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A Página que Vira

    Gostei de você. Gostei mais de você do que de mim, com todas as forças do meu ser. Por várias vezes beirei as raias da loucura. Fiquei com você, e não sei se foste realmente minha. Você me teve e fui realmente seu. Te dei minha mente, espírito, corpo, tempo e coração. O coração que você  secou com sua indiferença, insensatez, inconsequencia. Hoje ele bate, após  séculos de sequidão, o sangue voltou a percorrer seus canudos. Não pulsa como antes, não tenho tanta vida, muito dela se esvaiu qunado você se foi.
    Meus sonhos, que não tinham cimo, seguem parametros moldados pela razão. Tenho os pés no chão firme e a cabeça erguida, porém, em altura que meus braços alcancem. Por um momento pensei que poderia ter-te novamente, teu beijo. Ilusão penssar que água de torneira volta, só fiz me cortar nas lâminas do passado. As lâminas que me fizeram a barba de homem e trouxeram a tona o menino de outrora. Você foi o casulo em que comecei a metamorfose, não virei borboleta, fui abortado no processo.
    Não te amo mais, nem sua imagem frequenta meus pensamentos, seu nome pouco me vem a boca, no coração foi posta numa caixa. Semper que me escapa uma lembrança ou quando falam de ti, me vem um lampejo e teu rosto me sorri. Não dói você em mim, te guardo com carinho, imenso, intenso como foi nosso momento, já passou. Uma vez você falou que o passado poderia voltar, prefiro o futuro, enterre o passado, porém,  guarde as fotos.
    O tempo passou, você mudou de namorado, eu busquei novas pessoas. O mesmo tempo que passou, sarou as feridas e não escondeu as cicatrizes. Eu já vivia sem você, porém, tu ainda pensavas em mim. Quantos caras mais velhos, bonitos, inteligentes ou descolados você teve? E ainda assim me procurou quando a oportunidade surgiu. Eu a acolhi com desconfiança, porém, a esperança se fez presente. Você sorriu, conversou e partiu.  Você não me quer pra você. Você só quer você. Sou uma parte da tua vaidade, o enfeite que queres na estante.
    Não te perdi, nunca tive você, porém, me perdeste hoje, sempre fui teu.    
Símio
Enviado por Símio em 07/11/2007
Reeditado em 29/12/2007
Código do texto: T726730
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Sobre o autor
Símio
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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