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A Volta

  Já se passaram muitos anos e parece que foi ontem que deixei minha cidade em busca de novas oportunidades.
Gramado sempre esteve em meu coração. Mesmo distante, sempre a amei. Nela passei os melhores anos da minha vida, junto, é claro, de minha família e amogos. Naquele tempo, nesta cidade cheia de encantos, só existia asfalto na rua principal,onde justamente ficavam as casas comerciais, a igreja, o cimnema, a praça e os hoteis. No verão ára atender a demanda de turistas, algumas famílias ofereciam o aconchego de seus lares aos visitantes. Todos os prédios, com exceção da igreja, eram construídos em madeira, com grandes varandas, onde, após o almoço e ao entardecer, as pessoas fxicavam sentadas conversando e tomando chimarão.
Todas as sextas-feiras, o trem, cujo apito se ouvia ao longe, trazia gente nova para a cidade. Pessoas falantes, bem vestidas, velhos e jovens vindos de toda parte. Famílias inteiras desembarcavam do trem e desciam em grupo pela rua principal com suas malas coloridas. Com atenção eu as observava. Andavam pelas ruas admirando a paisagem e pareciam querer sorver de uma só vez todo o ar, cheirando araucária.
Depois de alojarem-se nos hoteis, saíam pelas ruas à procura de objetos artesanais, tal como fazem hoje em dia. Mas o cenário era diferente, cheio de simplicidade e autencidade. Minha famlilia possuía uma loja de artefatos de vime confeccionados por meu mai e uma turma de rapazes da comunidade, que vinham à fábrica trabalhar depois de terem feito seus deveres escolares. Oa turistas adoravam os objetos, que eram os mais variados: cestas de piquenique, carrinhos, cadeiras, bolsas, frasqueiras,todos feitos de vime. Mas o que mais vendia, como se diz agora, o produto campeão de vendas, era a bengala. Não havia um só turista que não as tivesse. Dirante suas caminhadas subiam e desciam os morros , apoiando-se nelas. Eu ficava muito orgulhosa, pois eram feitas pelo meu pai.
N]ao era só vender as bengalas que me interessava, e sim observar as roupas diferentes e o modo de falas daquelas pessoas. Gostava de conversar tanto com os adultos, quanto com as crianças, saber o que acontecia nas outras cidades e, principalmente, conhecer os brinquedos diferentes que as crianças traziam. Coisas que eu nunca havia visto. Minha casa ficava em frente a um dos hoteis da cidade e, nas noites enluaradas de verão, costumava unir-me às crianças da redondeza e aos hóspedes para brincas. Entre as várias brincadeiras, tinha uma que era a mais preferida de todos: o jogo de Arco de Vime, que era constituído  de uma grande roda de vime e várias varetas. Com as varetas cruzadas dentro do arco, cada jogados, por sua vez, arremessava o arco  para a criança mais próxima, que deveria pegá-la sem deixar cair. O jogo terminava quando os dois últimos  jogadores da roda não conseguiam pegar o arco com as varetas. Era um jogo muito interessante e fácil também. A Dona Ella, dona do hotel em frente da minha casa, realizava ao final da tamporada um almoço de confraternização, onde eram convicados todos os seus amigos e hóspedes. No enorme salão de refeições, a anfritiã preparava uma bela mesa, com toalha toda branca bordada em crivo e como decoração vasos com flores de seu próprio jardim. Nessa mresa eram depopsitados os mais variados quitutes, todos preparados por ela com muito carinho..
Eu a considerava uma mulher especial. Ela era diferente. Muito adiantada para o seu tempo. Cuidada muito da sua aparência, fazia regime e ginástica. Sempre preocupada em se manter em forma.
além disso, seu quarto de dormis era fantástico! Enquanto  era realizado o grande almoço e os convidados se entretinham, eu fugia e sorrateiramente entrava em seu quarto. Aquele quarto me fascinava; era como se eu estivesse entrando na história de MIL e UMa Noites. Possuía imensas cortinas de veludo vermelho até o chão. A colcha de brocado, então, era linda, com muitas almofadas espalhadas sobre a cama. Ao lado da cama, uma cadeira esculkturada, forrada também de vermelho. Na mesinha de cabeceira, um abajur com franjinhas de miçangas coloridas. Objetos brilhantes por todos os lados; Pulseiras, anéia, colares, brincos de todos os tipos e tamanhos descansavam sobre a penteadeira também esculturada e com espelho de cristal.
 os perfumes, AH! meu Deus! Nunca havia visto tantos e, assim reunidos num só lugar, só poderia ser presente dos hóspedes. Sentava-me na beirinha da cama e enfileirava-os um ppor um, do frascos menor ao maior, Depois de amdirar suas formas,colocava uma gotinha de cada um em meu percoço, fazendo um coquetel de fragrâncias. Às vezes chegava a ficar enjoada com tanta mistura de cheiros. Mas aquele era o meu momento de glória. Deitava-me de costas na cama macia e imaginava ser uma princesa em meu  castelo de cristal, com torres do mesmo formato dos vidros de perfume
epois guardava tudo nos seus devidos lugares, para que a dona Ella não se zangase comigo.Ela sabia que eu remexia em suas coisas, mas não se importava; acho até que gostava. Quando em minhas recordações lembro daquele quarto, aindo sinto o cheiro gostoso dos perfumes da Dona Ella.
Todas essas recordações da minha infância me fazem sentis uma imensa alegria. E me sinto felis por estar de VOLTA.
menina mulher
Enviado por menina mulher em 07/12/2005
Código do texto: T82259
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Sobre a autora
menina mulher
Gramado - Rio Grande do Sul - Brasil, 76 anos
24 textos (1294 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 07/12/16 22:18)
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