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A Flecha E O Conhecimento

Certa vez um nobre Demônio decidira ensinar certas virtudes a um pobre humano, que tendo sofrido muito em vida e nada aprendido, recorrera ao místico ser para tentar encontrar respostas para suas dúvidas. O místico ser, no entanto, decidira fazer ele aprender por si próprio mais uma última vez, mesmo que esta a levasse ao fracasso. De fato, nem um pouco agradava a ele o fato da experiência do simplório mortal não lhe ter rendido frutos de saber algum... Colocou – se ele então, frente ao sofredor e deu – lhe dois conjuntos de flechas e pôs em sua mão um belo arco. Eram dois tipos de flechas distintas cada uma com uma característica especial.

Fato é que neste tempo, estava a ocorrer uma sangrenta batalha liderada pelo conhecimento contra as divindades espirituais, oriunda dos campos letárgicos, no nível baixo do âmago. Enviou então o Demônio, o mero mortal ao campo de batalha para que pudesse ver como ele usaria as flechas que lhe foram entregues. De início, encontrara – se com uma poderosa combatente, a verdade. Esta perguntou qual flecha ele usaria na batalha. O humano observou as duas cuidadosamente. Ele escolheu aquela que fora ornamentada com ouro e onde na ponta residia um belo diamante. Ofuscado pelo brilho da mesma e contente com a satisfação da combatente, este proclamou: É a mais bela flecha já criada. E também a mais poderosa! A verdade então mudou de face e em seu semblante só se via aprovação.

Fora então ele para a batalha. Ele disparava flechas e mais flechas contra seus inimigos. Eram muitas. Como por mágica, as flechas douradas iam se multiplicando a cada uma que ele disparava. Era incrível. Uma beleza indescritível e uma sensação magistral ao lança – las. No entanto as flechas não atingiam o inimigo. Elas perdiam força assim que entravam em contato com o alvo. Ele não percebia isto. Por curiosidade decidiu dar mais uma observada no outro grupo de flechas. Eram flechas pequenas, quase que sem ponta. De que adiantariam estas? As outras eram muito mais fáceis de manusear, muito mais bonitas! Por que motivo usaria estas, até então inativas? ! Foi então que ele viu um espectro, afiando arduamente flechas que eram exatamente iguais as dele. Perguntou – se: Por qual razão trabalharei eu sobre estas flechas? Tenho melhores! E o espectro, desgastava – se cada vez mais para afiar suas setas. E a batalha continuava. E as flechas douradas continuavam inativas. Foi então que um anjo apontou lhe uma espada. O mortal lançou – lhe as flechas douradas. De nada serviram. O anjo o degolara. Após o golpe, este mesmo anjo fora atingido pela flecha daquele espectro que outrora afiara a mesma. Morrera o anjo. Morrera o mortal. Antes que sua essência se desfizesse por completo, ele recorreu ao Demônio. E este lhe disse:
- Quando tentamos agradar a nós mesmo, corremos o risco de nossa verdade se transformar em uma auto – ilusão. Você desmontou sua verdade e montou sobre as cinzas dela uma imagem de conforto e segurança. Iludido pelos seus conceitos sem alicerces, decidira lutar ao lado de teu conhecimento, sem saber que forças usar. Cobrira – se então com o véu da hipocrisia. Não percebera que usava de meios inválidos para sua batalha. E quanto mais o fazia, mais se satisfazia, pois a ignorância alimenta o ser. Não haveria por que mudar, pois já estava totalmente amaldiçoado. Preferiu continuar com as flechas douradas. E na vida, podemos ser pegos desprevenidos e precisamos usar de nossas forças. As suas eram nulas. E mesmo que algo o ajude talvez já seja tarde.
E este concluiu:
- A ignorância tem a face de um refúgio seguro, atraente e sedutor, onde nele não é preciso trabalhar para obter o que se deseja. No entanto, você agindo de tal maneira trabalha contra o conhecimento. E quando se deparar com um problema estará tão cego que não verá que isto não lhe levará a nada, continuando a ser mais um escravo desta força letal. E em breve, se tornará apenas mais um na pilha de ossos.
Despede – se o Demônio:
- A vida que é banhada em ignorância, acaba destruída e sem que dela nada seja aproveitado...
Kleiner Teufel
Enviado por Kleiner Teufel em 10/06/2006
Reeditado em 10/06/2006
Código do texto: T172927

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Sobre o autor
Kleiner Teufel
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 27 anos
27 textos (2194 leituras)
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