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            Há fatos que parecem ser dirigidos para que nossas angústias fiquem menores e nossas dores possam ser minimizadas ou, mesmo, diluídas em lágrimas.
            Hoje, saí para resolver alguns assuntos pendentes, não estava muito bem e há alguns dias já estava refletindo nas dificuldades que enfrentei no ano que passou. Por problemas de saúde, ocasionados por uma cirurgia mal sucedida, feita no início do ano passado, vi a minha vida parar.
            Fiz uma terceira cirurgia logo no início do ano e de lá pra cá, continuei lutando para retornar as minhas atividades. Só que ao contrário do que desejava nada voltou ao "normal". Depois de 24 anos de trabalho me vi de licença, sem a autonomia que sempre tive, longe dos meus alunos, dos amigos que sempre fiz questão de abraçá-los um a um ao chegar ao trabalho. Tive que conviver com a solidão e, a cada dia que ia ao médico, minhas expectativas de fazer uma quarta cirurgia aumentavam.
Tive períodos de dores intensas, onde me deparei com temores e muitas vezes o desânimo tomou conta de mim. Confesso, em alguns dias, estava me sentindo tão mal, que preferia não sair de casa, chorava quase todos os dias e, fui me fechando, acho que mais do que isso, fui me apagando...
            Mas, como sou pessoa forte e aprendi o valor da fé, busquei na religião o amparo necessário e ergui o sorriso que não tinha, abri os olhos e comecei a enxergar além de mim. Vi pessoas sofrendo, dores maiores que as minhas...
            Pensando em tudo isso, e tentando, como sempre enxergar o lado positivo de tudo, estava distraída, tive vontade de subir de táxi, não estava passando bem e tinha um compromisso marcado para as 16h00min, ainda dava tempo e, portanto, resolvi esperar o ônibus que, certamente, não tardaria. Estava ali, no meio de tanta gente e não vendo ninguém, de repente, alguém estendeu a mão e me ofereceu um pedaço de papel. Logo pensei: "deve ser uma dessas pessoas que pedem no Natal." Entregam um papel para explicar a situação em que se encontram e pedem qualquer ajuda. Peguei o papel e, curiosamente, li o que agora transcrevo:
 
            “O segredo do sucesso na vida de uma pessoa reside na sua persistência, na sua perseverança, na sua vontade incontrolável de conquistar objetivos... Por isso, nunca desista de seus sonhos... nunca desista de viver... nunca desista de amar... O melhor momento para se ver as estrelas é durante a escuridão... quando tudo parecer escuro e sombrio na vida, olhe para a beleza das estrelas, e se guie pelo seu brilho, rumo a um novo amanhecer. Nunca desista de recomeçar... Nunca, nunca desista...”.
 
Manoel Monteiro
 
            Sei que era um senhor idoso, seus cabelos eram muito brancos e seu rosto marcado pelo tempo, sumiu em meio à multidão... Meus olhos transbordaram lágrimas que a muito continha, e eu o procurei. Queria olhar os seus olhos, dar-lhe um forte abraço e agradecê-lo, mas, não o encontrei mais!
            Senti que naquele momento a vida havia me oferecido um presente. De todos os pensamentos que me faziam sofrer, das dores que sentia, da desilusão, restou somente o que eu havia lido naquele papel que em suas letras, traduzia vida. Voltei a procurá-lo, mas, infelizmente, não mais o vi. Certamente, deveria estar semeando em outros corações! Pessoas como o Sr. Manoel, vêm ao mundo para semear...
            Já não sentia mais a angústia de antes, muito do que pensava, já não era tão importante... E fui para casa, agradecendo a Deus à oportunidade de poder fazer uma nova cirurgia, agradeci a possibilidade de vislumbrar, diariamente, as estrelas, de encontrar pessoas como Sr. Manoel, que nos fazem perceber o quão valiosos são os caminhos da vida. Seja pelo dor ou pelo amor, sempre estaremos amparados. É essa a certeza da fé.
            E me lembrei de um trecho do livro “Do calvário ao infinito”, psicografado pelo espírito de Victor Hugo:
 
            “Obrigado Senhor, por só haverdes concedido a dor como minha companheira, para que minha alma ficasse redimida e luminosa. Felizes os que me flagelaram, abençoados os que me feriram”.
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Enviado por Wanderlúcia Welerson Sott Meyer em 05/12/2007
Reeditado em 31/03/2011
Código do texto: T766113
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer
Juiz de Fora - Minas Gerais - Brasil, 50 anos
769 textos (22937 leituras)
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6 e-livros (608 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 23/08/17 11:29)
Wanderlúcia Welerson Sott Meyer