Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

O Amor e o Ciúme

Eis que o Amor, tão sublime e soberano recebe a visita do Ciúme:
 
- Que faz aqui, infame sentimento - pergunta o Amor

- Mandaram-me aqui para ficar a teu lado. Disseram-me que devo sempre estar perto de ti, por que sem mim tu não és reconhecido.
 
E o Amor riu de suas risadas mais gostosas:
 
- Ah que ingenuidade! Achas mesmo que preciso de ti para que me reconheçam?

- Sim, muitos dizem que só percebem tua presença quando arranham os com   minhas farpas.
                                               
 - Bem eu poderia até deixar que se juntasse a mim, mas comigo não serias livres e sim regiamente controlado.
 
Então nesse momento ambos avistam ao longe a passagem de um grande vendaval.
 
- Apressa-te  - disse o Amor ao Ciúme  - é ela a quem tu deves juntar-se.
 
- A quem te referes?
 
- À Paixão - essa garota que me dá tanto trabalho. Sua diversão maior é passar - se por mim. E quando, achando que trata - se de mim a aceitam, ela instala - se e causa grandes turbulências.. Geralmente vai embora depressa, e eu tenho a tarefa de reparar seus danos. Muitos relutam em aceitar-me, por ainda estarem sob o efeito das marcas que ela deixou. E alguns passam até a vida toda fechando seus olhos para mim.
 
- Sim! disse o Ciúme - Agora a reconheço. Formaremos uma grande dupla.!
 
- Deve correr para apanha-la, porque tu não sobrevives sem ela, nem ela sem ti. Infelizmente não posso evitar que cumprar suas missões. Por causa de vós, muitos julgam me cego, mas não o sou. Ela é quem causa cegueira , além de sua própria visão ser muito limitada. Quanto a mim tenho visão ampla, enxergo além e aos pormenores. Trago como aliado o Perdão e posso ser capaz de habitar diversos lugares. Também muitas vezes levo em minha jornada a Paz, uma grande companheira.
 
Um tanto envergonhado, o Ciúme desce do alto do cume em que estava e corre ligeiro atrás da paixão, logo esquecendo sua vergonha.

Algum tempo depois o Amor lentamente começa a descer do cume e também com lentidão começa a soprar as cinzas deixadas, muitas vezes tão apreciada, ateada pela Paixão, medicando as feridas e podendo avistar ao longe uma outra amiga da Paixão e do Ciúme: a Dor! Geralmente a mais dificil de ser posta pra fora.

E de repente o Amor começa a apressar-se, temendo que a Paixão, ligeira como era, aquela doce traiçoeira, resolvesse de novo voltar por aquela mesma estrada e colocasse a perder o seu ardoroso, mas incansável trabalho.
Regina Gonçalves
Enviado por Regina Gonçalves em 24/10/2006
Reeditado em 03/03/2007
Código do texto: T272178

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Regina Gonçalves
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 33 anos
77 textos (7951 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/12/16 16:42)
Regina Gonçalves