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LINDO SONHO!



                 Noite escura, sem brilho algum...
-eu mais dois, pelas curvas do caminho,aprumados passos,rumo ao desconhecido destino, apenas orientados pelo bater dos pés no chão.

No máximo da escuridão com o medo apertado nas mãos, aos braços da tensão, alcançamos a margem lamacenta do rio.
Atravessa-lo, eis o problema. Uma caixa de fósforos era tudo o que tínhamos nos bolsos para iluminar o espaço entre uma margem e  outra. Nervosos, seguramos com força o corrimão da pinguela – uma tora de madeira de vinte metros, (mais ou menos), de extensão percorridos, um farejando o outro, com  o cuidado à flor da pele, contando os minutos, segundos e os balanços da tora.

-Enfim, salvos, pisamos terra firme,por um instante, ainda,  sentimos o balançar da madeira nos trejeitos do nosso corpo querendo acostumar-se ao prumo da terra, porém desestruturado da maneira normal de apoiar-se no barranco do rio. Do outro lado, dois burros nos esperavam para mais um trajeto mato a dentro, um guia empunha um candieiro, revezando o lombo dos burros- dois montados, dois à pés, tocando o orvalho das folhas, ao som de morcegos e corujas- bichos que não temem a noite- se orgulham de sua intimidade.
-Mais um rio-foi o que vimos. Outra travessia, outra pinguela, desta vez uma espécie de talos de madeira postos um ao lado do outro, formando uma ponte suspensa, móvel, acompanhando a calmaria - um minúsculo ponto de luz  ao longo da ribanceira-que mais parecia um barco a velejar no horizonte perdido.  Novamente, nos entregamos aos braços da pinguela : passo a passo; medo a medo até o último ronco das águas embalando a leveza dos passos e a esperança nervosa de rapidamente, contornar o espaço, com firmeza.

Os burros e o guia, ficaram do outro lado. À nossa vista,  uma carroça puxada por dois bois, na qual subimos,  nos acomodamos,fomos          conduzidos como que automaticamente, horas afins.  No final de
seus destinos os bois travaram; nem para frente, nem para
trás, obrigaram-nos a saltar... mais à frente enxergamos
uma charrete com cocheiro e tudo, e a aurora a nos receber, seguimos maravilhosas paisagens, campos floridos, árvores de acenos com seriemas a ensaiar um canto de boas-vindas e passarinhos de bico afinado, enquanto andorinhas bailavam ao canto dos bem-te-vis, sabiás e mais uma variedade de outros seres da natureza de matas verdejantes e perfumadas, de causar inveja a qualquer  habitante da “babel” infernizante.

Por fim, chegamos ao nosso destino- uma cidade de cor branca,
pessoas alinhadas e sorridentes, de bem com a vida, cheias de alegria, embevecidas com a nossa presença, lindo um mundo de magias, sem orgulhos ou distâncias – comunidade de amores contundentes, operando bom-humor e  realidades contrastantes.

Ao acordar percebi tratar-se de um - LINDO SONHO, focado em etapas, obstáculos e objetivos- aspirações - DA VIDA.
Zecar
Enviado por Zecar em 31/08/2005
Reeditado em 14/10/2015
Código do texto: T46468
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Zecar
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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