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UM AMIGO MEU

 

 

 

Eu tinha sete anos e morava em uma pequena vila, o Sr Jetuliano estava em frente a sua casa e ia jogar algo para o alto, seria de quem pegar, jogou , foi de quem pegou, peguei, não lembro o que era só sei que peguei, haviam ali varias crianças, todos na mesma idade, não me lembro quem eram , lembro apenas de lá estarem o Renato e a Márcia, irmãos gêmeos.

Hoje tenho quarenta e sete anos, ontem voltei a vila dos meus sete anos, estava só de passagem, passei de carro, passei bem devagarinho, fui olhando casa por casa, voltei no tempo, senti me em cima de minha bicicleta e pude ver todos daquele tempo nas portas e janelas de suas casas mas ao chegar em frente a casa do Sr Juliano voltei ao presente e vi alguém parado me olhando, era o Renato e estava parado no mesmo local onde nos meus sete anos pulamos juntos na busca daquele algo que peguei, olhei em seus olhos e ele nos meus soltou um longo sorriso sarcástico olhei para o chão e veio forte em minha mente vários momentos da minha vida, momentos em que o Renato esteve presente e vi na minha frente o homem que mais tive inveja em toda a minha vida.

Então voltei ao passado, lá fiquei e tudo que me lembro sobre o Renato contarei...

- É meu, eu peguei

- Me da isso quero dar para minha irmã

- Eu peguei

O Renato tentou a todo custo tirar de minhas mãos e em momento algum deixei que levasse, fui para casa, só sei que não era algo de tanta importância, foi como se fosse meu troféu.

Não tinha lá tanta amizade com Renato, eu morava na casa 7 e costumava brincar com os meninos que moravam nas casas ao lado como o Marcinho casa 9 e carlos casa 3 e ele morava na casa trinta e quatro e brincava com os meninos do fim da vila, a tarde ele veio até a porta de minha casa e fez algo nunca feito antes, me chamou para brincar.

- Oi Tarcio vamos lá em casa brincar comigo.

Achei estranho pois ele nunca olhara em minha cara, mas como qualquer criança, quem recusaria um convite para brincar e lá fui eu, entrei em seu quintal começamos a brincar e de repente veio um soco em meu rosto, veio um segundo um terceiro, alguns chutes e um empurrão seguidos de seus gritos

-ISSO É PARA VOCE APRENDER, NAO DISPUTE MAIS NADA COMIGO VAI SEMPRE APANHAR.

Ali estava acontecendo o primeiro encontro de muitos que teríamos pela frente.

Chorei muito lembro de estar indo para casa e pensando como fui idiota em ter aceito aquele convite para brincar, não conhecia este lado da vida , lembro apenas de ter chorado muito.

Falar sobre o Renato é falar sobre partes de minha vida pois nunca tivemos aquela grande amizade, fomos colocados lado a lado por ordem do destino, nunca tivemos grande afinidades então ficamos muitas vezes anos e anos sem mesmo se ver.

Após aquele primeiro contato passaram alguns anos e não me recordo de juntos brincar, em minha memória.

O próximo fato aconteceria três anos depois, eu e o Renato já com dez anos sentados na areia no fim da vila brincando de carrinho quando de repente o Paulo meu irmão o Alfredo irmão do Renato e o James todos eles dois anos mais velhos passam assustados correndo por nós sem nada dizer, olhamos um para o outro e fomos para o lado de onde eles vieram para ver o que havia acontecido e como é engraçado essa idade quando os três passaram era visível o medo estampado em seus rostos e nós dois na maior naturalidade fomos para lá sem nenhum medo, chegando no local vimos uns tijolos em forma de escada colocados abaixo da vidraça que estava quebrada na fabrica de lanterna, primeiro o Renato subiu e ficou olhando para dentro e eu o segurando, depois de eu muito insistir pois também queria olhar, ele desceu e eu subi, a visão que tinha era de varias lanternas uma mais bonita que a outra, isso foi no ano de mil novecentos e setenta uma época que não existia muita tecnologia e uma lanterna para mim naqueles meus dez anos era coisa de outro mundo.

De repente não mais senti as mãos do Renato me segurando, olhei para traz e apenas percebi ele virando a esquina e nada entendi, quando de repente me senti puxado por duas grandes mãos me jogando ao chão , com muita agressividade me catou pelo braço e me levou para dentro da fabrica, logo percebi que aquele homem era o segurança daquele local, ele me levou para uma sala onde haviam marcas na paredes e começou a perguntar

- Como foi que você conseguiu subir essas paredes passar por este vitro e abrir a portas para os seus amigos ladroes aqui entrarem, como foi

E chorando muito eu dizia

- não fui eu quem sujou essa parede, nunca estive aqui

- vamos menino diga a verdade, eu não vou perder meu emprego por sua causa, diga

- não fui eu

- se não dizer vou levar você para o juizado de menores

Quando ele disse aquilo passei a chorar mais ainda, pois desde que eu me conhecia como gente a coisa que mais tinha medo na vida era quando estava com os colegas a noite conversando e vinha alguém e dizia que a perua do juizado de menores estava chegando, corríamos que nem louco para casa, pois diziam que se ela nos pegasse nunca mais veríamos nossos pais

outra coisa que estava acontecendo também é que junto havia um enorme cachorro pastor alemão e este não parava de me cheirar , não sei se estava com mais medo da situação em que estava ou medo de levar uma mordida daquele cachorro

Aquele homem continuava a me interrogar e nada conseguia tirar de mim pois da minha parte não tinha nada a dizer a não ser que mentisse para agradar e parar com as perguntas, sei que eu chorava tanto, de tanto insistir me pegou novamente em meus braços e disse que me levaria para a casa do homem do juizado de menores, meu mundinho cada vez mais desabava, começamos a andar pela fabrica de lanterna a té sair por uma outra porta que eu desconhecia, já morava naquele local a cinco anos e nunca soube que os fundos da fabrica de lanterna dava para a rua de traz, rua Bom Jesus bem de frente para o clube sete de setembro, clube no qual costuma brincar nos domingos a tarde, olhei para todos os lados para ver se via algum colega que pudesse me ajudar e nada ,ninguém nenhuma alma viva, descemos a rua pico negro e outras que não conhecia até chegar a casa de um senhor, fui levado para dentro da casa e após algumas conversas eles chegaram a conclusão de que eu não tinha nada a ver com aquelas marcas na parede que um dia se transformaram em assalto, após ordens daquele homem me vi sendo levado para minha casa e entrando em minha vila pelo final dela ,passamos em frente a casa do Renato e lá ele estava encostado em seu pai olhando e rindo de mim como se estivesse dizendo bem feito bem feito bem feito, passei e nada disse pois mesmo que quisesse não conseguiria pois o único som que eu emitia era soluços de tanto chorar, chegamos em casa, o Homem tocou a campainha e minha mãe saiu, tomou um grade ao ver eu naquele estado e aquele homem me segurando daquela forma

- porquê o senhor esta segurando meu filho

- ele tentou entrar na fabrica de lanterna

- é mentira mãe eu só estava olhando

- tire as mãos do meu filho

Logo em seguida apareceu meu pai e perguntou .

- O que esta acontecendo aqui

Depois do homem contar sua versão e eu contar a minha meu pais quase pulou em seu pescoço, o homem foi embora e eu fiquei um bom tempo sem passar em frente a fabrica de lanternas, apenas perplexo.

Lembro que daquela lição duas coisas percebi em minha vida:

A primeira era de nunca ter visto meu pai me defender com tanto fervor, achava que ele não dava tanta atenção para mim e percebi o quanto estava enganado;

A segunda era que por aquele ocorrido percebi que nunca em minha vida teria o Renato como amigo e sim apenas como um colega.

O tempo foi passando, calculo mais uns quatro anos, ginásio Vila Leme eu tinha minha turminha o Renato a dele, alias a minha meia pacata já a dele uma certa malandragem, todas as outras turminhas a temiam essa do Renato, lembro me muito bem que na minha sala de aula tinha um tal de Vladimir, a altura dele batia em meu ombro ,era magro, fraquinho fraquinho, só tinha um porem , ele era da turma do Renato e ai ele se transformava, uma vez dentro da minha razão dei uns tapas neste Vladimir, e não sabes o preço que paguei por isso, durante todo esse ano fui humilhado, O Renato aparecia e mandava o Vladimir me bater e se eu o encostasse a mão nele, apanharia em dobro, durante este ano não precisei apanhar em dobro, apenas apanhei.

Veio o próximo ano, ainda o ginásio de Vila leme e algo mexeu muito com meus sentimentos, sentimento de inveja, sim isso mesmo, o Renato desde pequeno tinha um grande porte físico e isso aumentou mais ainda nessa época, pois entramos na adolescência e ele com um belo físico, mais alto e forte que eu, cabelos lisos e loiro, tudo que as meninas da época queriam eu um menino simples como a maioria ou seja o Renato nessa época que era especial, lembro me nos recreios ele rodeado pelas meninas e lembro também um dia eu sentado no murinho de minha casa e ele entrando na vila com a Arminda, quem diria a Arminda a menina mais linda do bairro e eu só olhava e o máximo que fazia era namorar com a caixa d’água da minha casa, sim isso mesmo a caixa d’água, essa eu não posso deixar de contar, pois tenho certeza que o Renato não teve uma caixa d’água para namorar, Eu deveria ter uns treze anos e num certo dia vi uma pipa caindo no quintal da minha casa , entrei correndo e ao chegar no quintal percebi que a pipa estava presa no telhado da dona Mirtes a vizinha, para poder alcançar tive que pegar o bambu que segurava o varal me apoiei na caixa d’água estiquei as mãos e tentei pegar a pipa, nesta época era comum faltar água todos os dias e bem neste exato momento a água chegou , houve uma terrível vibração na caixa d’água e algo de diferente comecei a sentir, uma sensação nunca antes sentida, esqueci que lá no alto havia uma pipa, joguei o bambu para o lado, apoiei meus cotovelos em cima da caixa d’água e ali fiquei sentindo aquele delicioso prazer ate a chegada das estrelas, o meu quarto ficava em baixo desta caixa d’água, por muitas vezes acordei nas madrugadas com o barulho da água chegando, sai da minha cama e para ela eu fui, uma coisa muito legal é que o prazer era dobrado pois também tinha uma linda paisagem daquele local, eu podia ver toda avenida Paes de barros pois ali era o único local que haviam prédios e lindos prédios, lembro também a ultima vez que fui até a caixa d’água lá estava eu as estrelas a Paes de barros a caixa d’água e a água chegando no maior love quando de repente meu pai abriu a janela do seu quarto que dava para os fundos onde eu estava , eram duas da manhã e só vi o grito que ele deu para mim

- menino o que você esta fazendo ai a esta hora da madrugada

- pai eu só estou olhando para a Paes de barros

- vai dormir menino

Eu fui e nunca mais voltei pois a vergonha foi muito grande, fiquei com medo que ele tivesse percebido algo, e também nessa época já não faltava tanta água como antigamente e olha que eu já tinha uns dezessete anos.

veio a adolescência , minha turminha já não era mais a mesma com dezenove anos meus melhores amigos agora eram o Ivan o Américo e os ônibus, nessa época não tínhamos carro, já o Renato também não tinha mas o pai dele tinha um senhor carro UM chevrolet opala, a coisa mais linda da vila e virava e mexia lá vinha o Renato dirigindo o carro do seu pai, parecia que ele fazia de propósito quando passava por mim, dava aquela olhada e aquele sorriso de sempre como quem dizia

- baba bobão.

O tempo foi passando e durante uma certa época me vi distante do Renato, vivia minha vida como Deus queria até que um certo dia eu estava desempregado e por acaso me encontrei com o Neizinho, este Neizinho durante uma época de minha vida também foi meu melhor amigo , a vida é muito bacana pois ela nos da sempre um melhor amigo, sempre temos um, Conversando com ele e dizendo que estava desempregado ele pediu para eu ir no banco em que ele trabalhava para fazer uma ficha que lá era um bom emprego e o fiz, lembro me como se fosse hoje ,entrei me apresentei para o gerente

- Sr Gustavo sou o Tarcio amigo do Edgar ( nome do Neizinho), tudo bom

- Tudo bom , O Edgar falou de você

- Aqui está o psicotécnico e a prova, boa sorte

- obrigado

Antes do Gustavo sair da sala disse

- nessa segunda gaveta tem os resultados, pode olhar, faz de contas que não fiquei sabendo

Quatro dias depois recebo uma ligação.

- Sr Tarcio

- sim

- Aqui quem esta falando é a Nirva do bamerindus quero te comunicar que o Sr começa a trabalhar conosco nesta segunda feira.... e deve procurar o Sr. Renato na rua Aurora...... as 08:00 hs

- o.k. muito obrigado.

Fiquei super feliz e não vi a hora de chegar a segunda feira

Chegou a segunda e para lá fui, me apresentei na portaria e subi para o sétimo andar, abriu a porta do elevador e fui para o final do corredor onde o porteiro me disse ser a sala do Sr. Renato, bati a porta e ao entrar, quem vejo sentado atras daquela enorme mesa, sim ele mesmo, o mesmo Renato de sempre e agora ele seria meu chefe , eu não sabia muito menos ele

- Tarcio o que você esta fazendo aqui

- começo hoje a trabalhar aqui

- Mas estou esperando um Paulo

- sim sou eu esse Paulo, Paulo de Tarcio

Nem eu imaginei o Renato ser ele por Renato ser um nome comum e nem ele imaginou eu ser o Paulo por também Paulo ser um nome comum e outra, lá na vila eu era conhecido por Tarcio meu segundo nome

Bom começamos a trabalhar juntos no inicio pensei que sorte a minha em já conhecer o meu chefe, mas vocês nem imaginam como o efeito foi contrario pois esse Renato me caçou de todas as formas possíveis, lá me senti em uma partida de futebol, eu centro avante e ele aquele mas feroz de todos os zagueiros esse exemplo que dei foi digno do que realmente eu vivi neste trabalho pois o gerente o Diram era viciado em futebol de salão e eu naquela época eu era muito bom de bola e isso nos aproximou muito, O Diram logo percebeu a grande divergência que havia entre eu e o Renato e logo tirou eu de baixo da subordinação do Renato.

Passei apenas a cruzar com ele pelos corredores do banco, lá não era agencia e sim o setor de arrecadação e lá haviam muitos funcionários uns trezentos, o Renato como chefe tinha lá sua influencia com outros chefes e para onde eu ia já chegava com uma certa perseguição e esta só terminava quando conseguia mostrar quem eu realmente era.

Lá no banco as coisas não eram diferente comparando com a vila, O Renato continuava o mesmo galã, lá todas as meninas só falavam nele e o pior para a minha inveja é que agora ele ainda tinha um cargo de chefia o que facilitava mais ainda as coisas para ele,

Praticamente tínhamos a mesma idade lembro me de um dia pensar muito o porque de o Renato cruzar tanto a minha vida e cheguei até a imaginar um dia lá no céu antes de nascermos alguém com um revolver apontado para cima disparando o dando a largada eu e ele correndo que nem dois loucos e essa pessoa dizendo vão para a vida, e de cara vendo ele já alguns passos a minha frente e este pensamento me acompanhando por muitos anos, como esta difícil alcança-lo.

No banco acho que trabalhamos uns quatro anos juntos e lá eu sempre fugindo dele até o dia que recebi a noticia de que ele havia sido mandado embora, nunca fiquei sabendo realmente o motivo, houve varias versões e a que ficou para mim foi a que ele estava bebendo muito.

Mais alguns anos se passaram, também sai do banco e fui morar no interior, fazer faculdade de educação física, nos finais de semana meus amigos iam me visitar e era comum sempre aparecer amigos de meus amigos que as vezes eram amigos do Renato e sempre traziam noticias dele, mesmo sem ter ele por perto ele não saia de minha vida, mas as coisas estavam mudando, as noticias não eram lá muito boas, diziam que ele estava bebendo muito e desempregado, isso já faziam uns três anos que saíra do banco.

Voltei para São Paulo e fui morar em outros bairros ai fiquei muitos anos sem noticia dele até que um dia fui para o casamento de alguém da vila não me lembro bem quem estava casando e ao estar sentado em uma mesa vi ele, sim isso mesmo o Renato entrando no salão de festas de mãos dadas com um japonesa, acho que ali eu e ele tinhamos uns trinta e quatro anos e ela uns quarenta e cinco, o salão estava meio escuro mas dava para perceber que ela era bem mais velha que ele, achei estranho pois ele sempre foi tão seletivo em assuntos de mulheres e nunca sairia com uma que não fosse mais nova, quando menos esperei ele veio em minha direção sem ela e me cumprimentou, achei estranho pois ele nunca fizer isso, em outras épocas para ele isso seria uma humilhação, mas ele veio, olhei em seus olhos e percebi como ele estava diferente, não mais aquele galã, agora gordo de rosto inchado olhos totalmente vermelhos, fiquei assustado e acho que também um pouco triste com aquela cena, batemos um papo nunca antes batido, foi divertido pois ali vi um outro lado seu, um lado possível de amizade

Depois daquele houve uma certa aproximação entre nós , nessa época morava com meu sobrinho e tínhamos o habito de convidar colegas para churasquinhos que fazíamos em casa e ele não faltava um se quer, eram a cada três meses e ai já era visível como ele estava dependente da bebida, praticamente não vivia mais e nas nossas sadias era visível que nenhuma mulher mais olhava para ele e comecei a perceber que isso não mais lhe fazia falta , pois o que ele queria mesmo era beber ,rir, beber e depois cair.

Novamente o tempo passou, me mudei daquela casa e voltamos a ficar vários anos sem nos encontrar novamente até este momento a que estou agora olhando para o chão sem conseguir olhar em seus olhos, pois por mais derrotas que tive nas batalhas que participamos esta sendo muito dolorido para mim ter a vitoria nessa batalha, pois nesse momento O Renato esta totalmente acabado como um miserável, com poucos dentes em sua boca, imundo como se não tomasse banho a dias, enfim entregue ao mendiguismo, nas poucas palavras que trocamos ele também voltou ao passado e fez questão de lembrar das cenas do dia da lanterna, mas só que a versão dele fora outra

-Tarcio lembra o dia que fomos lá na fabrica para roubar lanternas

Não Renato, não fomos lá para roubar e sim só para olharClaro que fomos , o segurança até te prendeuSim prendeu mas foi por engano, ele percebeu o erro que fez

Ali naquela conversa percebi que ele levou por toda a vida aquele peso na consciência , um terrível peso , podendo este ser o culpado por algumas atitudes tomada e até seu efeito final o de estar ali daquele jeito.

Peguei fortemente em sua mão e ali tentei demonstrar todo meu carinho como conforto ele deu um novo sorriso, não mais aquele sarcástico e sim um de agradecimento como que se aquele aperto de mãos fosse a única coisa possível de entender.

Levantei do seu lado e me despedi entrei em meu carro e fui para a rua de traz onde era possível ver a mesma caixa d’água que me deu o primeiro prazer de homem, lá pensei no tempo que voltei na inveja que nunca deveria ter tido e na bronca que do meu pai levei, naquela caixa d’água nunca mais voltei, mas que eu peguei meu pai observando a Paes de barros algumas vezes, eu peguei.

 

 

Paulo de Tarso Itacarambi
Enviado por Paulo de Tarso Itacarambi em 25/11/2007
Reeditado em 07/10/2010
Código do texto: T751749

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Sobre o autor
Paulo de Tarso Itacarambi
Poá - São Paulo - Brasil, 57 anos
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