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Amores Em Seu Tempo


Hoje, ao olhar para o céu me deparei com uma imensidão incomum. Foi como se a visse pela primeira vez, me encantei, deixei de lado o mundo sob meus pés e embarquei neste fora ao alcance das minhas mãos.

Naquela vasta escuridão, algo prendia meu olhar. Aos poucos percebi que havia uma estrela, apenas uma entre milhões, mas que me chamava atenção. Não conseguia parar de observa-la. Comecei a me questionar, mas porque ela? Parecia que quanto mais a observava, mais ela brilhava. Não demorou muito, para me encontrar conscientemente hipnotizada.

Uma vontade de tê-la mais perto, tomou conta de mim. Subi em um local mais alto,mas não me satisfiz. Subi mais alto e mais... Até olhar ao redor e perceber que estava no topo, dali, meu corpo só, não passaria. Estiquei os braços, sabia que ainda sim não conseguiria alcança-la, mas não podia deixar de tentar. Entristecida, me conformei, não conseguiria toca-la com as mãos, meu corpo se tornou um fardo ao meu desejo. Um sentimento de impotência se misturou com a decepção do impossível.

Indignei-me, porque a queria tanto senti-la, se sabia que não poderia toca-la?
O silêncio dentro de mim me fez entender que para toca-la, não necessitaria das mãos, podia senti-la com os olhos. Além do que, para desejos não há explicação. Assim, lentamente permiti, que seu brilho intenso me invadisse por completo e pude perceber que em mim, haviam lugares que apenas eram escuridão.

As horas começaram a se despedir da noite e aquela imensidão ia se esvaecendo pelo amanhecer. A sensação de perda me cercou, já bastava não poder tê-la em minhas mãos, agora também seria tirada dos meus olhos. Porém, logo me consolei, apesar de não mais alcança-la com os olhos, oras, ela ainda estaria ali. Aprendi que é necessário abrir mão do egoísmo para se amar a natureza, não há porque muda-la, basta respeita-la. Abandonei meus anseios e aguardei sua volta.

Enfim a noite nasce pelos céus, ansiosamente a procurei, mas não consegui encontra-la... teria ela se escondido em meio aquelas outras milhões, será que simplesmente havia desaparecido? Ou será que apenas não a reconheci?


                                  “Há amores que nascem tão ocasionalmente, quanto terminam. À  medida que mudamos nossa visão sobre a vida, nos permitimos enxergar novos amores, os que nos acompanham até que nos complete para um novo ciclo”.
Débora Castro
Enviado por Débora Castro em 26/08/2007
Código do texto: T624453
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Sobre a autora
Débora Castro
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 31 anos
114 textos (5643 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 19/10/17 13:19)
Débora Castro