Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

O OBITO

                              NOITES SEM ESTRELAS
Quantos corações solitários vagavam pelas noites de BH, imploravam por um socorro  que partiu e talvez nunca mais  chegaria. Chorávamos pelos telefones gritávamos na cara da noite, gemendo nas frestas das portas e não dando mais alguns faziam do espaço aberto dos arranha céu a entrada para um paraíso mais que incerto.
Fazia uma força para me sentir feliz, mas era triste como o eco perdido numa pedreira deserta. Meu avô fora triste minha avó se foi, ser triste era uma sina que pesava sobre meu viver. A companheira de todos os dias estava refletida no espelho.
Meus pensamentos eram serragem com partículas eletrificadas. Rumores do coração foram digeridos na rua. As trevas penetravam no em meu mundo, poderia mover-me?  Não, muito isolado ate mais do que pensavam  aqueles meninos. haviam galhos secos aberto em minha frente.Também um homem no mundo sem corpo sem sexo sem sorriso sem unha sem lapide,
a  alma era pesada  sobre minha cabeça, queriam me possuir, mas diluiram-se em cada poste, esse era meu poço, espaço, ali só cabia meu corpo. Minhas reticências foram saqueadas, eu mesmo me saqueei estava sem os olhos,
um cadáver estuprado, corpo escravagista do vicio todo nu, ficava no canto beijando um Rodim imaginário. Calado, munido do nada engaiolado entre os vidros olhava a rua vazia, no céu carros de aço passavam voando,e na terra caiam seus pedaços. A velha mendiga passava comendo caviar entre as unhas, olhava o mundo marrom e sorria para o nada procurando as estrelas ausentes
que caíram todas por traz da mata de concreto.As ruas, com suas copas,galhos que se abraçavam formando sinistra sombra encobrindo a luz do dia.
Casarões que guardavam surpresas e tragédias, revelando a face oculta de vida e morte. Quem apreciava a beleza daquela voz rouca não conhecia o conteúdo do meu inigmático porão. Meu banco de pedra era divã de um desesperado, de meus cabelos minavam lagrimas de dores que criavam limo nas entranhas de meu coração. Eu pensava; Será que alguém estava dormindo um sono sorriso?
Ou comendo sobre o sereno e mascando cânhamo no banheiro como eu? Será que alguém esta sentado no divã do fórum,
na cadeira de balanço de neves ou da jovem esperando o dia chegar?
Será que alguém estava vivo nas ruas da savassi
ou esperando na fila dos hospitais gritando o óbito do filho que morreu de overnai? Alguém faça alguma coisa por favor!

DO LIVRO DE CONTOS, ALEM DO ESPELHO, DE RIKARDO PORTERO
Ricardo Portero
Enviado por Ricardo Portero em 05/12/2007
Reeditado em 06/12/2007
Código do texto: T765941

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (citeo nome do autor). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Ricardo Portero
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
4669 textos (93474 leituras)
2 e-livros (123 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 23/08/17 03:07)
Ricardo Portero