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[FANTASIA] Kzar, O Guerreiro de Temoz.

Sangue... este era o único gosto que Kzar sentia em sua boca.

O sangue escorria-lhe pelos lábios e descia de um ferimento na testa, formando uma poça vermelha no chão. A espada de seu meio irmão Carnissa havia lhe rasgado o ventre e aberto um corte sem cura. Suas vísceras ameaçavam escorregar para fora.

Ajoelhado sobre seu próprio sangue, frente a frente com seu irmão, a vida do Kzar passou em seus olhos. O momento da morte parece que será eterno. Cada segundo dura uma pequena eternidade.
 
- “Aqui estou eu, prostrado diante do inimigo. Eu jamais imaginei que iria morrer desta forma.” Pensou o Kzar, fechando os olhos e sentindo o sabor da morte. Entrou em êxtase, e lembrou-se de cada momento de sua vida:

......

Omeghus era o sábio rei de Quanato, governava seu reino com pulso firme, e expandia seu poder onde seus exércitos conseguiam chegar.

Kzar lembrou-se da primeira vez que viu Omeghus, um grande guerreiro montado em um corcel prateado, trajando uma armadura negra, enquanto o brilho do sol parecia criar uma aura em torno daquela imagem imponente.

O Kzar, aos 13 anos de idade, estava em um campo florido, lamentando a morte de sua mãe, quando ouviu a voz poderosa do Rei:

- “Kzar. Pare seu lamento e me siga.”

Impossível era recusar a ordem do Rei e nem que o Kzar desejasse, era impossível não atender a imponência da voz de Omeghus.

- “Meu jovem.” Disse o rei. “Sua mãe foi minha concubina, você é meu filho. É meu dever cuidar de você.”

Assim procede um imperador justo. E Kzar foi levado ao castelo de Quanatos, onde conheceu seu meio irmão, o Jovem chamado Carnissa, herdeiro do Reino, que tinha 18 anos naquela época.

Os irmãos se deram bem desde os primeiros momentos. Cresceram treinando juntos e aprendendo as mesmas artes da guerra. Porém, enquanto Carnissa era devoto da espada, Kzar estudava o manejo de pesadas Axes. Nível a nível, os irmãos cresceram em tamanho, sabedoria, força e poder.

.........

A mente moribunda do Kzar, entregue aos lampejos vermelhos da morte, vislumbrou mais uma cena de sua vida: o momento em que Omeghus chamou os dois filhos para o pacto com os Godness:

- “Carnissa, Kzar.” Disse o Imperador. “Nosso reino precisa expandir, e só existe uma forma de fazermos isto. Temos que realizar um pacto com os Godness para que liberem a magia no mundo. Apenas com este poder poderemos destruir os Bárbaros de Temóz.”
- “Sua vontade é nossa vontade meu pai.” Disse Carnissa.
- “Fale por si mesmo, meu irmão.” Respondeu o Kzar. “Nem meu desejo nem minha alma eu entrego pra qualquer deus. Não me curvarei perante ninguém.”
- “Se você se negar a prostrar-se perante um deus hoje, talvez seja obrigado a ficar de joelhos diante de um homem amanhã.” Disse o sábio imperador. “Mas não imporei minha vontade sobre a sua, meu filho, você tem a liberdade de escolher.”
- “Então, meu Rei.” Disse Kzar. “Me peça qualquer coisa e eu o farei, apenas não me ordene ficar de joelhos perante essas criaturas abomináveis, ou eu me revoltarei.”
- “Assim seja.” Concordou Omeghus. “Apresento a vocês os dois maiores soldados dos Godness: Fenix e Asakura, serão eles os responsáveis pela conjuração do pacto e pelo ensinamento da magia ao nosso exército.”

Os presentes olharam assombrados para os dois poderosos soldados: Fênix era um Paladino, vestido em uma armadura reluzente e empunhando uma pesada mace. Asakura, por seu turno, carregava um machado imenso e trajava uma roupa de guerra capaz de resistir o ataque do mais poderoso guerreiro dos exércitos de Quanatos.

- “Quanto mais perto dos Godness, mais poder vocês vão ter.” disse Fênix.
- “E quanto mais poder vocês tiverem, mais perto dos Godness você conseguirá chegar.” Completou Asakura. “Este é o ciclo do poder.”

Dizendo isto, eles dirigiram-se ao altar dos Godness, e invocaram sua presença. O altar flamejou em chamas azuis e vermelhas sem nada queimar e uma mulher trajando sua longa capa púrpura saiu das chamas e disse com foz trepidante como o fogo:

- “Curvem-se diante de Amidalah, a enviada dos Godness.”

Os presentes voltaram-se ao chão, em sinal de reverência, com exceção do Kzar, que apoiava-se em seu machado.

- “Sou Amidalah, a escolhida dos Godness para liberar a magia neste mundo. Para isto, os deuses pedem a devoção do Imperador de Quanatos e como sinal do pacto, eles pedem seu sangue.”

Ouvindo isto, Omeghus dirigiu-se ao altar, e sentou-se em um trono próximo as chamas. Fenix e Asakura retiraram-lhe a capa negra e Amidalah passou as longas e afiadas unhas em suas costas nuas, formando-lhe quatro grandes rasgos de onde minaram sangue em poucos segundos, banhando o trono e o altar com o sangue real.

Omeghus ficou pálido e desfaleceu. Quando a vida ia lhe fugir, Amidalah soprou-lhe o fôlego nas narinas e disse:

- “Enquanto você servir os Godness haverá vida em seu corpo. Seu sangue agora pertence aos deuses e seu novo fôlego foi dado por eles. Sirva-os, pois agora você tem um pacto com os Godness e sua vida depende disso.”

Omeghus levantou-se e seu corpo parecia que ia explodir com tanto poder. Porém, as quatro cicatrizes permaneceram em alto relevo em suas costas.

....

O Kzar, naquele eterno segundo de sua morte, olhava para uma gota de sangue que parecia ter parado no ar e, naquela gota, passavam todas as cenas de sua vida, como se fosse um flash back em uma tela vermelha:

Ele lembrou-se do exército sendo treinado e dos grandes guerreiros que se sobressaíram na aprendizagem da arte da magia, sendo eles: Manza, Mechanix Perseus, e SadSoul, os Paladinos; Arwin e Puff, as arqueiras; Rodoo e Warlock, os mage; e ArchoN e RedHand os guerreiros.

Estes foram nomeados Líderes dos exércitos de Quanatos e cada um deles comandava uma grande tropa.

FeNix e Asakura ensinaram as artes da magia para Carnissa e Kzar. Não era necessária fé para o uso da magia, porém, quanto mais perto dos Godness... E assim Carnissa tornou-se um Paladino dos deuses, ficando cada vez mais poderoso.

Finalmente, Omeghus convocou o alto escalão de seu exército para a guerra contra Temoz.

O Exército de Quanatos fechou as fronteiras e avançaram. A ordem de Omeghus era exterminar os Bárbaros.

Antes de entrarem na zona de guerra propriamente dita, o exército passou por uma aldeia bárbara, sem guerreiros, apenas mulheres e crianças. Kzar, ao ver aquilo, disse:

- “Devemos exterminar todos, esta é a vontade do Imperador.”
- “Kzar,” disse Carnissa, “entenda uma coisa: nós somos os heróis dessa história.”

O exército marchou pela única rua da pequena aldeia, enquanto os olhos curiosos dos moradores espiavam pelas frestas das casas, ouvindo o tilintar das armaduras, armas e escudos.

Finalmente chegaram em Temóz, em uma grande planície deserta, onde o exército Bárbaro já se preparava para a batalha. Sequer realizaram as tentativas de acordo que precedem as guerras e avançaram. Os exércitos chocaram-se em batalha.

Manza, Mechanix, Warlock e Arwin atacaram com seus exércitos, fulminando uma das tropas bárbaras.

Perseu, Rodo, Archon e RedHand lutaram lado a lado e foram pelas mãos deles que a cabeça do líder bárbaro rolou.

Mas a pior batalha foi travada pelos quatro maiores: Carnissa, Asakura, Fenix e Kzar.

Eles perseguiram um grupo até um grande canion onde se esconderam oito bárbaros, porém, foram surpreendidos por tais bárbaros em uma emboscada.

Havia cerca de dezoito bárbaros e atacaram os quatro de Quanatos. Carnissa conjurou a defesa para os parceiros enquanto eles avançaram no ataque, cortando cabeças e membros dos guerreiros de Temoz.

Asakura, com precisão em seu machado, dividiu ao meio a carne de dois guerreiros.

Fenix, em perfeita arte de esgrima defendeu o ataque simultâneo de três dos bárbaros, mutilando, em seguida, seus corpos.

Carnissa mostrou todo o poder da arte que aprendera, fez dos guerreiros de Temóz suas cobaias malditas, estilhaçando-lhes a carne com as magias conjuradas.

Kzar bramia a poderosa axe e cabeças rolaram ao chão.

Os quatro guerreiros de Quanato lutaram lado a lado, defendendo e mostrando o poder de sua pátria e impondo a autoridade do Imperador Omeghus.

Após andar pelo canion, os quatro viram um altar sobre a tocha, onde um Shaman conjurava cânticos. Aproximaram-se da forma mais silenciosa possível, porém, antes que tomassem qualquer decisão, viram o mago bárbaro sacrificar uma moça sobre o altar.

O chão tremeu e uma grande fissura abriu-se no canion de onde uma sombra negra permeou o ar.

- “Dark Godness.” Disse Fenix.
- “O que é isso?” perguntou Carnissa.
- “Senhores, temos um novo inimigo.” Respondeu Asakura, lançando um machado contra o Shaman, cravando-lhe um golpe certeiro entre os olhos, “Os Dark Godness foram conjurados. Eles precisam ser detidos.”

Enquanto o chão tremia, o céu escureceu e uma nuvem de sombra negra parecia ir em direção à terra de Quanatos.

- “Quanatos!!! Está indo para Quanatos. Precisamos salvar o Imperador.” Disse Kzar.

Os quatro guerreiros marcharam em direção a Quanatos e correram até chegar na fronteira de onde dava pra ver o pináculo da torre mais alta do castelo.

As sombras pareciam baixar sobre a torre, mas um brilho saia dela e o resistia. Era Omeghus, conjurando todo seu poder dado pelos Godness.

A luz emanava da torre e lutava contra as sombras. Omeghus curvava-se diante de tanto poder, mas Amidalah, ao seu lado, o enchia de novo poder e ele novamente se levantava. Finalmente, Omeghus afastou as sombras, mas ela espalhou-se por todo seu reino e os seres dos Dark Godness nasceram.

.....

Ainda perdido em no êxtase de suas lembranças no momento da morte, O Kzar lembrou-se da invasão dos Dark Godness pelo vasto Reino de Omeghus.

Os exércitos de Quanatos foram espalhados por todo o reino para guerrearem contra os seres malditos. Os bárbaros de Temoz haviam sido destruídos, porém, o novo inimigo era infinitamente mais poderoso.

O Imperador convocou os maiores do reino e ali disse:

- “Amidalah, a enviada dos Godness disse que devemos nos aproximar mais dos deuses. Quanto mais perto dos deuses, maior será nosso poder. Será erigido um altar em cada quadrante da cidade e no seu centro. Em cada aldeia e também haverá um altar aos Godness, este é o desejo de Amidalah.”
- “Pro caralho com essa sua vadia, Omegus.” Exautou-se Kzar, levantando sua voz contra o Imperador. “Foi essa maldita a responsável por tudo. Se não tivéssemos liberado os Godness para matarmos os bárbaros de Temóz nada disso tinha acontecido. Somente com a liberação da mágica por essa desgraçada é que eles conseguiram conjurar a força dos Dark Godness.”
- “Sua arrogância, meu filho, ainda poderá lhe causar a morte.  Mesmo sendo seu pai, não me eximirei de punir seus pecados, se necessário for.”

Todos ficaram em silêncio, até que o guerreiro Archon pediu a palavra:

- “Perdoe-me, meu Senhor, mas ouso concordar com seu filho. Talvez devêssemos confiar mais em nossa própria força e abandonarmos a dependência dos Godness.”
- “E como você pretende derrotar a magia dos Dark Godness, Archon?” perguntou a arqueira Arwin, “Você pode até acreditar que com sua machadinha destruiria todo o exécito de Temóz, agora vencer os seres das sombras, sem magia? Isso é impossível.”
- “O que eu quero dizer, Arwin, é que devemos depositar mais confiança em nosso poder, em nosso punho.” Respondeu Archon, apertando sua axe com as mãos “Nós sempre lutamos assim, por que não pode ser desta forma agora?”
- “Por que não pode?” interpelou o Paladino Perseus. “A resposta é simples: porque magia deve ser combatido com magia.”

Um alvoroço de discussões se formou entre os presentes, pois alguns queriam se aproximar dos Godness e outros diziam que o Kzar estava com a razão. O tumulto só encerrou quando Carnissa levantou a voz e disse:

- “Calem-se todos. O Imperador já disse qual a vontade dele. Ou vocês aceitam ou entregam suas armas. Vocês são de Quanatos ou dissidentes? Vocês obedecem o Rei ou lutam contra ele?”

Todos amavam e respeitavam muito Omeghus para recusarem-se lutar ao lado dele. Aquietara-se e acataram o desejo do Rei.

......

Ah, a morte já sorria para o Kzar, que tossia sangue, e acompanhava aquela eterna  gota de sangue até pingar lentamente no chão.

Sangue. Chão. Sangue. Mãos. Sangue.

A mente do Kzar viajou novamente e parou quando sua mão e a mão de Carnissa seguravam uma grande espada fincada no ventre do Imperador Omeghus.

O Rei estava de costas para o altar Godness do Castelo, e seu corpo descia suavemente pela lâmina da espada que seus dois filhos empunhavam. Carnissa e Kzar olhavam a vida abandonar Omeghus e seu sangue manchar a lâmina da arma, desenhando uma imagem púrpura até o punho, sem, contudo, estragar o fio.

Kzar e Carnissa seguraram a Espada Manchada. Os dois estavam em frente ao altar e empunhavam as duas mãos na arma ereta, ambos se olhavam, sem nada dizer.

A porta da capela foi aberta por Amidalah e atrás dela entrou Fênix e Asakura. Em seguida entraram Manza, Mechanix, Perseus, SadSoul, Arwin, Rodoo, Warlock, ArchoN e RedHand.

Todos pararam, e viram Carnissa e Kzar empunhando a Espada Manchada que tirou a vida do Imperador.

O Kzar largou a arma nas mãos de seu irmão. E afastou-se há dois passos dele. Carnissa disse:

- “Omeghus está morto. Meu irmão bastardo o matou. Esse filho de uma puta matou meu pai.”
- “Carnissa!” Gritou Kzar. “Foi você quem cravou a espada no ventre de nosso pai.”
- “Eu nunca tive um motivo para matar meu pai.” Respondeu-lhe Carnissa. “E você? Quantos motivos tinha para matar Omeghus?”
- “Seu desgraçado!” Revoltou-se o Kzar. “Paladino do inferno, você condenou sua alma há muito tempo entregando ela aos Godness. Covarde...”
- “Cale-se seu assassino bastardo.” Disse Carnissa empunhando a Espada Manchada e apontando-lhe para Kzar. “Cale-se ou eu corto sua cabeça aqui, e agora. Com a morte do Imperador, eu sou o Rei de Quanatos e, agora, sou eu quem nomeia os culpados. Você meu irmão filho de uma prostituta, é o assassino de meu pai. Quem ousa discordar de minha decisão?”

Os presentes se entreolharam, e o primeiro a se manifestar-se foi Fênix:

- “Eu ouso. Você não pode ser suspeito e juiz na mesma causa.”
- “Eu também discordo de você, Carnissa.”, disse Archon, seguido de SadSoul e RedHand, os únicos a apoiarem Kzar.

O novo Imperador perguntou:

- “Alguém tem algo mais a dizer?”
- “Meu Senhor,” disse Mechanix, “Se os Godness estão do seu lado, eu também estou.”

Manza, o Paladino conhecido por sua honra e amizade e que nunca havia hesitado perante o inimigo, não conseguia identificar naquela cena, quem era o real assassino. Pela primeira vez ele hesitou, pois não conseguia reconhecer ali quem era o inimigo. Não havia tempo para pensar ou argumentar, só havia tempo para decidir. Manza decidiu pela sua pátria e devoção ao Imperador. Manza ficou ao lado de Carnissa e orou aos Godness para que tal decisão representa-se Justiça.

Alguns optaram pela simples comodidade, como o fez Mechanix, afinal, ficar ao lado do Rei era mais garantido.

Diante disso, Carnissa falou:

- “Aí está, seu maldito. Você sempre quis causar dissidência e conseguiu. Mesmo você sendo o filho de uma porca no cio, eu pouparei sua vida. Coisa esta que você não fez por meu pai. Só lhe poupo a vida porque há sangue de meu pai em suas veias. Você e sua corja dissidente de malditos estão banidos. Como exílio vocês terão a Terra de Temóz. Nela deverão viver e dela deverão tirar seu sustento. Em qualquer outro lugar do Império de Quanatos, qualquer homem ou criatura está autorizado a tirar-lhes a vida.”
 
............

A morte, será ela melhor que a humilhação do exílio? Era este o pensamento do Kzar enquanto assistia sua ultima gota de sangue mergulhar naquela poça vermelha no chão.

Lembrou-se do exílio em Temóz. Lembrou-se de Fênix, Archon, SadSoul e RedHand apoiando a idéia de que Carnissa era o assassino. Lembrou-se de ter sido ajudado por pessoas da vila que um dia desejou destruir.

No momento da morte, arrependeu-se de muita coisa.

Mas não sentiu arrependimento do dia em que se cansou de ouvir dos feitos do novo Imperador, e do poder de seus guerreiros. Não se arrependeu de ter sentido desejo de vingança e abandonado seus amigos em Temóz, empunhando seu machado e indo em direção ao castelo de Quanatos.

Não sentiu arrependimento por ter matado os guardas do portão da cidade, rachando-lhes as cabeças.

Nenhum remorso sentiu por ter dilacerado quase uma centena de soldados que tentaram defender o Castelo de Quanatos.

Quando chegou na entrada da grande porta gritou:
-“CARNISSA!!!”

Seu chamado foi atendido, e o Paladino saiu do castelo, empunhando a Espada Manchada, aos seu lado, Asakura e Amidalah. Preparaos para a guerra por Quanatos: Manza, Mechanix, Arwin, Perseu, Rodo e Warlock.

- “Podem deixar.” Disse Carnissa. “Essa guerra é minha.”

Dizendo isso o paladino praticamente voou para cima do guerreio, bramindo a Espada Manchada, faiscando na lâmina do Machado do Kzar.

Os golpes da esgrima eram mais rápidos que os do machado e as tentativas do Kzar sempre acabavam no escudo do paladino.

O Guerreiro girou a axe sobre a cabeça, explodindo um golpe fumegante no escudo, estilhaçando-o em pedaços. Carnissa caiu ao chão e rapidamente desviou de um outro golpe do Machado que o Kzar descia.

O machado penetrou o chão e enquanto o guerreiro puxava-o para cima Canissa lançou-lhe um golpe para decepar-lhe a cabeça. O Kzar tentou esquivar mas a lamina Púrpura da Espada Manchada rasgou-lhe a testa revelando o branco de seu crânio.

Sangue...

Kzar cambaleou, mas defendeu outros oito golpes da Espada Manchada até que a lâmina cortou-lhe o ventre, penetrando-lhe na carne, cortando-lhe as vísceras...

Sangue...

Carnissa aproximou-se do guerreiro e disse-lhe aos ouvidos:
 
- “O dia em que você tiver poder suficiente para matar um Imperador de Quanatos, você poderá governar no lugar dele.”

Sangue... o machado caiu da mão do Kzar, batendo um som metálico no chão. E Carnissa rodeava-lhe dizendo ao ouvido:

- “O que meu pai lhe falou sobre sua mãe? Que ela era uma comcubina? Mentira. Ela era uma prostituta qualquer. Uma porca vadia e nem sei porque Omeghus decidiu adotar você, seu bastardo.

Sangue... Kzar prostrou-se de joelhos diante de Carnissa, que disse:

- “Lembra-se do que Omeghus lhe disse certa vez? ‘Se você se negar a prostrar-se perante um deus hoje, talvez seja obrigado a ficar de joelhos diante de um homem amanhã’. Eu cumpro agora a profecia de meu pai.

Sangue... estes eram os últimos momentos de vida de Kzar e não era mais passado e sua memória fundia-se ao presente e ele estava ali, vendo sua ultima gota de sangue.

Kzar caiu morto aos pés de Carnissa, banhando-se no próprio sangue.

.......

Enquanto Carnissa vangloriava-se de sua vitória, erguendo a Espada Manchada ao céu, um raio explodiu em seu peito, jogando seu corpo metros atrás e rachando-lhe a armadura peitoral de cima embaixo.

O imperador ergueu sua fronte e viu sobre o Arco do Portal do castelo os aliados de Kzar: Fenix, Archon, SadSoul e RedHand.

O Céu escureceu enquanto Fenix levantava as mãos para o alto. As sombras se transformaram em serem negros e alados, invadindo o átrio do castelo de Quanatos.

- “Dark Godness.” Disse Asakura. “Os Malditos fizeram pacto com os Dark Godness.”

Nos portais de Quanatos os soldados começaram a ouviram o retumbar de fortes pancadas contra os portões. Todo o exército haviam voltado a atenção para a invasão de Kzar e não perceberam que um exército bárbaro, comandado pelos dissidentes, se formou às suas portas e ameaçava invadir a cidade.

Manza e Mechanix foram até os portais e defenderam uma das entradas da cidade sozinhos. Os bravos paladidos giravam preparam as espadas e quando os bárbaros arrebentaram o portão e começaram a invadir a cidade os dois racharam-lhes os crânios, dividindo-lhes as cabeças.

Archon e SadSoul desceram do topo do arco em que se encontravam, dando de cara com Perseu e Arwin. Eles lutaram. Espada contra machado. Perseu versus Archon.  Escudo contra Flechas. RedHand versus Arwin.

Warlock e Rodo degladiaram no átrio do castelo, enquanto a batalha fervia lá fora, onde os Bárbaros de Temóz e os Dark Godness conjurados por Fenix lutavam. O som das armas e o cheiro do sangue era sentido a distância.

Asakura escalou o Arco do portão onde Fenix conjurava seu poder e avançou com seu machado. O paladino defendeu o golpe e desferiu a ponta de sua espada que parou no cabo da axe.

Asakura tinha um estilo diferente de manejar sua Axe, pois ele não batia como se fosse um martelo mas mandava golpes em giros verticais e apenas um guerreiro experiente como Fenix conseguia esquivar-s e sobreviver a tais golpes.
Enquanto a batalha ressoava e Amidalah perdia-se em suas orações na entrada do castelo, uma mulher vestida de sombra apareceu no centro da guerra. Ela era linda, e tinha um olhar mais penetrante do que o demônio. A estranha mulher caminhava calmamente entre os guerreiros, os quais desfaleciam quando ela passava por eles. A cada passo seu formavam-se veios negros na terra, espalhando sombra infinitamente escura em seus pés nus.

Ela entrou na cidade e, depois, passou pelo portal do átrio do castelo. Ninguém percebeu sua presença até ela ajoelha-se diante de Kzar, soprando-lhe as narinas e dizendo:

- “Levante-se moribundo, e saiba que um deus lhe devolveu a vida. Você deve sua existência a mim.”

Kzar despertou de um sono negro em que se encontrava e mergulhou nas sombras do olhar daquela mulher. Gritando:

- “NÃÃÃÃO!!! Minha alma me pertence.”
- “Não pertence mais.” Disse a mulher.

Todos que estavam no castelo pararam ao ouvir o grito do Kzar, que levantou-se curado e com o corpo brilhando.

Carnissa levantou-se finalmente, e jogou sua armadura e elmo para o lado. Empunhou a Espada Manchada.

Kzar ouviu os gritos e os clangores da batalha, não era o momento de questionar a quem pertencia sua alma, ele tinha uma obra para completar, ali e Agora. Empunhando seu machado com as duas mãos, e sentindo o poder permear-lhe todo o ser, gritou avançando em direção a Carnissa:

- “VINGANÇAAAAA!!!”
- “MALDITOOOO!!!” – respondeu-lhe o Paladino vindo ao seu encontro.

A Espada Manchada e a Machado de Sombras cruzaram-se no ar. Carnissa versus Kzar. Quanatos contra Temoz.
Kzar
Enviado por Kzar em 23/03/2006
Reeditado em 17/07/2007
Código do texto: T127409

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Sobre o autor
Kzar
Mundo Novo - Mato Grosso do Sul - Brasil, 39 anos
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