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Havia um vazio...

Havia um vazio...

Era uma  tarde linda! Um daqueles abençoados dias em que acordamos e pensamos nas pessoas com nossos melhores sentimentos. Era um daqueles dias em que sentimos saudades dos nossos queridos amigos ou mesmo sentimos falta de não sentir essa tal saudade. Era um dia em que, tudo o que mais poderiamos desejar era Amar e sermos profundamente Amados, mas... havia um vazio no ar! Algo estranho, um tanto quanto dotado de indiferença ao semelhante, algo que estava fora de contexto, que dava lugar ao egoismo e energias negativas. Não combinava com aquele dia que se prometia ser um dos mais perfeitos. Havia um vazio...

De repente, percebeu-se que os corações humanos estavam amargurados, que a infelicidade e a tristeza ganhavam espaço, contruindo uma atmosfera de profunda depressão. Algo de muito estranho estava acontecendo. Onde estaria o Amor que outrora vivia naqueles corações... Isso!... O Amor! Era o que faltava.

Foi então que se deu falta do Amor...Ah! Aquele garoto maroto, sempre aprontando!, O que estaria fazendo desta vez, por que se escondera... E se estivesse doente... ou mesmo morrendo... Oh! Não! Não poderia ser! Não o nosso lindo Amor. Tão puro, tão pleno de sentimentos... Era a sua ausência a razão daquele vazio... E que vazio!

O desaparecimento do Amor, causou uma mobilização geral. O Medo foi o primeiro a chegar e, como sempre, se espalhando todo, o que chamou o Desespero que por sua vez, chamou a Dona Sindrome do Pânico. Pronto! Era o Caos!

E foram tempos dificeis para todos. A dona Amizade gastou quase todas as suas energias tentando manter a harmonia que teimava em querer sair do seio de sua familia, mas como manter a tão desejada harmonia nas nossas relações, sem a presença do Amor!

Os corações estavam tomados pelo desespero. Ah! Pobres corações, tão necessitados do Amor, e agora tão solitarios em sua jornada na busca por manter o Amor vivo dentro de si. Mas eles não estavam sozinhos nessa busca. Não demorou muito e, comovidos pelo choro sofrido e saudoso dos coraçõezinhos, outros decidiram juntar-se e sair a procura do Amor. Até que a dona tristeza tentou ajudar, mas chorava tanto, coitada, que precisou ser amparada e levada para um posto de atendimento  de emergência, ficando, a partir de então, sob os cuidados do Dr. Carinho. E esse,  sabe como tratar seus pacientes como ninguém.

A dona Solidariedade resolveu iniciar uma campanha de busca coletiva pelo Amor e saiu, batendo de porta em porta, mobilizando toda a comunidade dos bons sentimentos e prometeu que não sossegaria enquanto não encontrasse o Amor Perdido. A ela, juntaram-se a Alegria e seu parceiro Sorriso, o Sonho, a Fantasia e a sua mãe, a Dona Imaginação, que com a ajuda da Criatividade, haveriam de descobrir o paradeiro do Amor.

Foi então que a Alegria resolveu dar um ponto final em tudo e divulgar um pequeno segredo. E, trazendo a sua caixinha de surpresas, mostrou a todos um presente que havia recebido do seu querido Amor. Era uma carta, em que o Amor alertava para o perigo de seu desaparecimento e assim dizia:


Carta Aberta aos Bons Corações

Amados Amigos,

Tenho vivido intensamente dentro de  cada um de vocês. Por vezes cheguei sem nem ser convidado e sempre encontrei um coração quentinho e pronto para me abrigar. Senti-me protegido e seguro dentro de vocês. Outras vezes, minha presença era requisitada para acabar com a sensação de solidão e desamparo que os corações mais sofridos tinham dentro de si.

Mas nem tudo eram flores! Sofri  muita rejeição e isso me trazia uma dor tão profunda que eu achava que iria adoecer e morrer sem conquistar aqueles corações duros e resistentes. Mas não desistia e, por isso mesmo fui enganado e substituído diversas vezes, pelas  paixões passageiras, humilhado por querer apenas doar-me sem limites, sem medidas e sem aquela expectativa de receber algo em troca, o que não combinava com os valores egoistas que se faziam de modelo de triunfo para os corações mais fracos. Outras vezes, fui usado como estrategia de mercado para vender os produtos de consumo de última geração, as roupas da moda, o carro do ano e as mais caras pedras preciosas que, por sua vez, eram vendidas como símbolo da minha existência entre as pessoas que se diziam apaixonadas. E “em nome do Amor”... se vendia, se trocava, se comprava tudo.
 
Ah! Queridos amigos... Como eu me senti reduzido ao nada, como eu me senti vazio... E tudo o que eu queria era Amar, Amar e contagiar a todos com essa minha vontade intensa de vê-los felizes, cheios de vida e cheios de desejo de  multiplicar essa nossa sensação de felicidade plena pelo mundo, assim como o fazem, as flores que, no ato de despetalar-se, entregam-se por inteiras ao senhor vento e voam exalando seu perfume para que todos possas sentí-lo. E assim eu sonhava ser... Um doador pleno de mim mesmo... Assim, Eu Amor,  seria o  Amor de todos... mas não fui aceito. E, se eu não podia ser entrega plena, fragmentada também não queria ser... Por isso parti.

E se, por ventura algum dia vocês sentirem a minha falta e me permitirem mais uma vez, fazer parte de suas vidas, procurem o mais belo Sorriso; encontrem a verdadeira Alegria; cuidem uns dos outros com muito Carinho; vão ao encontro do mais belo Sonho; permitam-se um passeio de mãos dadas com a Fantasia  pelo mundo da Imaginação; e, quando voltarem ao mundo real, não esqueçam da Solidariedade para com aqueles pobres corações que ainda não descobriram o valor da presença do Amor em suas vidas e doem-se, numa entrega plena. Não espere resposta...Apenas declare seu Amor e Ame... simplesmente...Ame. E, quando sentirem um leve sopro de vida ao seu redor... lembre-se que eu nunca sai de dentro de vocês... estava apenas adormecido e fui acordado pelo seu ato de Amar.

Seu Mais Puro Amor
Sandra Mara
Enviado por Sandra Mara em 26/04/2005
Reeditado em 25/01/2008
Código do texto: T13190

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Sobre a autora
Sandra Mara
Estados Unidos
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Sandra Mara