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Conto: A Janela Existe

Conto: A janela Existe

O dia de hoje é de perambular. Meu anjo sorria comigo. Fomos de mãos dadas, descendo quadras, subindo montes, adentrando por matas, numa corrida feliz. Sabíamos que era a nossa paz... Merecida e esperada.
Tomamos água do riacho; era uma água diferente, assim, meio lilás e brilhante – saciava qualquer sede. Depois, descansamos perto de uma árvore...Deitei minha cabeça em seu ombro e senti que esmorecia; não era mais dona de mim. A magia tomava conta dos nossos corpos e de toda paisagem.
Tudo nos confundia: minhas pernas com as dele, meu coração e todo o meu ser. Levantamos e éramos um... Cabelos levemente claros, caindo na testa, com sorriso de criança... Meu amor.
Ocupávamos o mesmo lugar no espaço, sabia que a emoção seria redobrada. Continuamos a nossa viagem: parecia mãe com filho no ventre.
Entrei pelo quintal. Aquela casa só poderia ser minha – nossa.
Pintada de rosa, porta e janela e cortina branca, voando.
O jardim coberto de flores; beneditas de todas as cores. Era linda!
Não havia muro e sim, um banquinho de madeira, um papagaio voando, uma gaiola, felizmente vazia.
Subi no pé de goiaba e fiquei lá. Saboreava a fruta madura.
Falei que era um dia de aprofundar?
Gostava de ouvir as cantigas, os sons misturados com minhas emoções.
O sonho se aprofundava cada vez mais... Parecia uma vertigem; como se uma anestesia entrasse pelas minhas veias.
De repente, uma claridade me levantava no ar.
Subi, suave e tranqüila.
Outro espaço.
Lá, nos desprendemos um do outro, unidos pelas mãos. Imensidões de estrelas, cometas passavam perto de nós sem nos tocar...
Lamento tanto ser pobre em linguagem, não ter a capacidade de descrever tanta beleza. É que entre tantos lampejos, encontrei uma janela. Luz amarela no céu, e lá dentro quando minha alma serenava, o jardim morava ao relento, solto no espaço. A janela era a ponte para nossa passagem para o paraíso, em meio às acácias, levitávamos, eu e meu anjo.
E num beijo profundo, jogávamos lampejos de quietude e paz para toda a humanidade.

Verônica Aroucha
Enviado por Verônica Aroucha em 04/05/2005
Código do texto: T14619

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Sobre a autora
Verônica Aroucha
Recife - Pernambuco - Brasil
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Verônica Aroucha