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Projeto Tenora - Diabrete da Lua

Tarde da noite a lua se estendia alta e minguante lançando sua pouca luz entremeada às arvores. Descansava na clareira um homem vestido com uma capa preta que tentava usar como cobertor para espantar o frio da noite. Tinha medo de acender uma fogueira, pois acabara de roubar as economias de um pobre fazendeiro. Ainda ouviam-se os latidos dos cachorros e o barulho dos homens que o perseguiam. Só o que conseguia pensar era como escaparia daquela situação e no castigo que o seria imposto a receber. Pensava se seria levado ao Tribunal de Mytra ou se o fazendeiro e seus filhos iriam fazer-se de juizes. E enquanto pensava tremia. E tremendo dormiu.
Acordou assustado não sabendo quanto tempo havia dormido, mas o barulho de seus algozes havia cessado. Enquanto se perdia em meio aos seus pensamentos e hipóteses que formulava foi surpreendido com uma risada feminina. Era uma risada baixa e meio sarcástica. Um tanto infantil e ameaçadora. Olhou para todos os lados antes de descobrir uma moça sentada em um galho de árvore logo acima de sua cabeça. Em um salto ela caiu de pé no meio da clareira. Revelou-lhe um lindo cabelo loiro, bastante claro, um vestido tão branco quanto a lua que minguava alta no céu e, surpreendendo-o, asas de morcego emergiam das suas costas, porém eram tão alvas quanto o vestido o que o confundiu, seria o vestido? Quando desfocou-se das asas olhou para seu rosto. Era um rosto bonito e esbelto e seus olhos eram esguios e não se via sua íris, nada além de um contorno esfumaçado no glóbulo ocular. A visão de tão assustador olhar o petrificou no chão.
Ao retirar sua mão esquerda de trás do seu corpo mostrou uma grande lâmina envergada como se fosse a própria lua minguante alta no céu. No meio da lâmina havia uma haste de madeira para que se empunhasse a lâmina tanto esta como aquela na horizontal. Essa arma era conhecida como a Lâmina da Meia-Lua. Em passos lentos ela se aproximava do homem ao chão. Este se levantou e sacou sua espada, pequena, fina e leve. A empunhava como se a havia batido contra uma pedra de tanto que tremia. A moça atacou-o com uma força muito superior a que aparentava ter. Ele defendeu com sua espada, porém a força e a curva da lâmina afastou a defensora e o arco contrário da Lâmina seu espaço suficiente para que esta pudesse cortar o ventre do adversário. Ao ver o corpo partido em dois no chão, ela sorriu apreciando o estrago que sua arma havia feito, limpou-a na capa do defunto e guardou-a nas costas. Abriu suas asas e saiu voando com seu vestido impecavelmente branco como se nenhuma gota de sangue a havia tocado.
Quando o fazendeiro achou o cadáver putrificando-se na clareira, quando a luas minguante já não estava mais no céu, mas sim o sol quente, recuperou seus pertences. Achou que era uma benção de Mytra o mal que aconteceu ao ladrão e onde ele encontrou o corpo construiu um pequeno templo dedicado a Deusa em agradecimento a justiça dada a ele.
BOI (Luciano Alencar)
Enviado por BOI (Luciano Alencar) em 31/10/2006
Reeditado em 11/09/2011
Código do texto: T278764
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
BOI (Luciano Alencar)
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 29 anos
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BOI (Luciano Alencar)