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labirinto

Porta e janelas fechadas. Ela também se sentia assim.Trancada em meio a uma confusão de sentimentos, como se estivesse em um labirinto, que não sabia como teria entrado e muito menos o seu fim. Vitória queria sair da prisão que ela própria se condenou.
Era sonhadora, no auge dos vinte e alguns, não tinha a perspectiva que a maioria das mulheres tem de casar, ter filhos, uma casa e um cachorro. Sabia que era quase impossível alguém querer uma mulher como ela, confusa, acima do peso, apesar de ter um rosto que chama atenção pela beleza, e olhos negros que penetram no fundo da alma de quem olha.
Muitas vezes tinha medo de levantar-se da cama, de colchas bordadas à mão e travesseiros de pluma de ganso, tinha medo do que iria acontecer-lhe no decorrer do dia, então como se num impulso de coragem, levantou-se, e ao colocar os pés no chão, o ruído da madeira solta do assoalho, lhe fez voltar o medo. Morava com a avó, que tinha viuvado já fazia tempo, seus pais moravam longe, e apesar de medrosa, amava muito sua velha companheira, e a cuidava com muito amor e carinho.
Pode parecer que ela não passava, de uma pobre infeliz, solitária, que morava num sítio onde tinha uma vaca de leite, e um cavalo, somente. Mais não era bem assim, apesar da tristeza  tinha seus momentos de felicidade.Seu coração pulava até a garganta quando chegava carta de seus pais, que sempre a terminavam com falsas promessas de uma visita que não acontecia já há quatro anos e meio, mais mesmo assim fingia acreditar que era verdade.
Mais uma vez, estava com a barriga na beira do fogão a lenha, preparando a janta, que não era nada sofisticado, mais era feita com muito carinho. Após jantar, Vitória lia os livros que tinha comprado na sua última visita a cidade, os trechos mais engraçados, ou julgados por ela os mais lindos, eram relidos em voz alta para a avó, elas tinham entre si, um pacto de cumplicidade eterno.
Um belo dia chegou de surpresa um primo distante, que ela nem lembrava mais que existia. Chamava-se  Miguel, apesar de ter um nome bíblico era um verdadeiro garanhão, e
de santo não tinha nada,viciado em jogo, não era exemplo pra ninguém, nunca havia se apaixonado na vida, e por isso, nunca dava valor a qualquer mulher que fosse. Ao primeiro olhar, já estavam enamorados. Ele estava  estranho, pois nunca havia sentido aquilo. No seu íntimo sabia que aquela mulher iria marcar sua vida para sempre.
Vitória ficou parada, nem respirava, aquele homem havia lhe deixado pasma, sem conseguir pronunciar nada. Ela também estava apaixonada. Sabia que ele era a pessoa que a libertaria das correntes. Naquele momento, sentia que finalmente tinha encontrado o fim do seu labirinto, da sua tristeza. Agora seu coração explodia de amor, e não de dor.
A cada dia que se passava, a atração dos dois aumentava, os sonhos comprometedores, sempre acabavam os acordando no meio da noite, e provocavam encontros na cozinha, com a desculpa de tomar um copo d’água para continuar a ressonar. Mesmo sem ter ocorrido nem um toque corporal, já eram amantes. Mesmo sem lençóis, ou testemunhas, mantinham acessos em seus corações a atração física, o amor, a paixão que ardia e os consumia mais e mais, a cada minuto passado.
Finalmente chegou o dia, em que ele já estava quase enlouquecendo por completo. Queria aquela mulher como  esposa, mãe de seus filhos, amante. Esperou a hora certa, e pediu a mão de Vitória à avó, que a concedeu. Vitória depois de anos prisioneira, finalmente tinha arrebentado suas correntes.

Gegé de Miranda
Enviado por Gegé de Miranda em 19/04/2006
Código do texto: T141455

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Sobre a autora
Gegé de Miranda
Caçapava do Sul - Rio Grande do Sul - Brasil, 28 anos
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Gegé de Miranda