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Só Guardanapos...




 Ao comentar com o meu saudoso amigo Herberto Sales, em relação a conclusão de um trabalho literário, ele foi bastante complacente em dizer-me que não há tempo preciso em concluí-lo e ainda me falou:
– Algumas linhas podem durar um século para que venham a ser concluídas; ou um livro, com centenas de páginas, pode ser composto em  meses ou até semanas.
 E, sem via de dúvidas, o grande mestre literato tinha razão; pois, alguns trabalhos, que por mais que tentemos concluí-los, não chegam ao final; não nos vêem em mente a inspiração que sempre desejamos.
  Inspiração... essa benevolência divina de criar coisas ou mundos, de fazer o imaginário em realidade ou enganar aos que lêem, nos chega em diversas ocasiões ou lugares; e, quando essa mesma inspiração acontece, devemos aproveitá-la e anotar cada ponto e não deixar escapar nada. Em relação em como anotar... O bom mesmo é sempre andarmos com caneta em nosso poder... e não esquecer do papel, lógico! Quando esquecemos do papel, aproveitamos tudo o que está ao nosso alcance. Até mesmo nos banheiros, mesmo sendo um local de pouca inspiração, mas, se lá estivermos e a inspiração vier, também devemos aproveitar e escrever nos mesmos papéis que não foram feitos para serem escritos. Como estou dizendo: aproveitar o que for preciso!
Um local, que tais fatos imaginários mais teimam em aparecer é quando eu estou em um restaurante. Não falo com esnobismo; falo sim, por ser o lugar onde depois que eu almoço, fico a observar o comportamento das pessoas. E como eu falei: aproveito tudo que está ao meu alcance para não perder nenhum detalhe; nos restaurantes, ainda tenho uma grande vantagem: aproveito os guardanapos e faço rabiscos das idéias que me surgem.
 Nos guardanapos que rabisco, alguns daqueles maus traçados rascunhos, já poderiam até mesmo ter sido editados devido a quantidade razoável de contos criados em tais ambientes e, certamente, dariam até mesmo para confeccionar um simples livro. Mas, a maioria dos tais rabiscos são jogados ao lixo.
Com certeza, os donos dos restaurantes, sem saberem do que se trata, não ficam satisfeitos com um cliente que lhes estraga os guardanapos; não imaginam que dentro do seu restaurante pode estar sendo criado uma obra de arte, ou mesmo mais trabalhos para os garis que transportarão mais detritos.
Para evitar que os proprietários fiquem zangados com o desperdício dos papéis, aproveito os guardanapos que seriam jogados ao lixo e passo-os nos lábios na maioria das vezes. Só que muitas vezes esqueço que as canetas que estava usando, eram atômicas.
 Uma vez, dentre tantas, depois que paguei a conta, a pessoa do caixa que estava cabisbaixa, nada percebeu. Mas, chegando à rua, alguém, um desconhecido, me avisou que meus lábios estavam roxeados. Passei a mão e percebi que o meu rosto estava maquiado... uma péssima maquiagem; pois, só os meus lábios estavam sujos.
Depois do susto e vergonha, fiquei a sorrir e a pensar. Mas, me contentei e ainda imaginei: AINDA BEM QUE UTILIZEI GUARDANAPOS LIMPOS, EM VEZ DE PAPÉIS HIGIÊNICOS E NAQUELE ESTADO...


Carlos Alberto de Carvalho (Carlos Carregoza)


  Obs. Todos os meus trabalhos estão registrados no Cartório da Biblioteca Nacional-RJ.
carlos Carregoza
Enviado por carlos Carregoza em 21/09/2006
Código do texto: T245517
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Sobre o autor
carlos Carregoza
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 53 anos
102 textos (5970 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 10/12/16 18:30)
carlos Carregoza