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O BATISMO DO EMÍLIO

Numa cidadezinha do interior, chamada Paraíso,dessas em que os casamentos e os batizados são realizados apenas uma vez por ano, aconteceu o seguinte:

O padre vinha da cidade grande, realizava os casamentos comunitários e em seguida, depois de algumas  orientações para os pais e padrinhos, batizava as crianças que precisavam serem iniciadas na fé cristã.

Assim sendo, havia na cidade uma grande movimentação por parte da comunidade religiosa, pode-se até dizer, uma grande festa, um acontecimento social de grandes proporções, considerando-se é claro o número de habitantes da cidade.

Os fazendeiros da região e os seus empregados levavam as crianças para batizar, as suas imagens de santos, as chaves das casas e as chaves dos carros (aqueles que possuíam carro) e alguns animais de pequeno porte para que fossem benzidos ou serem abençoados. Era uma movimentação danada... Uma recepção de causar inveja aos habitantes das cidadezinhas mais próximas.

Tudo dentro dos conformes. Chegou o grande dia, foram planejadas as atividades comunitárias coordenadas  pela primeira-dama do município, entre elas um almoço no Salão Paroquial da Igreja, ao qual as pessoas compareceriam levando algum prato combinado previamente com a coordenadora do evento.

Mais uma vez, tudo organizado e coisa e tal... Chegou a hora dos casamentos e eles foram realizados dentro das expectativas dos casais participantes. Em seguida o batismo das crianças e entre elas, algumas que já não eram tão crianças assim, eram pré-adolescentes...

O padre Zezinho, também conhecido como Zé Pequeno, depois de passar para os pais e padrinhos as instruções complementares a respeito do Sacramento do Batismo e das Responsabilidades dos Pais e Padrinhos, iniciou a árdua tarefa de batizar quase trinta crianças barulhentas e choronas, e entre elas, algumas já crescidinhas, e bem mal-educadas, que já estavam na pré-adolescência, conforme foi mencionado anteriormente.

Tudo bem, tudo sob controle até aqui... Chegou a grande hora, o ponto culminante da celebração. O ritual religioso começou com aproximadamente meia hora de atraso. O padre, meio aborrecido com a demora, se aproxima da primeira criança, a ser batizada,  pergunta o nome da mesma aos pais e padrinhos e,  em  seguida, coloca água na cabecinha da mesma, unge o seu peito com o óleo que foi especialmente preparado para esse fim e pronuncia as seguintes palavras:  Fulano de tal, pela autoridade que a mim foi conferida pela nossa igreja, eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, repetindo esse mesmo ritual com as outras criança.
 Eu ia me esquecendo, de falar da vela que simboliza a luz de Cristo, ou a fé da pessoa que está sendo batizada, no caso, da criança, através da fé dos seus pais e padrinhos.
Ela deve estar acesa  e na mão de um dos padrinhos durante a administração deste sacramento.

  Chegando a vez de uma criança um pouco maior, ser batizada,  o padre perguntou ao pai da mesma qual era o nome dela. O pai respondeu prontamente:   É  MILHO!
O sacerdote entendeu, e o batizou proferindo as mesmas palavras já mencionadas e que fazem parte do ritual da igreja. Em seguida, aproximando-se de uma outra criança, perguntou aos pais e padrinhos qual era o nome da mesma.
 Eles responderam em uníssono: É  FEIJÃO!  Bem esquisito, não é?

O padre questionou dizendo que isso não era nome de gente. Feijão é nome de uma planta. O pai do menino ficou bem zangado, e insistiu dizendo que se o filho do seu patrão podia se chamar É MILHO, o dele poderia, com toda a certeza,  se chamar É FEIJÃO.

Diante disso, formou-se uma grande confusão, e a cerimônia foi interrompida. O pequeno sacerdote, Zé Pequeno, acabou se escondendo atrás de um homem grande e forte de quase dois metros de altura, o João Grandão. O tal João, tinha um físico de carregador de piano e uma cara bem pouco amistosa. Pois bem, ele gostava do padre, o respeitava e  resolveu protegê-lo.

Como se fosse um anjo, ele abriu as asas, melhor dizendo, os braços e falou em alto e bom som: Para bater no padre, meu compadre, vai ter que passar por cima do meu cadáver. - Não tem problema, estou armado e o meu trinta e oito, não fica calado. Bang!  E o tiro saindo do cano da arma acabou atingindo próximo ao coração uma imagem de São Sebastião.  Puxa vida, que mancada, o Santo acabou tendo a sua imagem atingida e furada.

A confusão foi total, alguns deitaram no chão, até ficar tudo normal. Para falar a verdade, foi um Deus nos acuda e o susto foi bem grande, quanto a isso não se iluda. Afinal foi uma pena, toda essa confusão, acabou tirando o brilho do batizado do É MILHO e também do É FEIJÃO que acabou não sendo batizado... Num momento importante, um homem ignorante apelou para o trinta e oito junto ao padre Zezinho, esse padre pequenino, esse homem itinerante...

E para terminar essa história, esse momento de glória, o Emílio que é agitado, menino muito levado, correu e entrou numa porta, e acabou saindo por outra, eu acho que acabou a história,  quem quiser que conte outra.                 E o  É FEIJÃO ficou zangado,  porque não foi batizado e vai ter que esperar...O próximo ano chegar.

             




                                                       




Jorge Gil
Enviado por Jorge Gil em 23/09/2006
Reeditado em 13/04/2007
Código do texto: T247256

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Sobre o autor
Jorge Gil
Goiânia - Goiás - Brasil, 79 anos
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