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O Conto Fantástico

Meus dias não são mais iguais desde que o vi. Havia em mim uma névoa de solidão, que me ofuscava o peito, e ele surgiu como um raio de luz capaz de penetrar a névoa da minha solidão, iluminando meu peito outrora sombrio.

Uma noite, eu vi seu rosto esculpido nas estrelas, pairava sobre ele uma sombra de tristeza. Corri então através dos horizontes ao seu encontro. Minha alma mutilada por sua dor, quisera incessantemente acalmar seu coração; curar sua dor e apagar dos seus olhos a sombra daquela tristeza.

Meus olhos mergulhados em lágrimas, buscaram-no por entre as estrelas. Vaguei todas as constelações e não o encontrei em um só lugar.

Desesperei tantas vezes porque sentia também seu desespero. Noite adentro, já quase sem fôlego, por ele procurei.

Percorri mares, atravessei desertos inteiros; cheguei ao fim do mundo. Fui muito além do horizonte.

Já se fazia amanhecer, o sol despertava de mais uma noite solitária e sobre a relva umedecida pelo orvalho, reluzia imponente. Ouvia-se a sinfonia de alguns pássaros; a natureza suntuosa acordava. A vida se renovava.

Não mais podia ver as estrelas. Minh'alma exaurida da busca, descansava sobre meu corpo inerte. Apenas meu coração desacelerado movia-se compassadamente; meus olhos ainda fixados naquela visão tentavam permanecer acordados.

Um raio de luz tocou sutilmente meu rosto delgado, aquecendo-me. Era dia novamente.

Debruçei-me sobre a relva e ali adormeci por alguns instantes. Logo fui despertada por gritos no portão...

Ao abrir meus olhos, estava no jardim de minha casa com vestes noturnas. Atônita, aproximei-me do portão e pude reconhecer aquele rosto outrora esculpido nas estrelas e sobre ele agora pairava a felicidade.

Seus olhos ardentes iluminavam por completo o jardim; seus lábios sussurravam algumas palavras que, somente ao me aproximar, pude compreender.

Com as pernas ainda trêmulas, corri na sua direção atirando-me nos seus braços, que ao tocar meu corpo, como bálsamo consolou-me a alma mutilada.

Fitei seus olhos e murmurei:

- Passei a noite a te buscar. Vaguei o universo inteiro, vi teu rosto nas estrelas e sofri com teu sofrimento... Onde te encontravas?

Calmamente e com os olhos enlagrimados, falou-me:

- Te procurei também por toda a noite... Minha alma sofria porque buscava a sua e não a encontrava. Eu estava perdido, mas me encontrei no teu amor e te encontrei quando fechei meus olhos e deixei que meu coração me guiasse... Parei em frete a esta casa e a vi deitada sobre a relva como um anjo adormecido.

Quase desfalecida, fui tomada em seus braços e lentamente conduzida de volta ao jardim. Tranquilamente acomodou-me á sombra de uma roseira e ao meu lado também adormeceu.

Acordei novamente já no meu quarto, quando o sol se despedia. À noite o envolvia no seu manto negro fazendo-o adormecer.

Procurei por meu amado. Sobre a cama havia apenas pétalas de rosa e no ar exalava seu perfume entranhado no meu corpo.

Corri desesperadamente para o jardim a sua procura e por entre as roseiras o avistei. Aproximando-me, atirei-me novamente em seus braços e num beijo apaixonado fizemos com que o tempo parasse.
Anne Monteiro
Enviado por Anne Monteiro em 18/08/2006
Reeditado em 17/11/2011
Código do texto: T219450

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Sobre a autora
Anne Monteiro
Igarapé-Miri - Pará - Brasil, 41 anos
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Anne Monteiro