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SUICIDIO, FRUTO DA SOLIDÃO (LCRamos)

 SUICIDIO, FRUTO DA SOLIDÃO(Luiz Carlos Ramos)
Eu estava tentando escrever um artigo para uma revista quando o meu telefone tocou…
 ---Alô, pois não? ---é o Jaime?
---Não senhora, não é o Jaime, eu me chamo Carlos,deve ser engano.
 ---Voce não é aquele moço que lava o carro aos sabados? Um Santana vermelho, muito bonito?
---Bem, eu tenho um Santana vermelho e as vezes eu o lavo aos sábados…
---Eu já vi você várias vezes, sou sua vizinha moro no outro quarteirão, vejo você sempre com uma moça, que presumo seja sua esposa, os dois sempre rindo no portão, abraçadinhos…
---Sim, é minha esposa, as vezes ficamos olhando o movimento do bairro, eu poderia saber o motivo da pergunta?
---Bem! Eu acho você um homem muito simpático, e achei que você é bastante carinhoso, senti muita inveja da sua esposa…
---Olha! Eu sou um homem casado e não fica bem ser cantado na atual conjuntura…
---Não!não fique aborrecido, não estou cantando você, eu estou elogiando o seu jeito de ser…um homem tem que ser assim, bastante carinhoso com a sua esposa…filhos…
---OK, muito obrigado, mas, ainda não entendi a razão do seu telefonema.
Uma pausa, silencio, depois, um suspiro.
---Sabe? É que eu vou suicidar-me, e quis que você fosse a ultima pessôa a me ouvir…
---Ora, que é isso? Suicidar-se? Que coisa negativa, a vida é tão bôa, gostósa de ser vivida….não faça isso, seja você quem fôr, é até pecado.
---Pecado? Pecado é viver na solidão que eu vivo, uma mulher saúdavel, bonita, e não encontro um alguém, um amor, ou mesmo uma companhia para passar os meus dias…
---A vida é uma dádiva de Deus, ela é muito bõa.
---Não para mim, Carlos, eu sou uma mulher bonita, e sempre fui mal amada, mal interpretada, não tenho filhos e homens na minha vida…apenas passaram por ela…não deixaram rastros e nem lembranças…
Soluços………..
 ---Quando você ligou para mim, sabia que não era engano, né?
---Sim, eu usei de subterfugio, apenas não sabia o seu nome, eu o vejo sempre, você é um homem muito atraente…suspirou…sempre quis ter um homem assim!
Ouvi um gemido.
---Hei…Alô, alô, o que está havendo? Está passando mal? Alô…
---Sim! Quer dizer, não! É o veneno que eu tomei que está fazendo efeito, dói o meu estomago horrivelmente…mas,obrigado por ter falado comigo…faz de con…ta que…você…é o meu….a..mante querido…
---Alô, me dá o seu endereço, vou chamar uma ambulancia…alô…alô…
O telefone ficou mudo…. Sai para fóra de casa, para a rua, olhei para os lados, caramba! Aonde será que essa mulher morava?Eu não tenho bina, caso tivesse poderia localizar a chamada, que pena, nossa….não seria um trote?  Acho que não…ela foi tão espontanea…meu Deus….
Horas mais tarde, a minha mulher chegou da casa da minha mãe, que morava em um bairro próximo e eu fui abrir o portão para ela.
---Amor, eu demorei?
---Não! Até que não...sorri e lhe dei um beijo.
----Pela distancia e como sei que minha mãe não deixa você sair da casa dela sem tomar um café e comer um pedaço de bolo, até que voce foi rapida…
 ---Há…hoje o transito até que  está bom…eu apenas dei uma paradinha ali na outra esquina, no outro quarteirão, naquele prédio grande, com sacadas…a policia estava chegando, ouvi dizer que uma mulher que móra lá, suicidou-se, coitada….
Sim! Coitada mesmo, morreu como viveu…sózinha!!!
                                                       FIM
Luiz Carlos Ramos
Enviado por Luiz Carlos Ramos em 06/12/2007
Reeditado em 18/07/2010
Código do texto: T766862

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Sobre o autor
Luiz Carlos Ramos
Praia Grande - São Paulo - Brasil, 70 anos
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Luiz Carlos Ramos