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PIOR QUE ESCAPAMENTO DE ÔNIBUS

Existem “causos” tão estranhos, que são difíceis de serem creditados.
Os meus, são assim, fazer o que? São assim que acontecem!
As coisas são esparramadas comigo, porque sou esparramado na vida, e a mesmice não me habita, estou sempre espiralado.
Quando cheguei na Polícia Rodoviária, “baianinho”, raquítico, novinho, deparei-me com aqueles homens grandões, maravilhosos e garbosos.
Eu olhava para mim, e quase não me enxergava perto deles, era uma figura quase invisível, e aquilo me incomodava.
Então, fazendo uso daquela máxima, que “Deus dá o frio conforme o cobertor”, desenvolvi uma técnica de sobejamento. Precisava estar em demasia, precisava exceder em relação àqueles homenzarrões, então procurei tornar-me diferente deles, e assim sobrar.
O que fiz?
Comecei pelo o uniforme, naquela época a Polícia Rodoviária era apaizanada (civil), então podia-se mexer no uniforme aqui e alí, sem descaracterizá-lo, e foi isso que fiz.
Mandei fazer culotes com melhores panos, inclusive de lã para o inverno, e bem justos ao corpo;
procedi da mesma forma com as camisas, todas de mangas compridas e bem cortadas, e as trajava sempre com gravatas.
Os metais do uniforme, nossa! Pareciam que eram de ouro e de prata. Foram todos cromados.
As botas feitas sob medida e em pelica. Brilhavam mais que espelho de rico.
A cartucheira, com desenho exclusivo, modelo bang-bang, deixava o revólver pendido e balangando com o meu andar gingado de bandoleiro. Nossa! Era o máximo. Fiz história.
quando prestei vestibular para uma faculdade de direito, e fui aprovado, ai foi que a coisa desandou de vez; me sentia o John Waine.
Com essas providências, em pouco tempo me destaquei no grupo, e comecei a colher os frutos do meu investimento.
A principal colheita era de “rosas e margaridas” ("marias boteiras"); essas providências contribuiram para o aumento do “trânsito” das madames nas cercanias das bases policiais.
Outro fato interessante, é que em pouco tempo o "grupo de baixo" (pessoal de São Paulo, o de cima era o pessoal de Bragança), se destacou, se alinhou; os primeiros a me imitar foram, Saldanha, Custódio, Rabelo, Ademir e o Abel.
Voltando à "plantação", ocorre, que aonde se colhe “rosas e margaridas” também se pega “maria-senvergonha”, e numa determinada noite de segunda-feira, altas horas, eis que brota do nada, uma danada duma “maria-senvergonha”; o meu parceiro, na condição de “mais antigo”, tratou logo de tomar a dianteira e foi ter com a tal “donzela solitária”, algum tempo depois, e como experiência conta muito, pasou de "mão beijada" a sucumbência para mim, ai fui tomar conta da danada.
Me "aprocheguei" todo jeitoso, sorrateiro e cauteloso, e uma boa conversa em cima dela derramei.
Em pouco tempo, para a “casa de pregos” a arrastei(era um quartinho que exista do outro lado da pista, onde se guardava afaias usadas nos “comandos” de policiamento).
Lá chegando, todo “alegroso”, fui tratando logo do "serviço" executar, a danada da madame no escuro dava até pra sonhar.
apressado e agoniado, as taboas de pregos passei a emborcar, senão as suas costelas iam furar.
preliminares realizadas, a “maria-senvergonha” veio acasalar, mas, ao a roupa tirar, o quartinho veio a empestiar, o mau cheiro baixou de vez, tentei disfarçar, mas jeito não consegui dar, não podendo a situação controlar, a ânsia se fez presente e em cima dela danei a vomitar; ai, seu moço! por uma cituação daquelas, nunca mais quero passar.
com a teimosia de moço a situação quis contornar, inclusive por respeito ao ser humano que estava ali louco para dar; tratei mudar de jeito, mas os seus dentes não eram perfeitos, e cortando igual navalha, pareciam que iam me estripar. num impulso violente, abandonei todo o investimento e a mulher fui despachar. Parei um caminhão e a mandei para qualquer lugar.
Quando à base retornei, desconfiado, cabisbaixo e arrasado, o colega me interpelou e foi logo perguntando a razão daquele odor, não aguentando o sofrimento, gritei e fui dizendo:
Nesse meu investimento, perdi todo o intento, a mulher era banguela e fedia, falava palavrões e cuspia, o azedume que subia quando ela se mexia me deixava zonzo que quase caia.
foi ai que comecei a gritar, quando iniciei o empreendimento, deveria mais atenção prestar e ao invés de vim pra cá, num ônibus deveria trepar, pois o seu escapamento é quente e fumaçento e com certeza mais emoção iria proporcionar!
RAYSAN DE SOUZA
Enviado por RAYSAN DE SOUZA em 10/08/2006
Reeditado em 01/11/2014
Código do texto: T213246
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
RAYSAN DE SOUZA
São Paulo - São Paulo - Brasil
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RAYSAN DE SOUZA