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Trem das sete

O clima espantáva-nos ao sentir um cobertor acinzentado encobrir o céu naquela tarde-quase-noite.
Foi quando ouviu-se um som que alarmava gritando num agudo irritante desde o pó onde pisávamos ao acinzentado que lacrimejava.
Ouviu-se berros, gente em desespero atirando-se de um canto ao outro.
E não pude entender nada. Ninguém compreendia absolutamente nada.
Fosse, talvez, fruto dessa criativa caixola -apesar de não parecer. Via-se tudo tão certo -ou errado- como narram as canções apocalípticas. Será a própria? Ômega em sentido literal? Creio que exagero seria desenhar este fim.  Desta forma; assim.

Assistia tudo. E cada detalhe. Tudo em seu todo.

Haviam carros que gritavam por criar asas e pessoas que tentavam na sorte possuir rodas pra que tudo acontecesse mais depressa. Para que chegassem mais depressa.
Se me perguntares para onde, responderia: "Para um nada, talvez!"
Pois nada eram suas respostas. Nada eram seus destinos. NADA.

Já não há para onde escorrer. Nenhuma boca-de-lobo para vazar.
E a buzina alertando-nos em cada pouco mais intensamente. Até chegar num todo, no completo.
Num vazio em sons e exageros. Acúmulo. Agonia.
Passos amarrados; apertados. Aceleradas intensas. Freadas à seco.
Subitamente avista-se um alvo clarão que naquelae instante pôde iluminar por completo o desentendido que acabara, naquela noite, de brotar.

E aproximava-se.

"Mas... Deus meu!" Era o que todos clamavam. Quanto mais suplicavam, maior tornava-se sua fé. Quanto mais fosse, melhor seria!
Quase não acreditei quando entendi, talvez, o motivo de extremo alarme.

E aproximava-se.

O clima espantáva-nos ainda mais ao escurecer o cobertor daquele céu.
Sua luz clareou-nos as idéias!
A luz daquele trem que alertava ao cruzar a cidade sobre o trilho desalinhado.
Simplesmente um trem. Seria, quem sabe, o das onze?

Acho que não! Porque esse era o nosso trem.

Pois bem! Adeus aos que ficam...

Este trem é o das sete.
Heloisa Rech
Enviado por Heloisa Rech em 29/10/2007
Reeditado em 13/11/2007
Código do texto: T715278

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Sobre a autora
Heloisa Rech
Joinville - Santa Catarina - Brasil, 27 anos
27 textos (1038 leituras)
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Heloisa Rech