Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

PAPAGAIO DE SEDA

                                      SOLTANDO PAPAGAIO
Faço seis anos hoje, alem de meu irmão chegaram mais duas meninas, Rosa e Samanta. Começo a compreender melhor as coisas, meu pai trabalha muito, todos os sábados ele chega com um saco de compras e isso nos alegra muito.
Mas aquela tristeza não se afasta de nos, as vezes vejo minha mãe chorando e os tambores continuam a tocar.
Ontem fiz algumas amizades com meninos saltam papagaios. É o brinquedo que mais gosto,mas se meu pai chega e me pega na rua com alata de linha na mão, espanca-me com uma vara da jabuticabeira, nessas horas fico com muito ódio de todos ate mesmo da vida.tenho a mania de brigar muito com meus irmãos, há algo de muito estranho dentro de mim.
Estamos na época de congado todos os anos eles saem cantado folias de reis tem ate o bumba meu boi, é uma multidão acompanhando a festa as vezes o povo sai correndo pois o “boi” avança sobre as pessoas, durante o dia eu e meus amigos gostamos de brincar de pega meu boi, os rapazes que entram dentro da fantasia são nossos ídolos tem o capitão que canta na frente dos gongadeiros;
"ole, ole, ole ole ola,
oce meche comigo eu to calado,
eu também faço parte do reinado,
oi tá caindo fúlo,
 oi tá caindo fúlo,
 ole ole, ole ole ola".
Tem a grande rainha dona Rosálina, filha de escravos
todos tem muito medo e respeito por ela, quando ela passa todos nos temos que beijar a sua mão pois dizem que ela tem poderes e seu olhar é de tocar medo em qualquer um. Existe uma bar alias o único bar por aqui é ali que meu pai faz compras fiado, temos uma caderneta aonde compramos pão,leite e outras coisas o salário do meu pai fica todo por lá, também os meus tios gostam muito deste local eles bebem cachaça e fumam cigarros super cheirosos quando eu crescer quero ser como meus tios e seus amigos as vezes eu vejo quando eles chegam de madrugada das festas outro dia um deles chegou com um violão nas costas cantando uma musica toda enrolada meu avô olha para eles com uma cara bem ruim, mas o que tem ninguém nunca me falou que existe mal nisso quando eu crescer vou chegar de madrugada também cantado uma musica enrolada. Hoje eu vi a policia pegando um rapaz eles correram e o jogaram no chão  bateram muito nele seu nome é Nem.
Na minha rua tem um córrego quando chove todo mundo escorrega hoje de manhã um caminhão passou em cima de um cachorrinho. São coisas que ficam e chego ate sonhar.
Comecei a estudar, tudo é novo conheci uns menino que moram atraz do grupo, uma grande favela antigamente eu tinha medo deles, mas agora vejo que são bons meninos, mas tem alguns
Que ficam com um saco vazio de leite cheirando parece ser coma super cheirosa.
Meu tio foi preso ontem parece que ele e alguns amigos bateram em uma moça e tem um policial que mora aqui perto que é muito mal todos tem medo dele.
ole ole, ole ole ola,
ole ole ole ole ola,
oi tá caindo fúlo
oi ta caindo fúlo.


Ricardo Portero
Enviado por Ricardo Portero em 06/12/2007
Código do texto: T767443

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (citeo nome do autor). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Ricardo Portero
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
4669 textos (93484 leituras)
2 e-livros (123 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 23/08/17 22:34)
Ricardo Portero