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O Julgamento do Amor

O amor roubou um coração, dizia o jornal A Tribuna da Justiça.
 -O coração mais rico de um robusto peito fora roubado por um tal amor que sorrateiramente penetrou o peito através de um olhar.
O Coração bem que resistiu, tentou fugir, mas o amor o envolveu nos seus braços, arrebatando-o consigo. Carregado pelo amor o coração fora levado ao paraíso, sua prisão eterna, onde ainda lutou para escapar.
O tempo passou e o coração roubado não mais quis fugir. Encantado ali permaneceu. Conheceu a vida, provando da felicidade.
Certo dia, porém, o amor se foi deixando-o solitário. O coração apaixonado, agora partido, sofreu tanto que sangrou. Enquanto o amor outro coração roubava.
Triste, o pobre coração partido procurou o destino, denunciando o terrível crime. O destino imediatamente ordenou que o amor fosse encarcerado e que fosse julgado pelo crime cometido.
Durante o julgamento ninguém o quis defender. A razão, advogada da vítima o acusava com frieza, enquanto outros corações também vitimados faziam terríveis acusações. Eh, o amor estava em apuros!
Quase no final do julgamento, pouco antes do destino proferir o veredicto, adentra no tribunal um estranho e falante coração com uma grande cicatriz, pedindo para defender o réu.
A razão interferiu alegando não haver defesa para os crimes cometidos pelo amor. O coração falante replicou alegando ao destino que todos têm o direito a defesa, ainda que sejam culpados.
-Destino, conceda o direito de defesa a este réu que sequer foi escutado!
O destino reflete por um instante, concedendo ao amor o direito de defender-se.
Sem mais demora o coração falante inicia sua defesa, chamando a única testemunha de defesa do acusado.
Neste momento, adentra no tribunal um homem cujas mãos sangravam e sobre sua cabeça uma estranha coroa de espinhos. Calmamente aproxima-se da razão que o interroga:
- Quem sois vós?
Jesus de Nazaré, fala o homem. O tribunal é tomado pelo silêncio.
Ao escutar aquelas palavras o amor volta-se para Jesus dizendo:
-Senhor, o que fazes aqui?
Jesus voltando-se para os acusadores, lhes fala;
-Sabeis quem acusas neste tribunal? Condenas hoje o sentimento supremo criado pelo Deus Pai, criador de tudo o que há no céu e na terra. Condenas o amor, sentimento pelo qual sofri o maior de todos os martírios. Sim! Porque foi por amor a humanidade que meu pai me enviou, para que através do meu martírio e da minha morte todos os homens fossem salvos.
Alguém replica no tribunal:
-Mas Senhor, o amor nos roubou, enganou a todos!
-Engana-te filho! O amor nada roubou de vós. Quantos anseiam veementemente por amor e vós que fostes agraciados o julgam, condenando-o! O culpam porque sentiram o amor, porque foram felizes?
Sofri dentre todas, a maior dor, e por amor. E ainda assim não o vejo culpado. O amor não nasceu para ser prisioneiro, mas para tocar no coração de cada um, ensinando-o a amar!
Sou a maior prova do que é verdadeiramente amor! Nasci por amor, vivi por amor, morri por amor aos meus semelhantes e ressuscitei por amor do meu pai. Ensinei a todos vós a amar, levei a todos o amor incondicional e verdadeiro. E hoje, aqui estou pelo amor!
Jesus voltando-se para o destino, apela:
-Deixa-o livre!
O destino naquele momento levanta-se, clamando:
-Amor, este tribunal determina tua absorção! Vai, segue teu caminho ensinando ao mundo a amar, propagando a paz, semeando a felicidade e a fé por onde passares!
Subitamente as correntes que prendiam o amor quebraram-se. O sentimento agora radiante ajoelhou-se, beijando as mãos de Jesus. O amor seguiu pelo mundo com sua missão de tornar os homens felizes e mais próximos de Deus. Porque através do amor é que conhecemos a Deus e nos tornamos mais próximos dele.

Anne Monteiro/Belém/12 de Junho de 2004.
Anne Monteiro
Enviado por Anne Monteiro em 28/11/2007
Reeditado em 02/09/2008
Código do texto: T756496

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Sobre a autora
Anne Monteiro
Igarapé-Miri - Pará - Brasil, 42 anos
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Anne Monteiro