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                      HISTÓRIA DE PESCADOR

Sei Biu é o pescador mais famoso da cidade de Primavera. Sua fama corre longe. E suas histórias também. Mas é bom pescador. Pesca nos rios de sua cidade, de Amaraji, de Escada, de Ribeirão e outras. Nesses rios os peixes grandes já foram todos pescados por Seu Biu. Ele sempre leva uma camionete para transportar sua pesca. Para quem não sabe, Primavera é uma pequena cidade da Zona da Mata, às margens do Rio Ipojuca, produtora de cana-de-açúcar. O Rio Ipojuca é famoso pela presença do camarão Pitu, um crustáceo grande e de sabor peculiar.

Seu Biu já é um senhor de 60 anos e não agüenta mais trabalhar no corte da cana e por isso sustenta a família com a venda dos peixes que pega com sua tarrafa e gereré.

A última pescaria que ele fez, foi no Rio Ipojuca, no trecho que compreende a Cachoeira do Urubu e o Engenho São Caetano, local privilegiado para pescaria, em razão de ser uma região de águas profundas e de muitas pedras. Habitat natural dos peixes maiores.

Acorda logo cedinho, prepara a tarrafa coloca sobre a porta que dividida em dois rolos, comum das casas do interior, coloca isca no gereré, acorda Princesa que dorme num canto da sala – princesa é a cachorra de estimação da família - Magrinha, mas caçadeira, raro é o dia que não caça um preá ou um calango. Seu Biu faz questão de sua companhia quando vai pescar, ela dá sorte e ajuda segurar o peixe quando é grande.

Dona Zefinha já preparou o café do jeito que ele gosta. Cuscus com peixe seco, assadinho na brasa. Princesa também ganha seu pedaço. Come e pula em cima da camioneta que já estar um pouco surradinha pelo tempo. E lá se vão Seu Biu e princesa.

- Voltem cedo! Diz Dona Zefinha.
- Volto sim. O dia ta com cara de chuva.

Chegando na margem do rio, Princesa pula da camioneta e se embrenha logo por dentro das capoeiras. Seu Biu tira os equipamentos de pesca de dentro do carro, procura um bom pesqueiro e começa a lancear com sua tarrafa. O gereré já está na água com o cabo preso por uma pedra. Lance vai, lance vem e em dado momento Seu Biu sente que uma coisa de volume muito grande se enrola na tarrafa. Ele puxa, mas não consegue tirar a tarrafa para fora d´água. Com muito trabalho, vai puxando a tarrafa devagar. E para surpresa de Seu Biu, vai logo aparecendo uma pata enorme,que ele agarra para ajudar suspender o corpo. Era um enorme camarão Pitu. Mas enrolado na tarrafa, Seu Biu conseguiu domina-lo. Agarrou o “bichão” pelo meio, as patas saíram arrastando no cão e conseguiu colocar em cima da camioneta. Com sacrifício amarrou as patas nos ferros da carroceria para ele não pular, assobiou por Princesa e tava feita a pescaria. Mas quando princesa chegou que viu aquele Pitu daquele tamanho, deu uma carreira que foi bater em casa. – O danado era grande mesmo.

Quando Seu Biu chegou em casa que parou a camioneta, algumas pessoas que estavam por perto ficaram abismadas com o tamanho do camarão. Dava para ver de longe amarrado na camioneta. Aproximaram-se e sugeriram que o camarão fosse levado até uma balança grande – daquelas de pesar boi. Assim o fizeram. Mataram o enorme Pitu e colocaram na balança: dezenove quilos e seiscentas gramas. Mais de uma arroba. Da cabeça à cauda mediu um metro e meio. Era um gigante.

Pesado e medido, Seu Biu leva o camarão pra casa e combina com dona Zefinha, sua mulher, para em vez de vender fazerem uma festa com os vizinhos e comemorar a pesca do maior camarão Pitu do mundo. Dona Zefinha concordou. Chamou cinco vizinhas para tratar o camarão. Dividiram em diversos pedaços para caber nas panelas que ela tomou emprestadas também na vizinhança. Separaram uma parte para fazer cozido e outra para fazer churrasco. Das patas dona Zefinha resolveu fazer sopa e doar para cheche de Zuleide Parteira, foram quinze caldeirões enormes de sopa. A meninada adorou.

Os homens se reuniram no terreiro da casa – era muita gente. Fizeram uma fogueira e tome assar camarão, foi a maior farra. As mulheres preferiram comer o cozido com pirão. As crianças também. Entre mulheres e crianças almoçara cento e doze pessoas e ainda sobrou muito cozido para janta. A quantida de homens do churrasco não dava para contar, todo minuto chegava mais um para participar da novidade e elogiar Seu Biu pela bela pescaria. E seu Biu todo contente!

E foi essa a história que Seu Biu me contou.

Lima
limavitoria
Enviado por limavitoria em 28/05/2006
Reeditado em 01/08/2006
Código do texto: T164612
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Sobre o autor
limavitoria
Vitória de Santo Antão - Pernambuco - Brasil, 66 anos
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