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Pertenciam?

Era apenas mais um domingo onde faria as mesmas coisas e tudo correria como tantos outros que por mim já haviam passado.
Porém naquele tinha um que de maresia, algo como um tempero diferente e que até hoje não sei o que foi.
Dormi até mais tarde, portanto até agora me vem uma mistura entre sonho e realidade, não me recordo exatamente de ter acordado.
Recordo-me que meu celular por estar sempre ao meu lado foi atendido, do outro lado uma voz decidida ordenava que levantasse, pois já estava em minha porta.
Obedeci de súbito, acredito que por estar sonolento ainda, abri a porta e recebi aquele abraço imensamente forte e calmo.
Alguns sussurros do tipo carinhosos, provocantes, que com certeza devem ter sido retribuídos em igual proporção, pisquei os olhos e notei-me dentro do banheiro, despertava a cada gota que deitava em meus poros plantando aos poucos a pura realidade que já me encontrava, por vários minutos pensei em me trancar dentro dele, me esconder, sei que o tal de inevitável nos bate à porta exatamente assim, mas gosto de enfrentar meus percalços de frente, então sai do banheiro completamente acordado e pronto para todos os acontecimentos.
Casualmente sentamos de frente um para o outro, feito casal que discute relação. Evitamos estar próximo demais um do outro, tentamos não nos ver nos olhos, suplicamos para que o outro falasse ou fizesse algo muito grotesco para que o motivo surgisse.
Tantas outras coisas foram feitas, para que tudo findasse ali. Era o certo a ser feito e nós sabíamos disso.
E conseguiríamos se não fosse aquele maldito violão que foi buscado como saída, mas serviu apenas como condutor para o encontro de dois pares de olhos loucos para se fintarem por mínimos segundos.
Quando vi aqueles olhos castanhos rodeados de cílios arqueados, à cima de uma boca bem tracejada e que tentava se disfarçar de vermelho suave, tudo isso com uma moldura circulada por aqueles cabelos vermelhos encaracolando-se em meus pensamentos.
Não deu... Tentei abrir mão de todos os meus sentidos, mas é impossível. A cada respiração sentia o cheiro do corpo, dos cabelos, da boca, as respirações tocaram-se e se fizeram limite uma da outra, beijos carinhosos úmidos, abraços fortes e serenos.
No instante seguinte já não havia mais nada, quarto não havia, não havia cama, não haviam portas, nem tão pouco limites para segurar os desejos, não nos pertencíamos mais, deixamos de pensar, de frear.
Havia nos sobrado nossas peles, que queimavam intensamente, que colavam, que se completavam. Que se pertenciam.
Tino Neto
Enviado por Tino Neto em 08/11/2007
Código do texto: T728090

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Sobre o autor
Tino Neto
Feira de Santana - Bahia - Brasil, 41 anos
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Tino Neto