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Estória de vidas passadas... (II Parte)

E os anos passam novamente...

Desta vez eu estava mais velha, com um homem que eu conhecera meses após a ultima vez que Ele apareceu, que o derrotei. As marcas de queimado haviam desaparecido, e eu estava bem. Nós estávamos nos mudando para nossa nova casa arrecém construída. Estávamos casados e nossa casa era bela e grande, com vários corredores, como eu gostava. E no instante em que a olhávamos abraçados, me lembrei de tudo o que a anciã dissera. Ela novamente não tinha errado, e eu percebo isso absorta em meus pensamentos, sem ouvir o que Miguel me dizia.
- Vamos desencaixotar as coisas?
-Vamos sim. – respondi a ele, quando larguei esses pensamentos...

Eu estava tirando meus pertences pessoais de uma das caixas, no meu quarto novo, quando de repente algo me queima. Sinto chamas por meus braços, me queimando, enquanto uma dor terrível alojava-se em meu peito. Um arrepio corre por mim quando me lembro Dele, e viro-me quase sem acreditar. Ele estava vivo ainda! Como isso pode acontecer?
E ele estava não só vivo como muito, muito mais forte. Flutuando perto do teto, ele voava, suas chamas eram muito maiores, saíam até de seus olhos, e tocavam os meus e meu corpo. Eu tentei evocar os silfos, mas o vento não veio, apenas uma brisa leve. Ele sorria, enquanto eu pensava em como sair dali. Ele parecia ler meus pensamentos, e fechou a porta do quarto. Eu gritei com toda a minha voz, chamando por meu marido, que vai com pressa ao quarto. Ele abre a porta e me pergunta o que aconteceu, mas eu só consigo apontar para o teto. Miguel leva um susto que quase o joga para trás, ao mesmo tempo em que Ele também recua quando olha ambos se olham nos olhos. Mas volta ao normal e lança suas chamas para mim, como correntes, me amarrando e me juntando a ele. Eu desmaio por causa daquele calor. E após isso, tudo parece como em um terrível sonho...
E nesse sonho eu estava acorrentada, enquanto Miguel e Ele travavam uma batalha terrível. Miguel vestia um manto longo e branco, e Ele estava com sua aura de fogo cada vez maior. Eu gritava para que Miguel saísse de lá, mas ele não me ouvia, e fecha seus olhos. Quando olho para Ele, me vejo em seus braços, desmaiada, sem meus sentidos, e noto que estava sobrevoando o quarto. Já não bastasse Ele haver me acorrentado, agora me obrigava a assistir aquilo?! “Maldito seja!”, gritei com todas as minhas forças, e nesse momento os dois olham para a minha direção. Eles conseguiam me ouvir! Essa era a minha chance...
Miguel, de olhos fechados, emanava uma energia branca na direção daquela COISA, enquanto apontava com o dedo da mão direita para Ele. Mas Ele também lançava sua energia pra Miguel, que chegou a cortar seu peito, fazendo-o sangrar. Eu vôo até meu marido, e toco sua mão, também envocando a energia dos meus elementais, dirigindo-a até as mãos de Miguel, e com nossa força provocamos a queda daquele anjo de fogo.

Eu acordo com a pancada, ainda nos braços Dele, e Ele parecia estar adormecido. Mas não estava. Me liberto de seus braços, enquanto grito pela força da Deusa, e algo toma conta de mim, enquanto sobrevôo o quarto. Ergo minhas mãos em direção aos céus, e vejo-me em uma floresta. Eu tocava árvores, e recebia meu mais novo elemento, a terra. A força da terra invadia meu corpo, me fazia crescer, como se eu fosse uma daquelas árvores. Meus galhos cresciam, e então eu o vi. Ele tentava queimar minhas folhas com seu olhar, e eu, naquela floresta escura, lancei meus galhos em cima dele como se fossem tentáculos de um polvo. Eis que ele caiu, e então eu o enlacei com minhas folhas cortantes, com meus espinhos, e o joguei no rio. Ele gritava, agonizante, perdendo suas chamas, mas ainda assim prometendo vingança. Eu já não estava mais com medo dele, e voltei lentamente a mim mesma, descendo devagar, tocando o chão do meu quarto, e vendo meu marido desmaiado. Mesmo sem forças fui até ele, que estava de bruços, e o virei para ver o corte. Agora meu marido também ficara com a marca Dele... E ela estava sangrando.
Ponho-o na cama, após tentar inutilmente lavar o sangue que não parava de sair. Eu ligo para uma ambulância, qualquer coisa que pudesse me ajudar, e minutos depois ela chega, carregando meu marido naquela maca, levando-o para o hospital mais próximo...
Eu não o acompanhei, mas fui até a casa de uma velha amiga de minha mãe – e como me sentia só sem minha mãe, desde a morte dela... - Bati na porta daquela senhora, que me recebeu com naturalidade, como se me aguardasse. Eu estava tão nervosa que não me dei conta de que a porta abria sozinha, e que ela me convidava para tomar um chá. Eu aceitei o chá e contei toda a história, desde meus quinze anos, até aqui...
E então, a voz dela me soou familiar. Ela era a anciã que me contava o que aconteceria, a que me procurava em sonhos para me alertar... Como ela sabia de tudo isso? Bem, não importa. Só ela pode me ajudar agora.
- Gostaria que você me ajudasse, pois sei que pode. – eu digo a ela com um ar de pressa, e ela me avisa que tudo o que está acontecendo agora, esteve destinado anos antes, e que tudo tem uma conseqüência.
- Minha filha, pensei que após todos esse anos você tivesse entendido o porquê da existência Dele...
- Não entendo, não sei por que logo comigo, não sei o que fazer para afastá-lo...
- Mas você nunca vai afastá-lo. Isso é impossível, pois ele faz parte de você.
Não entendi bem essas palavras, como não entendia nada do que ela previa, mas continuei ouvindo atenta cada palavra.
- Assim como seu marido é sua alma gêmea, como te completa, AQUILO faz parte de você, é fruto da sua criação... – ela suspirou, enquanto seus olhos doces pareciam me afagar, e segura minha mão, enquanto continua: – Venha comigo, eu lhe mostrarei.

Eu desmaio no mesmo instante, e em seguida vejo-a segurando minhas mãos enquanto sobrevoamos com uma velocidade sobrenatural o planeta. As estrelas passam por nós, e como em um sonho eu estou numa antiga civilização, mais parecendo uma aldeia. Vejo uma moça que me parecia familiar com um vestido branco e longo, numa floresta, dirigindo-se para uma casa que parecia ser um convento. Mas essa moça dá a volta na casa, e vai até um ponto escuro na floresta. Ela chorava... E ao mesmo tempo eu chorava, sentindo uma grande dor em meu peito. Ela pensava em um rapaz que a havia abandonado, e ao mesmo tempo eu o via, vestido com um manto branco e longo. Enquanto a moça chorava, tocava a água com a ponta de seus dedos, proclamando algo como “com a água, que se faça o sentimento e a sedução”, e a água agita-se e eleva-se, e ela toma uma lágrima e lança-a naquela parede de água. Em seguida ela fecha seus olhos e uma chama surge ao redor da água, enquanto ela diz: “Com o fogo, que se faça sua força, e sua energia”, e então o fogo une-se a água, enlaçando-a, abraçando-a, numa dança linda e triste...
Ela continua seu encantamento, soprando um pouco e dizendo: “Com o vento, que se crie nele a inteligência”, e uma luz branca contorna aquele ser, enquanto o vento forte que soprava aumentava ainda mais o fogo nele. E com um pouco de terra em suas mãos, ela diz: “E com a terra, que faça seu corpo a imagem e semelhança dele”, enquanto imagina um rapaz de longos cabelos pretos e olhos azuis cor do céu, que era o rapaz que a havia deixado. Novamente ela chora, ou eu choro, enquanto aquele ser toma forma, descendo até ela e sorrindo de uma forma encantadora. Ele ajoelha-se ao seu lado, e abraça-a com amor. Mas um espírito negro o cobre, apaga sua energia branca, transforma-a em negra como ele, e o olhar daquele moço terno se torna assustador... Suas chamas crescem, enquanto uma voz vinda de longe, não a voz dele, mas outra voz, uma voz demoníaca, lança gargalhadas. A moça fica apavorada, e quando torna a olhar para aquele rapaz, ele está em meio a chamas, e lentamente aproxima seu rosto do dela, beijando-a, e assim tirando toda a sua energia.
A garota cai, e eu caio junto, ela chora, e eu choro, ela morre, e eu acordo absorta com o que acabara de ver...

(continua...)
Alecrim Crim
Enviado por Alecrim Crim em 28/08/2006
Código do texto: T227230

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Sobre a autora
Alecrim Crim
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 27 anos
374 textos (14622 leituras)
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