uma varanda privilegiada de fora a fora com muita planta, uma mureta pra se sentar nas noites quentes de verão onde sempre alguém tocava um violão, comia pipoca, jogava conversa fora até quase muito tarde ou muito cedo. As vezes ficam por lá, bebendo ou namorando até quase o amanhecer. Tinham muitas espreguiçadeiras encostadas próximo as paredes da casa. Redes trazidas do litoral. Haviam muitos quartos e uma sala ampla de televisão e visita ao mesmo tempo. Era uma casa alta, com quase nada de lazer além da varanda. Próximo a cozinha saia uma varanda de canto onde tinha nossa mesa posta com o café da manhã. Era muito acolhedora e simples, mais isso a deixava mais bonita, a simplicidade. Tínhamos alguns cães, soltos que cuidavam voluntariamente do nosso cantinho no campo. Assim terminava mais uma manhã. Depois de uma semana corrida, entre muitos afazeres, todos se isolavam ali. Logo mais para o almoço, receberíamos algumas visitas, todos  da família mesmo, e faríamos um churrasco. Era dia de sol contido, com algumas nuvens que choravam ora ou outra. Mais tudo corria bem. Com a chegada das tias,primas e tios e primos nos dividíamos: moçada contando coisas , punham músicas pra tocar em volume alto, e as mulheres a planejar o que iam cozinhar . Meu pai e tios pondo bebida no freezer e a coisa ia. Muita algazarra. Estórias pra contar. Piadas. Problemas. Convívio familiar. Depois do almoço , lá pelas quase cinco da tarde. Saímos pra dar um volta, encher o pé de barro e mais farra. Na volta , todos exaustos, e a tarde quase terminada, voltamos pra casa moídos. Uns a cavalo, outro de bicicleta, a maioria a pé, já visando em que cadeira se jogar na varanda. Esse passeio é direcionado a beira do rio. Com opções de pesca, banho de rio, alguns pomares lá perto também oferecendo muitas laranjas adocicadas. Alguns até já levavam canivetes no bolso de precaução, afim de passar no pomar. Essas tardes são maravilhosas. Todos os sábados estamos juntos. Sempre de sábado pra domingo, alguns ficam pra dormir outros vão. A casa sempre cheia, é um barato. Agora que todos se foram, ao menos dormir, outros pegam o violão e vamos pra varanda. De mão em mão passa o instrumento e todos dedilham alguma coisa. A gente canta, lembra de estórias e põe a conversa em dia. Uma prima, pede um livro emprestado, e se joga na rede, mais a leitura não segue adiante, pois logo vem o namorado e ali ficam agarradinhos olhando a lua. As nuvens cessaram e o céu estrelado enche os olhos meus. Poemas fervilham na minha mente, amores recolhidos se expulsam do peito fechado e secreto. Um bater mais forte agora pela emoção do que vem na mente. A magia da literatura. Quase três da manhã e um cansaço toma o meu corpo. Dou um beijo de boa noite aos que restaram na varanda e me recolho ao meu quarto. Um banho morno, escovo os dentes, ligo a tv e fico ali até ser tomada pelo ressonar. Amanhã é mais um dia de fim de semana. Domingo é mais calmo, quase tudo acontece de novo. Mais sem visitas ate o meio da tarde. Logo todos voltam pra suas casas. Leio bastante. Durmo mais ainda. Quase não vejo tv. Ouço música. Mais no seio  familiar é o mais reconfortante. Adoro o campo. Seria bom viver assim por muitos dias seguidos. Mais a vida nos chama. Os educadores, as hierarquias e os feriados nos aguardam algumas vezes no ano.

Débora Costa
Enviado por Débora Costa em 24/10/2007
Código do texto: T707545

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Sobre a autora
Débora Costa
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil, 41 anos
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Débora Costa