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O NOIVO


 

Faltava pouco para chegar à cidade onde ele,  o moço egípcio, iria encontrar-se  com a princesa que, desde treze  meses atrás, passara a ocupar espaço nos seus desmedidos sonhos. Menina-moça, tenra flor acabado de nascer para o mundo.
Treze havia sido o número de sorte daquele moço, desde quando, não mais se lembrava. E foi num dia treze, na décima terceira hora do dia, que ele havia visto uma foto da bela jovem, e, tomado de intensa paixão, escrevera  aos  pais dela, pedido-lhes a mão da filha em casamento. Pagou o dote exigido pela família conforme o costume da terra, embora tendo visto a jovem apenas no retrato. Se muito tivesse, treze mil quilos de ouro teria pago para ter para sempre em sua companhia  aquela donzela  de olhar sereno e profundo, de pele bronzeada pelo sol do Egito, de cabelos e olhos muito negros e de boca carnuda.  À jovem, enviou de presente, através de treze mensageiros, jóias de inestimável valor. Treze cartas recebeu em agradecimento pelos muito belos presentes. Na cidade mais importante do país alugou um apartamento de requintado gosto, com treze janelas para o sol, para viver com a amada. Com ansiedade, esperou pelo  treze de janeiro, dia escolhido para o tão sonhado casamento com a donzela que havia-lhe arrebatado o coração.
Faltava pouco para chegar à cidade escolhida para as bodas, faltava pouco para as treze horas e faltava pouco para a gasolina acabar. Desde quando  o sol nem ainda havia nascido  estava viajando. A expectativa do encontro com a moça escolhida havia-lhe   tirado a atenção. Quando deu por si, a luz amarela do painel do carro já estava piscando. Nenhum posto de abastecimento conseguira enxergar naquela estrada cercada de nada e invadida de sol. E foi um custo chegar à cidade a tempo,  com medo de não chegar. Tomou um banho cheio de caprichos no hotel de luxo onde luxuosos apartamentos foram-lhe   reservados. Colocou do perfume que a moça, por carta, informara-lhe  ser de sua preferência. Vestiu o fraque, arrumou os cabelos com gel. Com seus  metro e oitenta de tamanho e setenta quilos de peso, enquanto se aprontava, viu, no espelho, a imagem de um homem bonito e  pensou-a  digna de receber em núpcias a noiva eleita.  Tinha na idéia encontrá-la bela e radiante quando lhe levantasse, após os rituais do casamento,  os treze véus, para lhe dar o primeiro de uma série de treze beijos.
E foram treze os minutos de espera nas ruínas do templo de Apolo. Minutos  que lhe pareceram ter a duração de treze séculos. A noiva entrou triunfal, um andar de pomba,  com seu vestido de cauda longa e treze véus de finíssimo tule. Achou doce a voz da mulher que lhe disse o sim. Desmaiou de susto quando descerrou as treze cortinas. Havia acabado de desnudar o rosto de uma horrenda  e velha mulher. Após  recobrar-se do desmaio, ainda tomado de choque, aos que lhe ofereciam ajuda, pediu que o encaminhasse ao posto policial mais próximo. Precisava fazer uma denúncia contra um casal que havia lhe levado todo o dinheiro, e, ainda por cima, entregado-lhe, aos pés  do altar, envolta em treze véus,  uma mal prendada bruxa.

Terezinha Pereira
Enviado por Terezinha Pereira em 14/09/2006
Código do texto: T240357
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Sobre a autora
Terezinha Pereira
Pará de Minas - Minas Gerais - Brasil, 68 anos
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