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O grande sábio

Menél era um burrico muito simpático e tinha muitos amigos no bosque onde vivia. Um lugar aconchegante onde todos conviviam em harmonia, o bosque era conhecido como Flor do Saber, nome que nenhum de seus moradores sabe explicar onde surgiu. Mas essa também não era uma preocupação de Menél, que no auge dos seus 9 anos vivia alegre e contente com a vida que tinha.
Apesar de ter muitos amigos, Menél não era o mais popular entre eles, também não era considerado o mais inteligente, nem o mais ágil, muito menos o mais esperto. Sua única qualidade visível era a alegria que ele sempre trazia estampada em seu rosto. Sempre que estava junto com seus amigos Menél era de alguma forma pego em alguma das muitas traquinices que seus amigos aprontavam para rir às suas custas. Dos amigos o que mais pregava-lhe peças  era o Sapo Xaveco, o mais eloqüente e astuto membro da turma de Menél. Era ele que fazia o burrico embarcar em estórias mirabolantes que sempre terminavam em problemas para o nosso amigo. Bebel a bezerra era a mais amorosa e meiga do grupo, sempre defendia Menél quando o via em apuros. Clarisse Cavel era a mais rápida e disposta, sempre em movimento, sempre buscando uma brincadeira nova, o mais velho e responsável da turma era o amigo Hugo Texugo com um bom senso de humor era a consciência do grupo.
Em uma calma tarde, Menél e sua turma caminhavam pelos limites do bosque, quando avistaram um homem muito velho, curvado, barba e cabelos grisalhos, olhar sábio, apoiado apenas por seu cajado, trazia consigo um pequeno bornal sustentado por uma tira de couro atravessada em seu peito.
Ele estava parado em frente à placa de boas vindas do bosque olhando maravilhado para ela. Eles estranharam a admiração do velho por aquela placa velha que estava ali havia muitos anos e não se fazia mais percebida por ninguém. Sapo Xaveco foi o primeiro a perguntar:
- Boa tarde senhor, o que está olhando nesta placa velha?
- Estou lendo a mensagem, meu bom rapaz. Respondeu o velho com tranquilidade.
- Lendo? Perguntou  o sapo ao mesmo tempo que olhava para seus amigos e percebia que para eles esta palavra causava a mesma estranheza.
- Sim pequeno sapinho, estou lendo a mensagem que escreveram na placa.
- Escreveram? Pergunta o sapo novamente com o mesmo tom de quem desconhece o que significa tudo aquilo.
Hugo Texugo se adianta e pergunta ao velho:
- Mas o que significa lendo e escreveram, senhor?
- Significa que as palavras iguais a essas que falamos foram impressas em forma de simbolos. Através da Escrita, ato de escrever, para em algum momento serem lidas, ato de ler.
- Simbolos? Pergunta o sapo novamente de forma tão confusa que causa assim uma série de risos entre os amigos.
O sapo que não gostou que seus amigos rissem dele, disse que o velho estava mentindo para eles e que essa história de ler e escrever era mentira.
Então assim todos um tanto confusos resolveram continuar seguindo pelo caminho como se o velho não estivesse mais ali. Todos exceto um, Menél continuou em seu lugar, estático olhando para o velho e para a placa. Para o velho e para a placa, repetidas vezes. Ficou assim durante algum tempo até que perguntou ao homem:
- O senhor pode me ensinar a ler e a escrever?
O velho pensou por um breve instante e aceitou o pedido do burrico, que ficou muito mais contente do que o habitual.
- Por onde começamos senhor? Perguntou o burro entusiasmado.
- Começaremos pelas letras meu bom aluno, qual seu nome?
- Menél e o seu?
- Tenho muitos nomes, mas sou mais conhecido como Pedro, Pedro-Gogo.
Assim o velho iniciou o ensinamento, Menél aprendeu todas as vogais, depois consoantes, em seguida partiu para as sílabas. E ao contrário do que todos pensavam ele tinha muita facilidade para aprender, era um ávido aluno, era incansável e muito determinado. Pedro combinou com Menél de se encontrarem todos os dias para dar continuidade nas aulas.
No dia seguinte Menél foi contar a novidade aos amigos, mas foi uma grande decepção, pois seus amigos não acreditaram na sua história.
Mesmo assim nosso imbatível herói continuou suas lições e algum tempo depois já mostrava excelentes resultados, ficou tão eloqüente quanto seu amigo Sapo Xaveco, tão rápido nas respostas e ágil quanto a Clarisse Cavel, muito maduro e consciente como Hugo Texugo além de carinhoso assim como Bebel e evidentemente que não perdeu sua inigualável alegria.
Um dia Menél preparou uma surpresa para seus amigos, convidou toda a turma para um passeio, quando eles perceberam estavam em frente a placa no limite do bosque. Menél então disse com convicção, agora vou ler para vocês o que está escrito aqui.
Seus amigos que a esta altura já haviam notado seu rápido desenvolvimento em todos os outros sentidos, não duvidaram dele. Pela primeira vez a capacidade de Menél não foi questionada. Foi então que Menél começou a leitura.


Flor do Saber

Lugar de iguais
Terra onde não existe jamais
Onde amor nunca é demais
Aqui a água contém o saber, as frutas o amor, as pessoas a compaixão.
Nesta terra semearás a vida e o conhecimento, então colherás frutos de sabor puríssimo, adocicados ao gosto de seu coração.

Seja bem vindo à Flor do Saber




Paulo Martiniano
Enviado por Paulo Martiniano em 31/05/2006
Código do texto: T167031
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Paulo Martiniano
São Paulo - São Paulo - Brasil, 32 anos
36 textos (10658 leituras)
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