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Eterno Amor

“Amar-te é como sentir o paraíso”. Estava ali naquele quarto jovial. Janela aberta, brisa noturna, lua cheia e pensamentos felizes ao ler tal frase na capa de um álbum de fotos listrado. Letícia estava deitada na cama já de olhos fechados enquanto Lucas, ao seu lado, sentado numa cadeira azul-bebê acolchoada, contemplava o amor de sua vida. O corpo, o rosto, o cabelo, a boca...Cada traço de Letícia atraía Lucas. Da simples bochecha branquinha até os fartos seios de sua amada. Lembrou-se que tinha um ar adolescente e apaixonado toda vez que via Letícia nos corredores da faculdade. Fazia de tudo para aproximar-se dela, para conquistá-la. Sondava sua paquera, procurava razões e pretextos para esbarrar nela e trocar olhares. Apenas olhares. Sentir seu coração palpitar, sua boca secar, suas mãos suarem, seu corpo tremer. Até que um dia conseguiu. Conseguiu conhecer a pessoa que mudaria sua vida e mexeria com seus sentimentos mais íntimos de uma maneira que nunca tivera experimentado.

Um amigo em comum apresentara um ao outro numa festa. Sentaram na varanda perto de uma piscina e conversaram por horas. Descobriram que quase nada tinham em comum, mas por nada no mundo sairiam daquele lugar, daquela conversa, da vida um do outro. Sentiam-se como se já se conhecessem a anos, ou melhor de vidas passadas. Ele não poderia perder a oportunidade de lançar seu charme adolescente naquele momento tão especial. Lucas, galanteador e destemido, sem perder a doçura de um jovem, sugeriu que Letícia era em potencial sua alma gêmea. “Não acredito que eu estou aqui com você agora, olhando o céu estrelado e ouvindo sua doce voz. Já sonhei com isso antes” E Letícia encantada, mas não a ponto de se entregar, retruca “Nossa! Que coincidência!” E Lucas “Coincidência não. Destino” Letícia se fazendo de difícil, indaga “Será?” E Lucas responde “Certeza. O destino nos quis aqui. Quis que nos encontrássemos. Aceite menina. O destino nos escolheu”. Um minuto de silêncio diante dos dois e antes de levantar-se, Letícia finaliza “Não é porque o destino nos uniu que garante que ele tenha acertado”.
Lucas não sabia distinguir seus sentimentos perante aquela situação. Era um misto de perplexidade e encantamento. Estava certo de que Letícia seria a mulher da sua vida. Letícia tinha um olhar doce e desafiador ao mesmo tempo e Lucas não conseguia resistir. Por mais que tentasse, Letícia era o tema de todos os seus pensamentos. Sentia que tinha algo de misterioso, de oculto, de único naquela jovem menina. Estava disposto a descobrir, a participar, a apoiá-la e a amá-la.

Daí por diante foram só investidas. Lucas cercava Letícia em todos os cantos da faculdade. Até passou a ler um pouco mais sobre História da Arte para impressioná-la. E ela fingia que não percebia o esforço que ele fazia para conquistá-la, mas no fundo, adorava toda aquela situação, porém sabia que não era o mais certo a fazer. Seu coração estava fechado pra balanço. Ninguém soubera de nenhuma decepção amorosa ou algo que a fizesse ter o coração fechado tão jovem. Mas Letícia não era uma moça amargurada e recalcada. Muito pelo contrário, ela era feliz e se sentia feliz e por mais que parecesse frágil, não tinha medo de se apaixonar.
...
Lucas sempre foi um apaixonado. Pela vida, pelos amigos, pela família, pela simplicidade, por gestos e até pela matemática. Matemática do amor. Era um rapaz nobre, gentil e carinhoso. Demonstrava todos os seus sentimentos com intensidade e vida. Não era desses que tinham medo de tudo, do que os outros pensariam, das conseqüências de seus atos. Sempre brincalhão e de bem com a vida, ele conseguia tudo o que queria com honestidade e gentileza. Um sonho de menino. Conversava com os idosos e com as crianças; e de vez em quando era surpreendido conversando com animais e até plantas. Apaixonava-se fácil demais, mas não pela pessoa mais fácil. Gostava de dedicar-se exclusivamente a uma única pessoa, a uma única paixão. Foi aí que encontrara Letícia.

Letícia se parecia muito com Lucas. Era intensa e concentrada em tudo o que fazia. Apesar de alguns problemas de saúde até mesmo hereditários, era completamente apaixonada pela vida. Tinha um ar misterioso e jovial. Parecia uma princesinha num corpo de mulher. Sempre reparara em Lucas na faculdade, mas era tímida demais pra demonstrar o que sentia. Certa vez, pedira até para um amigo em comum convidar os dois para uma festa e apresentar um ao outro. Quando o conheceu ficou radiante e confirmou todas as coisas boas e apaixonantes que sempre pensara sobre ele. Lucas era mais encantador do que ela esperava. Resolveu se fazer de difícil, mas daí para um romance era só questão de tempo.

Lucas mandava flores, bombons e declarações de amor mesmo sem estar namorando Letícia, que decidiu, depois de um mês, não fazer mais jogo duro e assumir sua paixão pelo lindo rapaz. Então foi assim, declamando um poema de Vinícius de Moraes em pleno auditório da faculdade que Letícia se declarou para Lucas. Os olhos dele brilhavam de felicidade. Era o amor transbordando. A partir daquele momento, sentia que sua vida finalmente tinha encontrado um amor verdadeiro. E ela, mesmo vermelha de vergonha, percebeu o quanto Lucas completava sua vida e a deixava mais colorida do que seus trabalhos de Arte. Era um amor regado à felicidade e paixão. Harmonia e emoção. Um amor cheio de cor e transformação.

Lucas passava a maior parte de seu tempo com Letícia. Chegou até a pedi-la em casamento. Mas não passava de uma brincadeira, mais uma de suas brincadeiras que deixavam Letícia ainda mais apaixonada. Lucas freqüentava sua casa e passavam horas em seu quarto jovial. Todo rosa e cheio de gravuras e pinturas, Letícia se sentia aceita toda vez que recebia um elogio de Lucas, mesmo sabendo que Lucas a amava mais do que devia e mesmo sabendo que ele não entendia quase nada sobre artes e decoração.

Todas as noites, Lucas invadia o quarto dela pela janela escondido dos pais e ficava horas olhando para sua bela adormecida. Ouvia sua respiração, suspirava em seu ouvido, deslizava levemente sua mãe no rosto alvo e macio de Letícia, cobria seus pés em noites frias até também adormecer na cadeira acolchoada que Letícia deixava ao seu lado sabendo que ele viria na noite seguinte. Era um ritual lindo e amoroso. O Romeu observando sua Julieta adormecer.

E o amor dos dois só ia crescendo mais e mais. E numa dessas noites, Lucas não estava mais tão feliz quanto antes, mas resolveu ir até o quarto de sua “Julieta”. Entrou pela janela e analisava cada canto do quarto jovial. Sentou-se na cadeira azul-bebê acolchoada e tinha pensamentos felizes. Rosto pálido, mas pensamentos felizes. Parou de lembrar-se de toda sua trajetória com Letícia. Olhou para o quarto rosa, para um desenho de um coração com duas letras “L” no centro. “Lucas e Letícia”, pensou. Contemplava Letícia deitada, pois tudo nela o atraía. Lágrimas caíam de seu rosto, mas não pronunciava uma única palavra. Mais uma vez era o amor transbordando, mas dessa vez, transbordava porque não tinha lugar pra ficar. O coração não suportava tanto amor. Ele achou melhor devolver todo o amor que grandemente guardava. Sentia-se desmoronado, destruído. Olhou em baixo da cama, pois sabia que tinha uma caixa com um lindo álbum de fotos listrado com retratos dos dois. Riu. Letícia adorava tirar fotos. Sorriu. Ouvia o silêncio do quarto. O silêncio entre os dois. Tão pertos, mas tão calados. E, com os olhos marejados e cheios de lágrimas, beijou o rosto gelado de sua amada. Entendeu que amou o suficiente, e amou demais. Apesar de não se conformar com a crise de asma que levou sua namorada a morte dentro de sua própria casa, dentro de seu quarto, no próprio ninho de amor, sabia que precisava seguir em frente.

A agência funerária chegou para tirar o corpo do quarto e ele seguiu seu rumo. Jamais amará outra pessoa da mesma forma que depositou todo seu amor em Letícia. Jamais esquecerá Letícia...”Amar-te é como sentir o paraíso”. Ele talvez não soubesse realmente o que aquilo significava, mas tinha certeza de que a partir daquele momento Letícia saberia.
...
Final alternativo

E o amor dos dois só ia crescendo mais e mais. E numa dessas noites, Lucas não estava mais tão feliz quanto antes, mas resolveu ir até o quarto de sua “Julieta”. Entrou pela janela e analisava cada canto do quarto jovial. Sentou-se na cadeira azul-bebê acolchoada e tinha pensamentos felizes. Parou de lembrar-se de toda sua trajetória com Letícia. Olhou para o quarto rosa, para um desenho de um coração com duas letras “L” no centro. “Lucas e Letícia”, pensou. Contemplava Letícia deitada, pois tudo nela o atraía. Lágrimas caíam de seu rosto, mas não pronunciava uma única palavra. Mais uma vez era o amor transbordando, mas dessa vez, transbordava porque não tinha lugar pra ficar. O coração não suportava tanto amor. Ele achou melhor devolver todo o amor que grandemente guardava. Sentia-se desmoronado, destruído. Olhou em baixo da cama, pois sabia que tinha uma caixa com um álbum de fotos listrado com retratos dos dois. Riu. Letícia adorava tirar fotos. Sorriu. Ouvia o silêncio do quarto. O silêncio entre os dois. Tão pertos, mas tão calados. Letícia então, acordou. Não conseguia dormir. Olhou em baixo da cama, pois sabia que tinha um álbum de fotos. Viu as fotos. Riu. Lucas adorava tirar fotos. Chorou. Caiu em prantos de repente, pois se lembrou do trágico acidente que marcara sua vida e ferira seu coração para sempre. Não entendia como em apenas um segundo sua vida pudesse mudar totalmente. Como um acidente tão trágico pudesse acontecer assim. Mas o que mais doía era saber que Lucas teve uma batida de carro quando estava indo à sua casa, ao seu quarto. Ao ninho de amor. Leu a frase que ela própria escrevera na capa de seu álbum: “Amar-te é como sentir o paraíso”.Sentia-se num inferno, mas sabia que Lucas estava no paraíso e que enfim sabia como é o real sabor do amor. Amor que ele sentia por ela.

Tomou dois comprimidos e deitou-se. Sabia que não deveria deixar ninguém se apaixonar por ela. Lucas presenciara tudo e confortava Letícia com sua presença sobrenatural. Beijou o seu rosto, e assim, sua alma foi liberta. Letícia sonhara com Lucas todas as noites desde então. Sentia-o presente mesmo não sabendo explicar...
Chandler Jr
Enviado por Chandler Jr em 07/12/2007
Reeditado em 13/12/2007
Código do texto: T769121
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Sobre o autor
Chandler Jr
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil
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