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A JOVEM DO LAGO



Era uma vez um homem que buscava algo muito precioso em sua vida, mas não sabia exatamente o que era, nem onde encontrá-lo.

Certa noite, ele sentou-se à beira de um lago tranquilo. Estava escuro e, por isso, reparou no brilho de uma estrela solitária, que lhe chamou bastante a atenção.

Como se lhe passasse uma mensagem, aquela estrela instou para que o homem se aproximasse do lago e olhasse atentamente para o seu reflexo.

De fato, aproximando-se, observou com assombro a imagem de uma bela e jovem mulher no lugar do seu próprio reflexo.

Talvez aquela jovem fosse alguma ondina, nereida ou um sereia daquele tranquilo lago. Descobriu, porém, que ela habitava seus sonhos mais antigos...

Imediatamente encantou-se por ela, tentava falar-lhe, mas ela apenas lhe sorria. Era um sorriso que transcendia toda e qualquer palavra. Ele tentava tocar-lhe, mas suas mãos apenas mergulhavam na superfície do lago, sem conseguir seu intento.

Todas as noites ele ia ao lago para ver se conseguia comunicar-se com ela, mas era inútil.

Embora fosse apenas uma imagem, ele a sentia como alguém real e verdadeiro, que tinha vida, sem saber contudo onde e como encontrá-la. A cada dia que passava, ele ficava angustiado...

Um dia, porém, ele notou que havia um rio que desaguava naquele lago. Então pôs-se de pé e começou a andar ao lado do rio em direção à sua nascente.

E o mais espantoso é que a imagem daquela bela jovem o acompanhava dia após dia em sua longa jornada, sorrindo-lhe graciosamente.

Em sua caminhada de 7 dias, passou por muitas paisagens e situações diversas: florestas, bosques, montanhas, campos, cidades, aldeias, vilas, chuvas torrenciais, ventos fortes, etc.

Durante sua jornada, avistou alguns fatos pitorescos: viu um pescador que acabara de pegar um peixe enorme!! Ele-lhe disse que esse era ser maior troféu e não deixaria escapar aquela oportunidade de jeito nenhum!!

Logo em seguida, avistou um arqueiro que acabara de disparar sua flecha,  acertando uma árvore na outra margem do rio. O arqueiro confidenciou-lhe que, a partir daquele dia, a árvore iria produzir muitos frutos...

Até que enfim avistou a nascente do rio. Suas finas águas pendiam de uma rocha como uma mini-cachoeira que descia até um olho d’água límpido e cristalino, no seio de um monte de pedras escuras, devido à umidade e pela cor do limo.

Ele decidiu chegar mais perto da cachoeira e – repentinamente – atravessou-a como se tivesse passado por uma cortina de seda. Havia uma gruta secreta e iluminada por uma luz tênue que passava pela cachoeira.

Notou ao longe o vulto de uma pessoa. Era uma mulher de cabelos negros e longos, e pele cor da lua. Quando seus olhos se cruzaram com os delas, reconheceu-a imediatamente – era a jovem do lago.  Tão bela quanto seus olhos pudessem imaginar.

Ela lhe disse que aquela cachoeira raramente havia revelado seus segredos, a não ser em ocasiões muito especiais, dependendo de quem a encontrasse.

Ele descobriu que por trás daquelas águas, ocultava-se a razão de suas buscas incessantes. Daí ele refletiu que, para tal intento, teve que chegar até a fonte primordial dos seus sonhos mais íntimos.

Seus sonhos, porém, agora tornaram-se reais – tão límpidos e cristalinos quanto as águas que o levaram até a semente primordial, germinando-se em uma nova vida.
Pedro Ernesto Prosa e Verso
Enviado por Pedro Ernesto Prosa e Verso em 03/05/2006
Código do texto: T149542
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Pedro Ernesto Prosa e Verso
Fortaleza - Ceará - Brasil
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Pedro Ernesto Prosa e Verso

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