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Drogas pesadas

Lucinha até que era uma menina bonitinha, pena que ela estragava a sua beleza com alguns hábitos que tinha e com sua maneira de se comportar. Quase sempre usava uma mini saia bem curtinha, o que lhe caia muito bem porque tinha as pernas longas, grossas e bonitas. Quando colocava uma calça comprida era sempre um jeans sem bainha e rasgado em vários pontos das pernas.
Só andava com um tênis surrado ou de sandálias havaianas e suas orelhas tinham muitos furos. Ela usava pelo menos meia duzia de brincos em cada uma delas.
Tinha também alguns pincem colocados em diversos pontos do corpo. Um no lábio inferior, um outro na língua, mais um no nariz e um que só os meninos com quem transava viam. Ela usava uma argolinha prateada em um dos lados da sua vagina.
Seus pais viviam desgostosos com ela, seu irmão sentia vergonha da irmã que tinha e ela vivia sendo repreendida pela professora:

- Lucinha. Quantas vezes eu te falei que não quero que mastigue chiclete na minha aula?

- Que é que tem fessora? Eu não to incomodando a aula e nem faço barulho com a boca como muita gente.

- É um hábito horrível que eu não admito dentro desta sala. Jogue fora esse chiclete ou se retire da classe.

- Ta bem... Ta bem fessora, ela falava e colocava os dois dedos de sua mão na boca para pegar o chiclete, que mastigava, e colá-lo sob a carteira.

- Ai é lugar de colocar o chiclete Lucinha? Jogue essa porcaria no lixo.

- Deixa ele aqui fessorinha. Ainda ta docinho e depois da aula eu pego. Dá pra mastigar mais duas ou três horas.

O irmão dela, que era dois anos mais jovem, parecia bem mais velho que a irmã e muito mais ajuisado do que ela. Os pais tinham muito orgulho dele que só lhes dava alegrias. Era um ótimo aluno, muito estimado pela professora, e um menino de hábitos sadios. Gostava muito de ler um bom livro e ouvir músicas. Adorava MPB de primeira linha e passava horas encantadas com os clássicos. Era apaixonado por Mozart.
A professora um dia comentou e perguntou a ele:

- A Lucinha nem parece ser sua irmã. Como pode ser tão diferente de você?

- É professora. De uns tempos pra cá ela está completamente alienada. Era uma menina tão legal, mas desde que se envolveu com drogas sua mente se deteriorou.

- Ela fuma maconha, meu filho?

- Se fosse só isso tudo bem. O ruim é que ela está usando drogas pesadas.

- Então ela está cheirando cocaina?

- Se fosse isso, ou qualquer outra droga química, ficava mais fácil a gente ajudá-la e dela se recuperar. É coisa muito pior professora. Ela está dependente de drogas muito piores que estão destruindo o cérebro dela. A senhora pode ver no jeito dela falar e de se comportar o que essas drogas estão fazendo com ela.

- Mas que tipo de drogas ela anda tomando?

- Ela curti coisas como o grupo do "É o Tcham", "O bonde do Tigrão" e outros desse nível. Passa horas na frente da televisão assistindo o programa do Gugu, domingão do Faustão ou qualquer outra baixaria e ao invés de ir a um teatro ou a um show, que tenha profundidade e enobreça sua alma, ela se reune a um bando de viciados e vai ver esses espetáculos de baixo nível.

- Então o caso da sua irmã é mesmo crítico e se ela está dominada por essas drogas não tem mais jeito não. E não é só ela não meu filho. Como ela, milhares de jovens estão tendo os seus cérebros atrofiados por essas drogas. Até as crianças estão tendo acesso a elas. A gente liga a TV, num programa infantil, e ao invés de ver brincadeiras sadias e historinhas educativas ele está cheio desse tipo de droga. A gente vê neles as crianças alienadas, sob o total domínio dessas drogas, rebolando a bundinha em cima de uma garrafa ou qualquer coisa parecida. Essas drogas sâo mesmo terríveis e estão destruindo os cérebros desta geração.

CARLOS CUNHA o Poeta sem limites
Enviado por CARLOS CUNHA o Poeta sem limites em 13/09/2007
Reeditado em 13/10/2007
Código do texto: T650229

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Sobre o autor
CARLOS CUNHA o Poeta sem limites
Japão, 63 anos
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