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DE NOVO

                              DE NOVO


      “Você que tanto tempo faz / você que eu não conheço  mais, / você que um dia eu amei demais, / você que ontem me sufocou / de amor e de felicidade, / hoje me sufoca de saudade. / Você que já não diz pra mim / as coisas que eu preciso ouvir, / você que até hoje eu não esqueci, / você que eu tento me enganar / dizendo que tudo passou, / na realidade, é que em mim você ficou. / Você que eu não encontro mais / os beijos que já não lhe dou / foi tanto pra você / e hoje nada sou.”


       Ah, que saudade do nosso tempo! Aqueles dias que, infelizmente, não voltarão jamais. Por que será que a vida nos prega tantas peças? Éramos tão felizes, imagino! que parecia que estaríamos juntos para todo o sempre, amém. Ledo engano. Meus olhos viam o que não existia, meu coração sentia o que queria. E nos enganamos sempre. Ou melhor, quase sempre. Sonhadores que somos, fazemos planos sem consulta ao destino. Isso sem dizer, ao outro. Nossos planos se tornam “nossos” planos. Recíprocos.

E assim continuamos nossa caminhada. Seguros, embora pisemos em areia, naveguemos em nuvens. Aliás, confundimos essa insegurança com a leveza do amor. O que é perigoso nos soa como sonho. A insegurança só nos apresenta sua face desafiadora. Somos onipotentes. O outro não nos ama? Engano. Impossível.

Vivi intensamente esse sonho. Investi todo o meu carinho, todo o meu amor naquilo que imaginava ser o meu futuro. Ao seu lado. Não havia outro caminho. Cada obstáculo que se apresentava à minha frente era apenas um impulso para eu avançar mais; a subida mais íngreme era apenas aquilo que me levaria a enxergar mais longe, o horizonte. Lá do alto, quando atingisse o topo, poderia alçar vôo, como um pássaro, como em uma asa delta. Os braços que me e te enlaçavam eram asas que possibilitavam o vôo.

Não ousei olhar para os lados, não enxerguei nada mais além do caminho à frente, pois seus olhos atraíam incontinentes os meus. Releguei, não a segundo, mas a último plano, todos os amigo, familiares, enfim, todos os demais. Só me importava você. Nem eu.

Até que, um dia, intransigente, você não só me negou os seus carinhos, como se recusou aos meus. “Levei na brincadeira”, como sempre fazíamos. Sua expressão circunspecta não me assustou. Aliás, era mais estimulante. Brincávamos como duas crianças, era mais excitante, mais carinhoso. À noite, você não apareceu. Normal. O cansaço atinge a todos nós. Nós nos encontraremos amanhã. Será um novo dia, tão interessante como todos os outros.

No outro dia, um domingo, nada de você. Não atendia o telefone. Quanto mais me ligar! À noite, de novo, nada de você. Fui, então, à sua casa e você se recusou a me receber. Só então “caiu a ficha”. Você não queria mais me ver! Meu Deus! O chão se abriu aos meus pés. Não era possível, eu estava “vendo coisas”. Era só dar um tempo, era só mais uma brincadeira, era... sei lá o quê! Menos o término de nossa história de amor. Eu iria entrar no jogo.

Fui, então, para casa e fiquei a esperar. Três dias depois, só me restava secar os olhos e rememorar. Como doía! Cada música que eu ouvia era a “nossa música”. Mesmo que não a conhecesse. Ouvia o som do telefone o tempo inteiro. Ouvia a campainha, alternando-se ao telefone. Parecia um complô: ninguém, nenhum amigo me procurava para conversar, para ouvir meu desabafo. Estava abandonado. Por todos.

Resolvi que não entregaria os pontos. Lutaria bravamente pelo seu amor. Como te procurei, te assediei. Como me humilhei! Mas não me parecia nada disso; apenas me enobrecia, mostrava o quanto era forte, capaz de lutar por um amor. Creio que servi de chacota, mas o que me interessava era somente resgatar a minha felicidade.

Tentei olhar para outras pessoas, mas nem sei o calor do beijo de mais ninguém. Não fui capaz. Andei arredio, fugi às tentações. Qualquer vacilo seria uma traição, não só a você, mas a mim também.

Quantas vezes eu tentei voltar, dizer que o meu amor nada mudou. Mas o seu silêncio ao telefone, a sua recusa em me receber, tudo serviu de barreira. Hoje, na distância, sinto que morro a cada momento, que me deterioro, e o pior é que tudo acontece sem você saber. Eu só queria te dizer que nunca tentei deixar de te amar, pois isto é a minha vida. Queria deixar claro que, se alguma vez você pensar em mim, quero que tenha certeza que eu nunca te esqueci. E que estou a te esperar.

Agora, vivo a lamentar, não o tempo perdido, pois não o foi; pelo contrário, aproveitei-o muito. O que lastimo é não ter aproveitado mais. Valeu a pena. Gostaria muito de viver tudo outra vez. Não cabe ninguém mais em minha vida. Vivo a sonhar, a reviver cada momento nosso. Ou meu, sei lá. Porque, pelo jeito, você não viveu o mesmo que eu. Vivemos momentos diferentes, ou seja, os mesmos, mas de formas diferentes. Gostaria que tentássemos novamente.

Será que não terei outra chance? Não de viver feliz outro amor, mas de viver feliz outra vez com você. Será que nada ficou em você? Nada significou para você?
                                            12 / 07 / 05

Pabinha
Enviado por Pabinha em 27/08/2006
Código do texto: T226366
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Sobre o autor
Pabinha
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 51 anos
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