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O mito de Orfeu

Orfeu filho de Apolo e de Calíope tocava lira com tal perfeição, que encantava a todos com sua música; animais ferozes perdiam a ferocidade encantados pelos sons de sua lira; as árvores o rodeavam e os rochedos perdiam sua dureza. Apaixonado, casa-se com Eurídice, que confirmando os maus augúrios, palavra terrível, mas que serve exatamente à idéia do que representa, morre ao ser picada por uma cobra; a cobra desempenhando uma função quase bíblica, despertou o amor e o desejo entre o homem e a mulher, e agora os pune, fazendo Orfeu perdê-la. Desesperado, Orfeu vai a busca da amada na região dos mortos e consegue resgatá-la, sob condição de seguido por ela, não olhar para trás; não cumpriu o acordo, e perdeu-a. Orfeu voltou-se para vê-la, sem confiar...Manteve-se alheio às outras mulheres, dando-lhes a idéia do desprezo, que lhe foi fatal, pois, mataram-no, jogando sua cabeça e sua lira no Rio Orfeu. As Musas juntaram-lhe os pedaços e o enterraram e, finalmente, Orfeu pode juntar-se a Eurídice na terra dos mortos.
A música como elemento de sedução, uma linguagem universal, que transcende à palavra, à mímica e à dança; na mitologia todos os pares são belos; não entra na contagem o Minotauro, a quem o ingrato Teseu derrotou com a ajuda de Ariadne, desposando a rainha das Amazonas, que Shakespeare festejou como Hipólita em Sonho de uma Noite de Verão. Voltando a Orfeu, vemos que tinha um poder maior, além da aparência física, seduzindo e amando Eurídice de rara beleza; beleza tão grande que fascinou Aristeu, justamente de quem fugiu quando pisou na cobra que a matou. Evidentemente, a história de Orfeu, como tantas outras da mitologia, prestava-se a uma infinidade de manifestações artísticas; o alagoano Jorge de Lima, que era médico, fez de Invenção de Orfeu, o seu livro mais importante; clinicava num consultório da Cinelândia, tendo morrido em 1953. Albert Camus produziu e dirigiu o filme Orfeu, chamando para desempenhar o papel de Eurídice uma atriz americana - Marpessa Down, que contracenou com um ator amador, pois, o tipo físico que interessava ao Diretor, cabia na figura do centro médio do Fluminense Futebol Clube - Breno Mello; coloco-o com ll para aumentar sua importância, ignorando-lhe a grafia; o filme fez um grande sucesso, principalmente pela beleza da música, que conseguiu manter-se na memória da população até o presente. Seria muito mais fácil, presumo, transformar Catherine Deneuve em  Eurídice.
Para Orfeu, poderiam  escolher qualquer um dos principais nomes da época, como Gerard Phillipe, um consagrado ator francês; diga-se de passagem, que Gerard já representou Orfeu no cinema com sucesso; teria sido mais fácil! A idéia de refilmar Orfeu foi interessante, mantendo-se todos aqueles ingredientes de música, beleza, sexo, amor de qualquer jeito, mesmo que envolvesse os líderes do bem e do mal! O Diretor foi buscar inspiração nas gravuras da mitologia, e considerou como um belo tipo de Eurídice, alguma atriz que se parecesse com Hécate, do livro de Bulfinch. Para o antagonismo branco-negro, escolheu um ator consagrado, de apelo novelístico, mas que pode compor o personagem angustiado pela verdade e mentira, o grande paradoxo do papel que representava, a ambigüidade de sua personalidade, a força e a leveza das almas em permanente pânico; sua lira em consonância com seu espírito, e que se pudesse deixar imolar, tal como Orfeu mitológico se deixou despedaçar pelas mulheres despeitadas; Orfeu ao pensar em deixar o morro, território do filme, traiu a Plutão, Prosérpina e a todos os fantasmas que choraram pelo seu grande amor perdido; em realidade Orfeu não foi vítima; foi o predestinado dessa nova história; equiparou-se a Judas Iscariotes beijando Jesus, o líder branco e místico, enquanto o traia; por isso Orfeu não foi morto pelos asseclas do líder; deixaram-no procurar a forca (?) pelas próprias mãos, tendo aos braços Eurídice, a quem negara a ressurreição! Os fantasmas choraram por Orfeu! Apresento os amantes  e adianto o epílogo, para explicar a adaptação da história, deixo a interpretação à vontade do leitor.
Abrantes Junior
Enviado por Abrantes Junior em 23/12/2009
Reeditado em 02/01/2010
Código do texto: T1993178
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Abrantes Junior
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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