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"Acolá"

       Havia uma cidadezinha tão pequenininha, mas tão pequenininha, que nem nome direito tinha. Era conhecida como "Acolá". Vez por outra, "Acolá" era citada nos jornais da capital, porque, apesar do nome e dos habitantes tão humildes, tinha uma qualidade imensa: era super especial. Tudo em Acolá era diferente, o tempo andava lentamente, as horas se arrastavam preguiçosamente , os minutos dormitavam e os segundos se ignoravam, mas todos eram felizes dentro da vidinha, que levavam. Ninguém brigava, ninguém se aborrecia e todos se amavam. Era o paraíso dos contos de fada. Parecia que os anjinhos levitavam por todo lugar e abençoavam cada canto, daquele recanto...

         O que se plantava, em Acolá crescia, vicejava e se transformava em coisa do céu, de tão especial como eram semeadas, cultivadas. As frutas eram mais adocicadas, verduras eram mais esverdeadas, os legumes mais coloridos e avantajados. Dia de feira em "Acolá", porque era tanta e exuberante a beleza, que a própria natureza se engalanava para se apresentar. Era para se engrandecer muito, mas Acolá era humilde, demais para se envaidecer.

         Lá as flores tinham tanta cor, que cintilavam ao sol, nas suas nuances simples e esplendorosas. E os perfumes, que delas exalavam, eram um misto de odores doces e angelicais, inebriantes, embriagadores. Podia-se ver esteiras coloridas , num festival de espécies, desde as mais ricas e elegantes que fossem até às mais humildes do campo, se entrelaçavam e se perpetuavam naquele festival perene de beleza e esplendor. Parecia mágica a vida de Acolá.

         A passarada, em múltiplos gorjeios, escurecia os céus de Acolá, quando as noites viravam dia.Voavam soltas, cadenciadas asas a se movimentarem em meneios tons, em busca da abençoada liberdade de viver,  que foram agraciadas. Eram múltiplos os cantos que se harmonizavam, notas que se aglutinavam num recurso que foram dotadas nas emanações de sons e tons divinos. Tudo era alegria, era fantasia, nos céus de Acolá.

        Os habitantes tinham prazer em viver, pois a cada dia, apesar da pobreza do lugar, tudo se enriquecia e se mostrava diferente se destacando, humildemente. Parecia que o tempo tinha parado e se fixado em perene encanto, deste recanto embriagador e sedutor.  Acolá não permitia que estranhos, com sua cobiça avassaladora, entrassem e poluíssem suas terras, para ela não perder as maravilhas de suas qualidades, pois  iriam mesmo tentar modificar ou se enriquecer às custas dessa cidadezinha abençoada.

        Acolá vivia e se movimentava, lentamente, como se não quisesse que tudo acabasse e, repentinamente, tudo se modificasse nas mínimas emoções que se criavam. Como era invejada, "Acolá", ao mesmo tempo era desprezada pelo passantes que queriam dela só se aproveitar.

           Era a cobiça, em forma brutal, era a ganância, a vontade de arrastar dela o que tudo dela pudessem obter, sem piedade, nem constrangimento.

         Sejamos como habitantes de Acolá, aliás sejamos a própria Acolá, na sua simplicidade, na sua exuberante beleza, na mais completa ausência de inveja. Sejamos humildes, amigos sinceros, leais, oferecendo uma fraternidade recheada de cores, nuances, perfumes, odores, cânticos das mais lindas flores, das aves sedutoras em imagens de liberdade, respeito, amor, carinho e amizade. Nesta época de Festas, sejamos "Eterno Natal" em nossos corações, nos doando, protegendo, amando nossos irmãos nas dores, repletos de  solidariedade e respeito, cheios de amores... Sejamos Papai Noel dos sofredores, em ânsias emocionantes, para sermos só flores...

Maria Myriam Freire Peres
Rio de Janeiro, 23 de dezembro de 2004
Myriam Peres
Enviado por Myriam Peres em 15/07/2005
Reeditado em 15/07/2005
Código do texto: T34561
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Sobre a autora
Myriam Peres
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 86 anos
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Myriam Peres