Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Só uma história de amor.


Ela era uma boa moça...
Solidária, dedicada, companheira, dessas pessoas que todos falam bem.
Sempre disposta a ajudar a quem quer que dela se aproxime.
Era uma mulher bonita de todos chamava atenção.
Ela se gostava, se tinha um grande defeito esse era ser vaidosa.
Gostava de se cuidar, de saber que era bonita, fazia isso para si... mas gostava de saber que todo mundo ia admirá-la.
Era boa a sensação de entrar em um lugar e ser admirada por quem ali estava.
Mas sabia também que tem muitas outras coisas na vida mais importante que isso.
Quer dizer quase tudo é mais importante que sua vaidade, vaidade é coisa que se pode
deixar de lado se for preciso!
Bem tinha uma coisa que pra ela era mais importante que ser bonita...
Gostava de aprender tudo aquilo que ainda não sabia... quer dizer queria  saber
tudo que a sua frente se apresentava, não tinha estudado muito, por que casou nova
e parou de estudar para cuidar dos filhos, da casa, do marido, da vida que escolhera.
Sem lamentações, isso não fazia mais parte da sua vida, lastimas não... viver, ser feliz da maneira como a vida se apresenta, se acha que está ruim..vá a luta, mude, mas sem lástimas.
Sendo assim, decidiu que iria aprender a desenhar dentre todas as coisas novas que estava praticando, desenhar... ficar mais perto daqueles grandes e idolatrados mestres da pintura, que estavam lá no Olimpo..que ela sabia nunca conseguir escalar..mas se conseguisse ficar no pé do monte já estaria respirando o mesmo ar que eles, já seria o
máximo!
O folheto dizia Rua dos Sonhos n° 24, chegou, era um sobrado com um ar bonito, branco com janelas azuis, uma dessas casas antigas, bem conservadas, que se alugam para comércio.
Uma jovem com um ar de feliz a atendeu e deu as primeiras informações.
As aulas seriam as segundas e quartas, das 14:00h às 17:00h, começaria a aprender os primeiros traços na próxima segunda-feira, saiu de lá entusiasmada.
Estava pensando em como o universo nos surpreende, como podemos ter boas surpresas
se soubermos levar a vida.
Ela estava vivendo um momento especial , tudo corria bem, todas as pessoas que amava estavam se encaixando na vida, e ela estava ali naquele ponto  em que podia tudo, a sensação que tinha é que o que quisesse conseguiria, era só ir à luta e tudo se materializaria.
Poe enquanto, iria pegar um cineminha, estava ansiosa por chegar segunda-feira e começar sua aula, sua mais nova aquisição.
Lá estava ela de novo ali naquela casa que lhe dava um ar tão agradável, ansiosa por começar.
Como seria o professor?
Deus queira, seja alguém bem legal, para que aja prazer em vir aqui.
O grupo era pequeno, haviam dito que era assim, para que houvesse condição de dar atenção a todos.
São duas horas está na hora do professor chegar, pensou ela enquanto conversa com uma amiga de classe, uma senhora muito simpática que já fazia aulas há seis meses, e dizia que adorava que todos ali eram pessoas especiais.
O professor chegou, Otávio, esse era o seu nome , um homem de uns 37 anos, moreno, nem alto, nem baixo, nem gordo, nem magro... mas com um olhar penetrante, e um pouco triste.
Deu boa tarde a todos, ela era a única nova ali, todos já estavam fazendo aulas, estreante só ela.
Depois de dizer rapidamente o que cada um deveria já ir fazendo, veio até ela, para iniciarem sua mais nova aventura, ser uma desenhista...
Nossa já são cinco horas e ela nem percebeu o tempo passar, deliciosa essa tarde, todos são agradáveis, divertidos, e ela como uma falante inveterada, deu-se muito bem com todos, adorou, ficará torcendo pra logo chegar quarta.
Nossa já fazia três meses que começará o curso, não imaginava que seria capaz de
desenhar tão direitinho como estava fazendo, era muito bom essa sensação.
Mas com certeza fizera outras aquisições fantásticas, advinda do fato de ter ido ali para começar aquele curso.
Fizera bons amigos  que às vezes as sextas feiras se juntavam para uma cervejinha...
Foi a algumas exposições bem legais com a turma, e com a companhia do Otavio e com seu conhecimento de artes, era sempre uma grande e agradável aula que ganhavam, além das deliciosas companhias.
Ele se mostrou uma pessoa encantadora, quer dizer mais do que isso, apaixonante, e por uma pessoa apaixonante só uma forma de se reagir... apaixonar-se.
Com ela não tinha sido diferente, estava apaixonada por Otávio, de uma forma que achava não ficaria nunca mais, afinal de contas adolescente ela já fora, fazia um par de anos... (eh! mania que se tem de achar que paixão é privilegio de adolescente..!!!graças a Deus, não é), não entendia como podia estar sentindo tudo aquilo daquela forma.
Tinha certeza que ele não era indiferente a ela, mas nada acontecera até agora, além de olhares que nos deixam em brasa... toques de mão que dão choque..essas coisas que a gente esquece que há, até vir a sentir de novo.
Bem suas aulas tornaram-se o centro da sua atenção.
Tornaram-se o motivo por que ela tingia os cabelos, comprava o sapato novo, ou aquela blusa que em sua opinião a tinha deixado encantadora.
Bem a vida passava, e esse amor alimentava seus dias, suas horas, seus minutos, seus segundos.
Estava tomando uma proporção que ela não imaginava seria capaz...
Amar dessa forma, meio louca, meio puro, meio pecaminoso, meio sei lá...
Mas era bom, era bom demais.
Ela não era uma pessoa com tendências ao sofrimento, à tortura, isso era coisa do passado, a de hoje era uma pessoa que sabia que tinha vindo a esse mundo pra ser feliz.
Que curtir amor doloroso não estava com nada.
Precisava dar um jeito de falar com ele sobre isso, de ouvir dele o que ele sentia, fosse lá o que fosse, mesmo que ouvisse:
- Tudo isso é criação de sua imaginação, sinto muito.
Mesmo isso era melhor, do que essa ansiedade, essa sensação de impotência que estava sentindo.
Ah! Em conseqüência desse sentimento maravilhoso que estava tendo, voltara a escrever, por no papel seus sentimentos, como fazia com seus riscos guiados pela mão forte e viril de seu amado em suas aulas de desenho.
Ah! Quantas vezes, quando olhava aquelas mãos guiando seu lápis, ajudando a traçar melhor aquele contorno corporal, não imaginou como seria ela em sua nuca a conduzi-la
a lábios carnudos, sensuais que era acompanhados de um sorriso misterioso, um sorriso que era sem saber ser...o sorriso mais desejado que ela já vira, sentira, quisera.
Devaneios são fantásticos, alimentam a alma, dão um brilho no olho delicioso, mas se ficam só nisso passam a ser uma doença, e doença, mesmo que seja de amor, não é boa, fere, doe, e amor tem que ser luz, claridade, felicidade.
Está decidido dará um jeito de conversar com ele, e ver o que ocorrerá, como reagirá, nossa...!!! de pensar nisso seu coração acelera, de uma tal forma que tem certeza, vai já , já saltar boca afora...
Ah! Se dissessem a ela que estaria sentindo tudo isso hoje, ontem, diria:
-Está louco, sou adulta, maior de idade vacinada, não sou propensa a coisas como essa.
Cada dia que passa vê que há uma grande verdade a ser exercitada, nunca diga não, aí você não corre o risco de admitir que sim.
Bem vai ser hoje, todos vão tomar aquela cerveja de sexta, ele prometeu ir e ela dará um jeito de pegar uma carona na volta.
Como o planejado, está dentro do carro dele, voltando pra casa, sua cabeça está rodando, e não dá pra saber se é o fator etílico, ou se é o fator amor...
Tem pra si que o fator medo, duvida, ansiedade está tomando proporções incalculáveis,
Nossa, de novo seu coração está querendo cometer suicídio, querendo se atirar pela boca!
Bem lá vamos nós...
Chegaram à porta de casa, no rádio toca uma música que diz algo como... “como são os seus beijos?”
Pois é, não há nada que ela queira mais nessa vida nesse instante, do que descobri, como são os beijos seus!!!???
Bem vai descobri e vai ser agora.
Olha naqueles olhos tristes apesar de estarem sorrindo, naqueles lábios sérios apesar de ver lindos dentes alvos, e não sabe bem como, nem quando, nem onde, e nem se ela ou ele... quem começou tudo...
Sei lá... não dá pra saber...
Também saber pra que...
Olha é dia...
Amanheceu...
Amanheceu?
Mas quando escureceu?
Quando foi ontem...
Quando será hoje?
Ah!!! Sei lá...
Mas ao seu lado há um Deus Grego!
Um Deus do Olimpo...
Nossa...
Ela não sabe bem quando, mas conseguiu, mas escalou o Olimpo!
Está deitada em um trono de amor, amparada por ombros fortes.
Com um cheiro acre doce de canela com morango...
Bom...!!!!!!

cleia
Enviado por cleia em 18/09/2007
Código do texto: T658264
Classificação de conteúdo: seguro
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
cleia
Itupeva - São Paulo - Brasil, 62 anos
529 textos (33127 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 17/10/17 19:04)
cleia