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AS MACUMBEIRAS OU CRISTÃS BRIGUENTAS?

                                              Marcos Barbosa

   O índio de Camapuã ia passando pela quadra verde de futebol de salão na QNM 1/3 em Ceilândia e parou para ler uma placa colocada pelo governo, onde dizia: OBRA DO GOVERNO/ REFORMA DA PRAÇA/ R$75.000,00.
De repente, debaixo daquele sol causticante de Setembro de 2001, o barulho de duas mulheres brigando despertou o camapuanense de seus cálculos sobre aquela obra governamental. Pensou:
   —"Não vale a pena me preocupar com isso. Cabe ao Ministério Público e aos deputados a análise do custo de obras públicas... eu vou é apartar a briga daquelas duas mulheres ali, senão elas vão acabar se matando".
Mas a briga das duas crentes evangélicas pentecostais, recém convertidas pela TEOLOGIA DA PROSPERIDADE estava divertida. O índio lembrou das coisas que aconteciam com muita freqüência em sua infância e ficou comparando.
   — "Em Camapuã também era assim, a gente brigava e a turma formava uma roda para assistir a briga. Mas havia torcida, dividida entre os amigos dos dois brigões e aqui não há torcida. Estou sozinho assistindo esta briga de mulher".
   Uma das "irmãs" recebeu um xingamento da outra e reagiu:
   —Ta amarrada! – a outra respondeu puxando mais forte os belos cabelos da irmãzinha:
   — "Ta marrada" você sua sem vergonha! Pensa que não vi o jeito que você olhava para o meu marido? Dentro da Igreja?!!!
   —  Sangue de Jesus tem poder! – respondeu a safadinha, de peito empinado provocante e rosto angelical na forma e diabólico na expressão.
   O assistente solitário das evangélicas briguentas resolveu por um fim na confusão, mas antes pensou: "Se elas estão usando essas palavras mágicas dos crentes e não está dando resultado, então eu vou usar a Catissa. A gente usava para atrapalhar os colegas no jogo de bolitas, mas quem sabe não dá resultado para apartar essas duas fanáticas aí".
   Decisão tomada, o índio pulou no meio e enquanto as empurrava para lados opostos, com a sensação erótica dos peitos duros de uma na mão direita e os moles da outra na mão esquerda, gritou:
   — Catissa do rabo preto!
   Deu resultado. As crentes se acalmaram, mas agora queriam saber o que significa Catissa e já começaram outra discussão com o índio, porque esta palavra não está na Bíblia.
Dom Marcos Barbosa II
Enviado por Dom Marcos Barbosa II em 11/12/2005
Reeditado em 08/01/2016
Código do texto: T84339
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Dom Marcos Barbosa II
Águas Lindas de Goiás - Goiás - Brasil, 60 anos
200 textos (34004 leituras)
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