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Ausência

Domingo, uma e quarenta da tarde; encaro a ausência. Os tics do relógio tornam-na mais cortante, aço de brilho único.

A ausência é uma lâmina.

Atropelam-me distâncias seculares. Nas minhas mãos, o retrato. Dele, nascem lembranças que julgava cobertas com o triste pó do esquecimento.

Os raios solares que pousam na minha mesa, pássaros sem destino, revelam a intimidade do quarto. Tecidos libertos da pele, fios de cabelo soltos no travesseiro, a cama desarrumada há três dias. O quarto é um santuário.

Observo o contorno daqueles olhos no retrato. Lembro-me do seu brilho; claro e límpido ao sorrir, escuro e firme na austeridade.

Talvez ela já tenha saído de casa.

Descubro-a sozinha na estrada de barro, a poeira acariciando seus cabelos. A esperar o ônibus que trará de volta os olhos, o corpo, a cúmplicidade, o amor. Que dará movimentos ao casal do retrato. Vejo-a no banco desconfortável do ônibus, imaginando se vale a pena o retorno.

Sofrimentos Compridos.

Domingo, uma e cinquenta e sete da tarde. Amar é esperar, ansiosamente, o sorriso tímido do reencontro.
Danilo Reis
Enviado por Danilo Reis em 15/11/2007
Código do texto: T738734

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Sobre o autor
Danilo Reis
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil, 30 anos
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Danilo Reis