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     É assim como quase toda historia começa: Era, uma vez dois irmãos que não se falavam. Seus pais; Joaquim e dona Maria, já não sabiam mais o que fazer para que aqueles dois voltassem a se falar.

     Não se sabe ao certo o porque, deles não se falarem. Alguns diziam que foi por que um paquerou a namorada do outro... Mas, não se sabe qual é a verdade ou qual é o real motivo, causa, razão, ou circunstância dos dois não se falarem.

     Eles moravam com seus pais em um vilarejo de nome, Boa Vista. Esse vilarejo ficava em um belo vale, cercado de mata e montanhas de um lado e do outro... Nesse vale, as pessoas que ali moravam, viviam das coisas da terra, tais como, milho, arroz, feijão etc.

     Do fim de setembro em diante, eles começavam a preparar a terra para o plantio. Este trabalho durava até fins de junho, daí eram quatro meses sem trabalho... Nesse interem, os que eram devotos de algum santo iam para alguma romaria e, os que ficavam tinham de inventar alguma coisa para fazer e, assim passar o tempo.

     Naquele ano, dona Maira viajara para visitar sua filha Tereza em Governador Valadares e, só voltaria na primeira semana de outubro. Os que ficarão fora, Sr. Joaquim e os filhos, João e Tadeu, que não se falavam, (como diziam os vizinhos) “nem com reza brava”, e a caçula da família, a doce Lilia.

                                                ***

     Manhã do dia 2 de junho, Sr. Joaquim levanta bem cedo e sai para dar uma volta pela vizinhança. Ao passar pela fazendinha do seu compadre, Jose dos balaios...(era como o tal era conhecido, por ser fabricante de balaios, o melhor balaieiro da região)... Este estava tomando café na janela do casarão. Ao avistar o Sr. Joaquim, gritou:

     -Ola compadre Joaquim, se achegue homem, vem tomar uma caneca de café...

     -Bom dia compadre José, - disse Sr. Joaquim, subindo os degraus que levava ate a varanda do casarão – como vai a comadre Gertrudes?

     -Vai bem, e família, os meninos, a comadre Maria.

     -Os meninos vão bem e... A Maria foi para a casa da Tereza, só volta lá pro fim de setembro...

     -Então que dizer que o compadre esta só com os meninos?

     -Não, Lilia ficou, só foi mesmo a Maria.

     Sr. José mandou que Sr. Joaquim se sentasse, que logo lhe serviriam uma caneca de café, enquanto isso falaram sobre a boa colheita que tiveram naquele ano. Enquanto conversavam, veia uma das negras da cosa e servil uma caneca de café fortíssimo ao Sr. Joaquim. Ele solveu um gole do moca... José o observava com certo interesse, por fim perguntou;

     -E então compadre, o que achou do café?

     -Deferente... É um pouco forte, mais é saboroso.

     -Que bom que o compadre gostou! Mas sabia que esse não é um café comum?

     -Não!

     -Não, é uma mistura que Gertrudes inventou. É um preparado de 50% de café, 25% de milho torrado e 25% de fedegoso.

     -Compadre, se você não falasse, eu não iria saber nunca, para mim não passava de um café forte. Muito bom. Mais por que a comadre inventou essa mistura?

     O fazendeiro Jose passou a explicar... Conversa vai conversa vem e a hora foi passando, quando deram por fé já era hora do almoço. Sr. Joaquim se levantou pra ir embora.

     -Não compadre, você não vai embora agora não, vai ficar para almoçar, eu faço questão.

     -Não compadre José, eu tenho que ir embora, os meninos já devem esta a minha procura. Eu saí antes deles levantarem.

     -Se é assim, eu não vou segurá-lo. Mais tem uma coisa que eu queria falar com o compadre... É que...

     -Fala compadre, o que é?

     -Bem compadre, eu não sei se seus meninos vão querer, mais eu estou querendo aumentar minha plantação este ano e, para isso vou ter que desmatar uma boa ária, coisa de uns dois alqueires ai... Eu... Eu pensei nos seus meninos para o serviço. Quando o compadre chegou, eu estava pensando em ir a sua casa.

     -Por mim, tudo bem Compadre José... Eu vou falar com os meninos. Quando você pretende começar?

     -Eu estava pensando em começar amanha.

     -Então fica assim, se eles não quiserem, eles vem aqui hoje ainda falar com o compadre, se não vierem é por que eles viram a manha para começar o trabalho.

     -Esta bem, eu vou fica esperando, vai com deus compadre.

                                               ***
     Dia 3 de junho. Os dois irmãos, João e Tadeu chegaram bem sedo na fazenda do Sr. José dos balaios, para o serviço. O fazendeiro os aguardava na varanda. 

     -Bom dia rapazes. Pensei que vocês não viriam.

     -O que foi que papai combinou com o senhor, – disse João - não foi que se nós não fossemos aceitar o serviço que viríamos falar com o senhor ontem mesmo e, que do contrario viríamos hoje já para o serviço?

     -Ta certo, sendo assim subam venham tomar café, porque saco vazio não para em pé. Após terem tomado o café, os rapazes seguiram o Sr. José para o local de trabalho. A ária que ele pretendia desmatar era grande, só dois rapazes não dariam conta de derrubar todas as arvores a tempo para o plantio.

     O calor estava de estourar mamona. Os rapazes não paravam de derrubar as arvores, a cada instante caia uma. Por volta das dez horas o machado de Tadeu parou de fazer barulho, João não deu atenção por alguns minutos, mas ao se sentir incomodado com o silencia do machado do irmão, ele decidiu olhar na direção para ver o que estava acontecendo. 

     Ao que ele virou para a direção, ele viu que Tadeu estava deitado. Na duvida do que estava acontecendo ele caminhou na direção do local, ao se aproximar ele pode ver nitidamente que seu irmão estava de olhos fechados. 

     Chegando mais perto, ele pode constatar que Tadeu estava ferido no pé e sangrando muito. Não pensou duas vezes tirou a camisa e amarrou o pe de seu irmão, o colocou nas costa e saiu às pressas. Ao entrar no terreiro da fazenda, começou logo a gritar.

     -Sr. José, socorro! Socorro! Meu irmão se feriu com o machado e esta desmaiado, socorro!

     Ao ouvir a aquela gritaria, O fazendeiro saiu para ver o que era ou quem era. Quando viu João sem camisa com o irmão nas costa, logo pensou que o dois avia brigado e um havia golpeado o outro com o machado.

     -O que aconteceu com ele, filho?

     -Eu não sei, mais parece que ele acertou o pé.

     Sr. José nem quis ver o ferimento, já foi tirando o jipe de debaixo do assoalho e mandou que João colocasse o irmão na traseira do automóvel e sairão às pressas para cidade de Peçanha, só recomendou que João mantivesse o pé ferido mais alto do que a cabeça, para que o rapaz não continuasse perdendo sangue, pediu que alguém fosse avisar o pai dos rapazes do acontecido.

     A noticia do ocorrido se espalhou pelo vale como fogo num pavio de pólvora, todos já estavam tirando suas conclusões do que tinha acontecido. 

     Ao chegar no hospital Sr. Joaquim e Lilia foram para a recepção do pronto socorro para obter informações do estado de saúde do filho. João estava na sala de espera com o rosto entre as mãos, triste, desconsolado. Vendo-o Sr. Joaquim e Lilia foram até ele.

     -Filho o que... O que foi que aconteceu, você brigou com seu irmão?

     -Não papai, ele deu uma machadada no pé...

     -E como ele esta?

     -Eu não sei, os médicos estão a um tempão com ele na sala de cirurgia e até agora, não deram noticias.

     Sr. Joaquim por um momento ficou a reparar João, com sangue no rosto, no cabelo. Na calça e nas mãos. Enquanto olhava para o filho, uma voz grave chamava por João da Silveira Neto. João se levantou e disse.

     -Sou eu doutor.

     -você é parente do ferido?

     -Sou irmão doutor, e esses são meu pai e minha irmã.

     -Para bens Sr. João, o senhor salvou a vida de seu irmão, ele perdeu muito sangue, mais vai ficar bem. Mais o fator mais importante em tudo isso, foi o senhor ter amarrado o pé dele, por que o corte foi muito profundo, não separou o pé dele por um triz... Ele, provavelmente não vai ficar com todos os movimentos, mais também não o vai ficar sem o pé, graças a sua iniciativa de amarrá-lo com a camisa, essa ação permitiu que o sangue irrigasse a parte, quase decepada, facilitando a reconstituição do mesmo. 

     -Podemos vê-lo doutor – perguntou Lilia – ele esta consciente doutor?

      -Não, no momento ele esta na uti, em recuperação, só poderá receber visita a manha.

     Sr. Joaquim agradeceu o medico e, pos o braço no ombro do filho. Nesse momento lagrimas escorriam de seus olhos.

     -Obrigado filho por ter salvado o seu irmão, apesar de vocês não se falarem, você não levou isso em conta.

     -Eu só fiz o que deveria ser feito, e afinal de contas ele é meu irmão, não falo com ele, é verdade mais, isso não quer dizer que eu o odeio... O mesmo sangue que corre nas veias dele corre também nas minhas.

     Pai e filho se abraçaram e foram para casa...





















 
Felipe F Falcão
Enviado por Felipe F Falcão em 30/11/2007
Reeditado em 15/06/2012
Código do texto: T758751
Classificação de conteúdo: seguro

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