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Um ratinho astucioso

    Um humilde ratinho espreitava ansioso a oportunidade de petiscar ao menos um pedacinho de queijo.Afinal, havia semanas e semanas que ele espiava pelo buraquinho do assoalho durante os momentos de refeição daquela família mas não encontrava ocasião propícia para matar o seu desejo.Que família sovina! Não deixava uma migalha de alimento!

    Quando o rato, com seu faro aguçado, sentia o cheiro de petiscos gostosos, principalmente de queijo, que era seu ponto fraco, suas glândulas salivavm e seus olhos ávidos o fazia se atrever a apontar a cabeça no buraco. Decepcionado, encolhia-se ao verificar que a família se refestelava e não deixava sobras.

    Certo dia, nessa trajetória rotineira, o ratinho decidiu ousar mais. Chegou à conclusão de que, em muitos momentos, há necessidade de ousadia para se conseguir o que se almeja. A tentativa é sempre válida, resta saber se ela correponderá à realização do desejo.

    Assim que o grupo se sentou à mesa, a cozinheira começou a trazer os complementos para o desjejum: a jarra de suco foi a primeira a chegar. O ratinho olhou-a com desdém. Não lhe interessava.Porém, o ritual da refeição teve continuidade: pão quentinho com manteiga e queijo. Aí, sim, ele se animou. O que fazer para chegar até lá?

    A sorte veio a seu favor. Uma menina esticou o pé para baixo da mesa, tirando o sapato.
   
    - É a minha vez!- pensou o ratinho.- Agora ou nunca!

    Venceu a distância recorde entre o buraco e o sapato e mergulhou neste.
   
    - Uf!- fungou.-Que chulé medonho! Mas para conseguir o que quero, topo até esta parada! - e ficou à espreita, torcendo para a dona do sapato não se decidir a calçá-lo logo.

   Dessa vez, a espera para petiscar não foi longa. A garota deixou cair ao chão um pedaço de queijo.

   - Não me diga que vai pegá-lo, Vanessa!- falou a mãe da menina, para grande alívio do rato.

   - É claro que não. Alguma vez já fiz isso?

   - Em minha presença, não. Longe de mim, não garanto.

   - Que absurdo, minha mãe! - respondeu a menina, ofendida.

   Então, iniciou-se um tremendo bate-boca entre mãe e filha. Isso agradou trmendamente ao ratinho que aproveitou para desentocar-se do sapato e comer, até pausadamente, a fatia do queijo. Ainda arrotou baixinho, antes de voltar quase tranquilamente para seu buraco.Estava satisfeito o seu desejo, pelo menos por enquanto.

       
Nadir de Andrade
Enviado por Nadir de Andrade em 28/04/2006
Código do texto: T146535
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Sobre a autora
Nadir de Andrade
Barreiras - Bahia - Brasil
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Nadir de Andrade